"A DTV+ é a maior evolução da TV aberta brasileira em quase 20 anos", afirma diretor da Globo
Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, Raymundo Barros, diretor de tecnologia da Globo, falou sobre as novidades da TV 3.0
Publicado em 14/06/2026 às 08:00
A Copa do Mundo começou e, junto, a TV brasileira inicia a fase experimental do DTV+, que vai entregar, através da antena, uma imagem em 4K, áudio imersivo e maior interatividade. Em entrevista exclusiva ao NaTelinha, Raymundo Barros, diretor de tecnologia da Globo, destacou as vantagens da novidade e garante que é a maior evolução da TV aberta brasileira em quase 20 anos.
“Estamos falando de uma TV aberta mais personalizada, imersiva e conectada, que vai unir o alcance massivo com a inteligência e a interatividade do universo digital”, explicou Raymundo Barros.
+ Pedro Bial ironiza algoritmos e analisa mistério da TV: "Não decifram o público"
+ Pluto TV lança canal gratuito e com programação 24h dedicado ao UFC
Atualmente, o sinal do DTV+ segue em testes no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, abrangendo um total de 22 cidades. A Globo se prepara para essa evolução desde 2015 e já produz novelas e séries com qualidade 4K. Por exemplo, hoje, as tramas das seis, sete e nove já são gravadas com esse padrão.
Raymundo Barros destacou que o Brasil possui uma das TVs abertas mais relevantes do mundo. Segundo o diretor, o DTV+ representa mais um passo na evolução do setor “para manter essa importância e qualidade na vida dos brasileiros”.
Para aproveitar a DTV+, o espectador precisa de um kit composto por conversor, antena e controle remoto. Porém, em breve, os aparelhos chegarão ao mercado com o sistema integrado para TV 3.0, eliminando a necessidade do conversor.
Confira a entrevista de Raymundo Barros, diretor de tecnologia da Globo
Como você analisa a chegada da TV 3.0 no Brasil? É o futuro da TV aberta?
Raymundo Barros - A DTV+ é a maior evolução da TV aberta brasileira em quase 20 anos, desde a digitalização do sinal. A tecnologia é mais um passo na evolução consistente da TV em entregar a melhor experiência possível ao público.
Estamos falando de uma TV aberta mais personalizada, imersiva e conectada, que vai unir o alcance massivo com a inteligência e a interatividade do universo digital.
Quais serão os maiores benefícios para os telespectadores da Globo?
Raymundo Barros - Os benefícios não são para o público apenas da Globo, mas de toda os canais da TV aberta. A imagem passa a ter qualidade 4K HDR, que chegará a todos os brasileiros gratuitamente. O áudio evolui para um nível imersivo, com opções de personalização.

Em uma partida de futebol, por exemplo, o usuário pode optar por ouvir apenas a torcida, o som do campo ou o narrador de sua preferência. Pessoas com deficiência auditiva poderão selecionar canais de áudio que destacam os diálogos, avançando em acessibilidade de forma significativa.
A interatividade também chega à TV com votações e enquetes em tempo real pelo controle remoto. A personalização de conteúdo e de publicidade por perfil de usuário, via login, tornará a experiência mais relevante para cada pessoa. E a segmentação geográfica de alta precisão permitirá que regiões específicas recebam conteúdos direcionados à sua realidade.
Desde quando a Globo vem se preparando para a implantação da TV 3.0 para a Copa? Quantas pessoas estão envolvidas no projeto?
Raymundo Barros - Os debates sobre um modelo de TV aberta mais digital começaram em 2015. Em 2025, inauguramos a Estação Piloto DTV+, operando em caráter experimental, para refinar a tecnologia, validar a arquitetura do novo modelo e capacitar as equipes. A implementação da DTV+ é um projeto genuinamente multidisciplinar, que atravessa todas as áreas da empresa.
A preparação vai muito além de garantir a engenharia necessária para a transmissão. Ela passa por uma nova forma de pensar e produzir conteúdo, considerando as camadas de interatividade, personalização e imersão que o novo modelo oferece. E também por um novo e amplo universo de possibilidades para a publicidade.
A Copa do Mundo de 2026 marca o momento da transmissão em caráter experimental do novo modelo, um passo concreto e de grande visibilidade na consolidação da tecnologia antes da operação comercial.
Uma das novidades da TV 3.0 é a venda comercial com entrega por CEP. Como a Globo vê essa nova oportunidade no mercado?
Raymundo Barros - O mercado publicitário será completamente transformado pela DTV+. Com ela, grandes marcas poderão segmentar suas campanhas, enquanto pequenos e médios anunciantes poderão também se valer da alta qualidade da TV para ter suas mensagens entregues para o público específico de uma região, sem pagar pela escala e amplitude de impacto nacional.

Historicamente, a TV aberta foi o meio mais eficiente para o topo do funil, entregando alcance e construção de marca em grande escala. Com a segmentação do digital, a TV aberta passa a cobrir todo o funil de vendas, do awareness à conversão.
Uma marca pode apresentar um produto para milhões de pessoas e, ao mesmo tempo, permitir que o telespectador compre aquele produto diretamente pela TV, sem sair do sofá. Ou ainda fazer uma promoção regional, com grande impacto especificamente no destino de interesse.
Para os grandes anunciantes, isso significa mais precisão e relevância. Já os pequenos e médios negócios regionais passam a ter um lugar na TV aberta com ofertas adequadas a sua escala e ao seu público.

A TV 3.0 é a resposta da TV aberta para o crescimento das big techs?
Raymundo Barros - Não. O Brasil tem uma das TVs abertas mais relevantes do mundo. A DTV+ é mais um passo na evolução consistente que a TV aberta tem feito nas últimas décadas para manter essa importância e qualidade na vida dos brasileiros.
Ela é um meio que move o Brasil. Cria conversas nacionais, reúne dezenas de milhões de pessoas em torno de um mesmo assunto, presta serviço e é o principal meio de acesso à informação e ao entretenimento e qualidade no país.
A DTV+ é o compromisso com a continuidade dessa relevância, entregando ao brasileiro a melhor experiência possível sem abrir mão do que sempre foi o coração da TV aberta: seu acesso gratuito e democrático a todos os brasileiros.