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"Amor à Vida" irrita público ao denunciar brasileiro preconceituoso

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Divulgação/TV Globo
Redação NT

Publicado em 22/10/2013 às 15:16:58

Foram feitas neste espaço várias críticas à atual novela das 21h. Seja por falta de verossimilhança em diálogos de algumas cenas, pelos exageros de Walcyr Carrasco e seus personagens ou até por não possuir um núcleo principal capaz de convencer o público, “Amor à Vida” peca em várias coisas.

Apesar disso, é absolutamente necessário vir aqui defender o autor deste turbilhão de críticas que está recebendo por fazer o que poucos tiveram coragem: despir o brasileiro e expor a ele próprio seu preconceito, sua raiva, sua ignorância e estupidez contra... brasileiros, que fogem do "padrão" estabelecido pelo... brasileiro.

Trata-se de uma questão delicada. Bater de frente com seu público não é fácil.

O drama de Perséfone (Fabiana Karla), por exemplo, é o retrato perfeito da hipocrisia de quem critica a história. Negar que mulheres "acima do peso" recebem o mesmo tratamento e são vistas da mesma forma que outras "no peso ideal" é fechar os olhos para nossa realidade.

O preconceito contra pessoas acima do peso é assustador na vida real, muito pior que “Amor à Vida” está mostrando.

Em todos esses meses de novela, assistimos várias classes se manifestarem contra personagens da trama, por julgarem que o telespectador poderia ter uma visão errada do que se acontece na realidade. Foram os médicos, os enfermeiros, os advogados, os veterinários, as ex-chacretes e outros.

Quanto a isso, qualquer explicação é desnecessária por conta da pobreza de argumento dos envolvidos. Seria ridículo, não fosse sério, o que está acontecendo. Não há corrupção dentro dos hospitais? Não existem advogados que orientam seus clientes a mentirem em juízo? Não há clínica psiquiátrica que usa "métodos antigos"?

Nessas questões, “Amor à Vida” não foge do real nem muito menos distorce o que acontece.  

É extremamente notável que as cenas de preconceito da trama incomodam parte do público. Não por se afastarem da realidade e representarem o que não existe, mas por denunciar sem precedentes que sobra preconceito ao brasileiro.  

O preconceito está na própria sociedade cheia de estereótipos. "Amor à Vida" tem vários defeitos, mas este não é um deles.


Comente o texto no final da página. E converse com o colunista: brenocunha@natelinha.com.br / Twitter @cunhabreno

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