Opinião no Ar

Médico bolsonarista debocha de Amanda Klein na RedeTV!

Jornalista debateu lockdown contra o coronavírus e foi ridicularizada por convidado

Amanda Klein, Luís Ernesto Lacombe e Alessandro Loiola no programa Opinião no Ar - Foto: Montagem/Reprodução/RedeTV!
Por Paulo Pacheco

Publicado em 06/11/2020 às 22:00:01

No programa Opinião no Ar, da RedeTV!, nesta sexta-feira (6), Amanda Klein e o médico Alessandro Loiola se desentenderam ao debater a adoção do lockdown em países da Europa como medida para conter a segunda onda do novo coronavírus. A jornalista se incomodou com o sarcasmo e a falta de seriedade do convidado ao expor dados que contradiziam informações distorcidas sobre a ineficácia do distanciamento forçado contra a Covid-19.

Para provar que o lockdown não surte efeito no combate ao coronavírus, Loiola usou como exemplo Belarus (antiga Bielorrúsia), que apresenta balanços questionáveis do controle da doença por ser governado por uma ditadura. "O que estamos vendo na Bielorrúsia, que não fez absolutamente nada em termos de lockdown? O gráfico está estável, os caras não conseguiram ter nem oito mortes por milhão de habitantes”, disse o médico, sendo interrompido por Amanda Klein.

"Doutor Alessandro, a Bielorrússia é praticamente uma ditadura, o presidente disse que você tem que tomar vodca e ir à sauna para conter o vírus. Será que é um bom exemplo?". Luís Ernesto Lacombe, que no programa deveria exercer a função de mediador, se posicionou contra a própria colega: "O que um sistema de governo tem a ver com a taxa de infecção?".

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O convidado, então, partiu para outro exemplo e indagou a jornalista: "A Suécia é uma ditadura?". Amanda respondeu: "Não, a Suécia não é uma ditadura". Loiola reagiu com sarcasmo: "Ah, tá". Ela prosseguiu: "Mas tem uma composição social totalmente diferente da nossa".

Loiola desceu o nível da argumentação e ridicularizou a jornalista: "Sim, os seres humanos lá tem três olhos". Visivelmente incomodada, Amanda tentou manter a compostura ao rebater a ironia do convidado: "Não, as pessoas estão acostumadas ao distanciamento social natural".

Enquanto Lacombe ria do argumento da colega, Loiola voltou a menosprezá-la: "Eu me pergunto como é que eles conseguem se reproduzir lá". Amanda perdeu a paciência e desabafou: "Doutor, estou fazendo perguntas totalmente responsáveis e legítimas. O senhor está sendo irônico gratuitamente". O apresentador pediu calma à jornalista.

O médico, em seguida, acusou a profissional da RedeTV! de mentir: "Quando você mente dizendo que na Suécia há distanciamento, e no momento não há…". Amanda retrucou: "Eu não estou mentindo, estou dizendo que eles têm uma cultura totalmente diferente da nossa".

Amanda Klein perguntou sobre países bem-sucedidos na Ásia, e o médico mentiu ao falar sobre Taiwan: "Não houve lockdown. Ah, e eles estocaram hidroxicloroquina e usaram amplamente lá". O medicamento de eficácia não comprovada para o coronavírus foi liberado em Taiwan apenas para profissionais da saúde, segundo a Embaixada da ilha no Brasil. Embora não tenha adotado o lockdown, Taiwan abriu 22 locais de isolamento e quarentena, com um total de 2.117 quartos, para onde eram enviados turistas durante 14 dias, informou o ministro da Saúde ao jornal Folha de S.Paulo. A hidroxicloroquina não foi mencionada como tratamento para Covid-19.

Em outro momento, Amanda Klein trouxe estudos publicados pela revista científica Lancet, referência entre a comunidade médica, sob olhar de desconfiança de Lacombe e de desprezo de Loiola. O médico disse para a jornalista reler uma frase dita por ela e escrita na publicação, mas ouviu não: "Você já me pediu duas vezes, o senhor entendeu".

Apoiador do presidente Jair Bolsonaro, o médico Alessandro Loiola já ocupou um cargo no governo. Entre 27 de novembro de 2019 e 24 de janeiro de 2020, foi coordenador-geral de um setor da Secretaria Especial da Cultura, à época comandada por Roberto Alvim, exonerado após publicar um vídeo oficial com temática nazista.

Segundo a página de fact checking Comprova, Loiola mentiu no Twitter ao usar uma tabela para mostrar a ineficácia do uso de máscaras contra o coronavírus. Ao contrário do que postou o médico bolsonarista, o artigo em que a tabela foi publicada provou que as pessoas estudadas que testaram positivo para Covid-19 tinham duas vezes mais chances de terem frequentado bares ou restaurantes (onde é preciso retirar a máscara para comer e beber) duas semanas antes do início dos sintomas.



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