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"Bom Sucesso" agrada com enredo inteligente e pegada popular

Divulgação/ TV Globo

Publicado em 03/08/2019 às 12:30:10

Por: Thallys Bruno

Rosane Svartman e Paulo Halm estão de volta à cena. Com vasta experiência no cinema e elogiados por obras como “Malhação Intensa” (2012-13, de Rosane com Glória Barreto, tendo Halm no grupo de colaboradores), “Malhação Sonhos” (2014-15) e “Totalmente Demais” (2015-16), os autores ingressam novamente na faixa das 19h com “Bom Sucesso”, novo cartaz do horário a partir desta segunda-feira. Porém, desta vez, têm a missão de manter os bons índices de “Verão 90”, encerrada na última sexta.

O mote dos roteiristas é o valor da vida, que será centrado na protagonista Paloma (Isabella Scherer/Grazi Massafera). Moça humilde, apaixonada por literatura e por samba, ela vive em Bonsucesso, no Rio (daí o trocadilho do título), e criou seus três filhos sozinha depois que o grande amor de sua vida, Ramon (Pedro Lobo/David Junior), largou tudo após o nascimento da primogênita para realizar o sonho de ser jogador de basquete nos EUA, mas, devido a uma lesão, trabalha como roupeiro de um time.

Após realizar um exame, ela fica sabendo que tem apenas seis meses de vida e perde o chão. A notícia de sua falsa morte a faz decidir viver tudo como se não houvesse amanhã, o que envolve uma noite quente com um desconhecido – o bon vivant Marcos (Rômulo Estrela), que se encanta pela costureira. Ao mesmo tempo, ela descobre que seu exame foi trocado com o de um grande empresário do mercado literário – Alberto Prado Monteiro (Antônio Fagundes), um homem devotado ao trabalho. A partir daí, ela se dedica a encontrar Alberto, enquanto reencontra Marcos e Ramon volta ao Brasil disposto a reconquistá-la.

Nos primeiros capítulos apresentados, a impressão foi a melhor possível e deixou claro que é possível fazer um enredo com pegada popular sem nivelar tudo por baixo. O excelente desenvolvimento de Paloma, a propósito, vem rendendo comparações com o folhetim em cartaz no horário nobre pelo fato de a protagonista, brilhantemente vivida por Grazi Massafera, ser uma mulher popular, batalhadora, mas também de fibra, que sabe impor limites aos filhos ao mesmo tempo em que os admira – e, com isso, passar longe da letargia de Maria da Paz, a exaustivamente tola personagem de Juliana Paes.

Por falar em Grazi, é possível dizer sem medo de errar: há muito ela não apresentava um desempenho tão brilhante. Sua entrega às dores, delícias e vivências de Paloma deixou clara a grande evolução cênica que a intérprete experimenta ao longo dos anos. A atriz ainda mostra uma encantadora liga com seus dois parceiros de cena: Rômulo Estrela, que afastou de vez o ar sorumbático de seu personagem anterior (o passivo Afonso de “Deus Salve o Rei”), e David Junior, que experimenta o posto mais alto após bons momentos em personagens menores – vale aqui destacar o quão representativo é ter um ator negro no protagonismo de uma história.

Outro ponto que merece elogios é a promoção de vários lançamentos em seu elenco, fugindo das caras mais óbvias. Nestas promessas, destaca-se Brunna Inocêncio, intérprete de Alice, filha de Paloma com Ramon, que vem fazendo boas cenas na reta inicial – a sequência em que ela se desespera ao se atrasar para a prova do Enem é uma delas. Ainda merecem elogios Fabiula Nascimento, ótima como a empresária Nana, que carrega a responsabilidade de reerguer a editora da família; Armando Babaioff, que finalmente é valorizado na pele do vilão Diogo, marido de Nana; Sheron Menezzes, ótima como a ambiciosa e sedutora Gisele, amante de Diogo; Ingrid Guimarães, que diverte com as loucuras da pretensa atriz Silvana; e Antônio Fagundes, que volta às novelas em grande estilo como o carrancudo Alberto, que se vê às voltas com a morte e terá em Paloma uma grande companheira para redescobrir a alegria da vida.

Um senão pode ser apontado para a abertura: seu projeto gráfico parece se resumir a uma seleção aleatória de cores sem muito sentido, deixando o visual poluído e remetendo às colagens de Totalmente Demais, novela anterior dos mesmos autores. Ainda assim, vale a pena pela belíssima versão de “O Sol Nascerá”, de Cartola, regravada por Teresa Cristina e Zeca Pagodinho.

Nesta primeira semana, “Bom Sucesso” mostrou que tem boas qualidades para manter o público preso na TV, embora com um estilo bem diferente de sua antecessora “Verão 90”. A trama de Rosane Svartman e Paulo Halm vem mostrando que é possível aliar enredo inteligente e estilo popular, junto a um elenco competente e mantendo o clima solar do horário. O resultado se reflete na audiência: sua estreia cravou 31 pontos, mantendo em alta os bons índices da antecessora. Os autores repetem aqui a competência já mostrada em Totalmente Demais e têm muitas condições de fazer a novela continuar fazendo jus ao seu título.


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