De subcelebridades em A Fazenda ao Primeiro Impacto no SBT: A conta da TV de baixa qualidade chegou
Crise no varejo, fuga de patrocinadores em A Fazenda e excesso de "popularesco" nos telejornais do SBT escancaram o momento delicado das emissoras de TV, onde a busca por audiência a qualquer custo já não fecha a conta
Publicado em 24/09/2026 às 07:42,
atualizado em 24/09/2026 às 11:04
As redes de TV sentem no caixa os efeitos de uma das piores crises do mercado publicitário, agravada pelas dificuldades financeiras de gigantes do varejo como Americanas, Casas Bahia e Grupo Pão de Açúcar. Um reflexo claro desse cenário foi o desempenho abaixo do esperado na venda de patrocínios para o Rock in Rio na Globo.
Como o NaTelinha antecipou, o RIR deste ano contou com apenas três renovações entre as sete marcas que haviam patrocinado a emissora na edição anterior. Ao todo, o canal colocou seis cotas de patrocínio no mercado e conseguiu comercializar quatro.
+ Globo frustra meta e não vende todos os patrocínios do Rock in Rio
+ Sem Xuxa, Bozo e Malhação: Globo, Record e SBT enfrentam o maior desafio nos 76 anos da TV
Se está difícil para Globo, imagina para as outras emissoras? Agora, não basta culpar somente o mercado mais retraído, a qualidade da programação também ajuda a equipe comercial em tempos difíceis.
Na Record, a estreia da edição de 2026 de A Fazenda foi ao ar sem patrocinador master. O reality show carrega há tempos a imagem associada a subcelebridades e barracos, e a produção deste ano apostou em um elenco que inclui até uma suposta affair de Vini Jr.
Como as marcas são muito sensíveis a esse tipo de exposição, o formato sofreu um desgaste no mercado.
Casa do Patrão pode ter atrapalhado A Fazenda
Além disso, em conversas com publicitários, fui informado de que os problemas enfrentados no início do ano pela fracassada Casa do Patrão podem ter gerado consequências comerciais para A Fazenda.
É uma pena, pois colocar um reality show no ar exige alto investimento, e a Record é uma das emissoras que mais apostam nesse segmento e merecia faturar.
Contudo, a ausência de patrocinadores deve acender um alerta na Record para a necessidade de equilibrar artístico e o comercial, já que hoje a prioridade tem sido apenas o barraco.
Problemas de vendas também no SBT
Trocando de canal, a programação policial matutina do SBT está inundada de merchans de remédios, uma publicidade de menor valor que dificilmente cobre os custos operacionais dos telejornais.
De que adianta a emissora marcar 3 ou 4 pontos e comemorar o segundo lugar na audiência se o produto não vende? A TV, acima de tudo, é um negócio.
Programas como Se Liga Brasil e Primeiro Impacto só têm notícias de crimes e mortes e, em tempos tão difíceis na publicidade, que marca quer se associar a esse tipo de conteúdo?

A justificativa costuma ser a busca por fazer uma TV popular, mas esses telejornais entregam apenas um "popularesco"; a TV popular pode (e deve) ser muito mais do que isso.
O mercado publicitário está cada vez mais sensível e rigoroso na destinação de verbas. As emissoras que insistirem na falácia de que "fazer TV popular" justifica a produção de conteúdo de baixa qualidade terão sérios problemas para fechar as contas no fim do mês.
A programação deve ser voltada para as massas, sim, mas é preciso respeitar o espectador: o público sabe discernir e valoriza o que é bem feito, o mercado também. Mudar é uma questão de sobrevivência.