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Coluna do Sandro

Netflix chega aos 15 anos de Brasil enfrentando crise de audiência

A estagnação também atinge os concorrentes diretos e põe em xeque a sustentabilidade do modelo de negócios do streaming no mercado audiovisual


Cena do filme Guerreiras K-pop da Netflix
Guerreiras K-pop se tornou uma franquia de sucesso da Netflix - Foto: Reprodução

Ao completar 15 anos no Brasil em 5 de setembro, a Netflix enfrenta uma crise de audiência no mercado nacional. Dados do Ibope apontam que a plataforma estagnou e não consegue mais expandir sua participação no país. O serviço de streaming, antes visto como o negócio do futuro, a ponto de influenciar decisões de grandes estúdios de cinema, demonstra agora, com esses números, que a realidade se tornou bem diferente.

Dados da ferramenta Cross Platform View, do Ibope, mostram que a Netflix abocanhou 5,5% do tempo total de vídeo assistido na TV em agosto. O resultado marca uma queda em relação ao início do ano, quando a plataforma registrava 6%.

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Nos primeiros oito meses de 2026, a pior fase da Netflix ocorreu em junho e julho, quando a participação caiu para 5,1%. Esse recuo coincidiu com a realização da Copa do Mundo, transmitida na TV aberta, na TV paga e no YouTube.

Participação da Netflix no Brasil, de acordo com o Ibope:

  • Janeiro - 6%
  • Fevereiro - 5,5%
  • Março - 5,3%
  • Abril - 5,2%
  • Maio - 5,4%
  • Junho - 5,1%
  • Julho - 5,1%
  • Agosto - 5,5

Ruim para Netflix no Brasil, pior para seus concorrentes. O Ibope mostra que os outros streaming seguem com pouca relevância no mercado nacional. Os dados de agosto mostram o Globoplay somente com 1,5% do consumo de vídeo online, à frente de Prime Video (1,1%), Disney+ (0,5%) e HBO Max (0,4%). 

Por outro lado, o YouTube vem se consolidando como um grande destaque no mercado. Sozinho, ele já abocanha 21,7% da preferência do público em vídeo online (que totaliza 37,2%), contrastando com os 62,8% da TV linear ( TV aberta e paga).

Netflix teve queda de 40% nas ações

Essa estagnação da audiência da Netflix não é exclusividade do Brasil e reflete um movimento global. Para contornar o cenário, a empresa mudou a forma como se comunica com o mercado: desde 2025, deixou de divulgar o número exato de assinantes, quando registrava quase 270 milhões no mundo, e passou a focar nas horas de consumo.

Netflix chega aos 15 anos de Brasil enfrentando crise de audiência

Toda essa incerteza pesou na bolsa, fazendo as ações da Netflix despencarem cerca de 40% na Nasdaq no último ano. Em sua defesa aos acionistas, a companhia passou a argumentar que o engajamento e o tempo gasto na plataforma são os verdadeiros termômetros da satisfação dos clientes.  

Não por acaso, a empresa busca novos caminhos para voltar a crescer. Entre as alternativas estão a oferta de um plano gratuito com anúncios, a criação de canais lineares de séries e filmes, e a inclusão de serviços concorrentes dentro de sua própria plataforma.

Netflix não virou o negócio do futuro, até agora

Quando chegou ao Brasil, o modelo de negócio da Netflix era visto como uma revolução no mercado audiovisual. Para competir com a novata e tentar replicar seu sucesso, estúdios de cinema como Disney, Warner e Paramount implodiram o modelo de janelas de exibição que sustentava a indústria.

Antes da chegada da Netflix, a jornada de faturamento de um filme seguia a seguinte ordem: após sair de cartaz nos cinemas, a obra gerava receita com pay-per-view na TV a cabo e vendas de mídias físicas (como DVD e Blu-ray). Depois, passava pelo licenciamento para canais fechados de TV por assinatura e, por fim, era vendida para a TV aberta.

De acordo com fontes ouvidas, essas plataformas ainda não recuperaram os investimentos iniciais. No Brasil, por exemplo, o Globoplay também segue sem recuperar os aportes feitos pelo grupo.

O futuro chegou e revelou que esse modelo da Netflix talvez não seja o caminho sustentável para o setor audiovisual.

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