Netflix chega aos 15 anos de Brasil enfrentando crise de audiência
A estagnação também atinge os concorrentes diretos e põe em xeque a sustentabilidade do modelo de negócios do streaming no mercado audiovisual
Publicado em 27/09/2026 às 06:30
Ao completar 15 anos no Brasil em 5 de setembro, a Netflix enfrenta uma crise de audiência no mercado nacional. Dados do Ibope apontam que a plataforma estagnou e não consegue mais expandir sua participação no país. O serviço de streaming, antes visto como o negócio do futuro, a ponto de influenciar decisões de grandes estúdios de cinema, demonstra agora, com esses números, que a realidade se tornou bem diferente.
Dados da ferramenta Cross Platform View, do Ibope, mostram que a Netflix abocanhou 5,5% do tempo total de vídeo assistido na TV em agosto. O resultado marca uma queda em relação ao início do ano, quando a plataforma registrava 6%.
+ De subcelebridades em A Fazenda ao Primeiro Impacto no SBT: A conta da TV de baixa qualidade chegou
+ Globo frustra meta e não vende todos os patrocínios do Rock in Rio
Nos primeiros oito meses de 2026, a pior fase da Netflix ocorreu em junho e julho, quando a participação caiu para 5,1%. Esse recuo coincidiu com a realização da Copa do Mundo, transmitida na TV aberta, na TV paga e no YouTube.
Participação da Netflix no Brasil, de acordo com o Ibope:
- Janeiro - 6%
- Fevereiro - 5,5%
- Março - 5,3%
- Abril - 5,2%
- Maio - 5,4%
- Junho - 5,1%
- Julho - 5,1%
- Agosto - 5,5
Ruim para Netflix no Brasil, pior para seus concorrentes. O Ibope mostra que os outros streaming seguem com pouca relevância no mercado nacional. Os dados de agosto mostram o Globoplay somente com 1,5% do consumo de vídeo online, à frente de Prime Video (1,1%), Disney+ (0,5%) e HBO Max (0,4%).
Por outro lado, o YouTube vem se consolidando como um grande destaque no mercado. Sozinho, ele já abocanha 21,7% da preferência do público em vídeo online (que totaliza 37,2%), contrastando com os 62,8% da TV linear ( TV aberta e paga).
Netflix teve queda de 40% nas ações
Essa estagnação da audiência da Netflix não é exclusividade do Brasil e reflete um movimento global. Para contornar o cenário, a empresa mudou a forma como se comunica com o mercado: desde 2025, deixou de divulgar o número exato de assinantes, quando registrava quase 270 milhões no mundo, e passou a focar nas horas de consumo.

Toda essa incerteza pesou na bolsa, fazendo as ações da Netflix despencarem cerca de 40% na Nasdaq no último ano. Em sua defesa aos acionistas, a companhia passou a argumentar que o engajamento e o tempo gasto na plataforma são os verdadeiros termômetros da satisfação dos clientes.
Não por acaso, a empresa busca novos caminhos para voltar a crescer. Entre as alternativas estão a oferta de um plano gratuito com anúncios, a criação de canais lineares de séries e filmes, e a inclusão de serviços concorrentes dentro de sua própria plataforma.
Netflix não virou o negócio do futuro, até agora
Quando chegou ao Brasil, o modelo de negócio da Netflix era visto como uma revolução no mercado audiovisual. Para competir com a novata e tentar replicar seu sucesso, estúdios de cinema como Disney, Warner e Paramount implodiram o modelo de janelas de exibição que sustentava a indústria.
Antes da chegada da Netflix, a jornada de faturamento de um filme seguia a seguinte ordem: após sair de cartaz nos cinemas, a obra gerava receita com pay-per-view na TV a cabo e vendas de mídias físicas (como DVD e Blu-ray). Depois, passava pelo licenciamento para canais fechados de TV por assinatura e, por fim, era vendida para a TV aberta.
De acordo com fontes ouvidas, essas plataformas ainda não recuperaram os investimentos iniciais. No Brasil, por exemplo, o Globoplay também segue sem recuperar os aportes feitos pelo grupo.
O futuro chegou e revelou que esse modelo da Netflix talvez não seja o caminho sustentável para o setor audiovisual.