Sandro Nascimento
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Coluna do Sandro

Relação da Record com Bolsonaro subiu no telhado por crise da Universal em Angola

Emissora vem ampliando críticas ao governo no Jornal da Record

Bolsonaro durante entrevista exclusiva para Record
Jair Bolsonaro tem apoio da Record ameaçado - Foto: Reprodução/Record
Sandro Nascimento

Publicado em 06/10/2021 às 04:00:00,
atualizado em 06/10/2021 às 09:02:27

A relação de apoio editorial da Record a Jair Bolsonaro enfrenta sua pior crise desde o início do governo, em 2019, e flerta com um rompimento. A bronca, de acordo com fontes ouvidas pelo NaTelinha, é a pouca importância que o presidente da República dedica na condução de resolver os problemas enfrentados pela Igreja Universal em Angola, onde a instituição perdeu cerca de 300 templos para dissidentes locais e a Record teve seu sinal cortado.

Como consequência desse desgaste, na última segunda-feira (04), o Jornal da Record exibiu uma reportagem de quase quatro minutos destacando a apuração do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), que revelou que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, possuem empresas em paraísos fiscais.

Na matéria, a emissora exibiu uma entrevista com o deputado Milton Vieira, do Republicamos de São Paulo, partido ligado a Igreja Universal e que faz parte da base de apoio do governo no congresso.

“E aí, a gente se depara com uma situação como essa, de um povo brasileiro passando fome. Então, eu acho que o governo tem sim que tomar uma providência e o próprio ministro, eu acho ele tinha que pedir, no mínimo, apurar isso aí. Porque durante esse período todo que ele teve essas contas lá, os juros que ele obteve o os ganhos que ele teve foram grandes. O ministro precisaria ficar fora e o governo substituir, até apurar, porque realmente, caiu no descrédito. Não tem desculpa”.

Milton Vieira

Ainda na matéria exibida no Jornal da Record, é destacado que "o caso de Guedes tem indícios claros de conflito de interesse porque a empresa no exterior pode se beneficiar das decisões dele".

O NaTelinha apurou que conversas entre líderes da Universal avaliam que já passou da hora de abandonar o apoio ao governo Bolsonaro e que essa nova tendência editorial já vem sendo difundida entre diretores da emissora. Procura pela reportagem, a Record não se posicionou.

Entenda o desgaste da Record com Bolsonaro

Em maio deste ano, o bispo Renato Cardoso, chefe da Igreja Universal no Brasil e genro de Edir Macedo, fez duras críticas ao governo, durante uma reportagem no Jornal da Record, sobre uma nova leva de missionários da Igreja Universal deportados de Angola que chegaram ao Brasil.

“O que mais nos indigna não é o que está acontecendo lá em Angola. É a ausência de autoridades brasileiras para interceder pelos pastores, pelos brasileiros em um país estrangeiro. Até quando o governo brasileiro vai ficar calado, passivo, diante desta situação? (O governo) já deveria estar fazendo cumprir os seus tratados internacionais com a Angola. Esse é o protesto, especialmente do povo cristão, do povo evangélico, do povo católico, que apoiou esse governo, faz parte da base do governo. Mas, agora recebe em troca uma omissão. É muito triste e decepcionante para o povo cristão no Brasil”.

No início de 2020, a Igreja Universal de Angola passou a enfrentar uma grave crise com pastores angolanos que se viraram contra a instituição. Eles tomaram cerca de 300 templos espalhados no país e o controle da igreja. Diversos pastores brasileiros viraram alvo de investigação de lavagem de dinheiro e, com vistos vencidos, acabaram sendo deportados.

Em abril de 2021, o Ministério das Telecomunicações angolano ordenou suspender o sinal da Record e justificou que “o canal que a empresa Rede Record de Televisão (Angola), Limitada, que responde pela TV Record África, tem como diretor-executivo um cidadão não nacional".

Três meses depois, o vice-presidente Hamilton Mourão, a mando de Bolsonaro, foi até Angola numa tentativa de reverter a situação, mas as conversas não tiveram sucesso, o que deixou o comando da Igreja Universal frustrada e decepcionada com o governo Jair Bolsonaro.



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