Opinião

Globo termina 2022 menos ameaçada do que nunca

Líder de audiência tem problemas, mas concorrentes estão cada vez mais acomodados

Globo reina absoluta na liderança - Arte: NaTelinha
Por Thiago Forato

Publicado em 22/12/2022 às 04:00:00,
atualizado em 22/12/2022 às 10:58:50

A Globo já teve mais motivos para se preocupar e fins de ano que certamente encontrou a necessidade de se planejar melhor para um próximo. 2022 vai terminando e a líder de audiência nunca se viu tão pouco (para não dizer nada) ameaçada.

A grande pedra sapato foi a transmissão da Libertadores no SBT, mas que se tratou de algo pontual e datado, já que o torneio volta para a líder de audiência em 2023. Nem nos momentos mais agudos da competição, houve de fato um grande susto.

O canal de Silvio Santos, que já foi mais competitivo em outros tempos, não apresentou tantas novidades neste ano. Se resumiu às novas temporadas dos seus talent shows gastronômicos e Poliana Moça. Nem mesmo aos domingos, onde historicamente deu mais trabalho, apresentou disposição para crescer e incomodar, vide um Domingo Legal e Eliana que não se renovam, apesar dos bons resultados apresentados.

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A Record viu seus realities ruírem. O grande carro-chefe do último trimestre, A Fazenda, deixou sua imagem arranhada. O Ilha e Power Couple foram um absoluto fracasso de público e ainda assim, retornarão em 2023. Não há experimentos. Tentativas iguais certamente promoverão resultados idênticos. Ou piores.

As novelas bíblicas, que chegaram a superar o Jornal Nacional e um folhetim das 21h, passaram todo o ano de 2022 despercebidas. Para quem já produziu megaproduções como Os Dez Mandamentos (2015-2016), chega a ser um mico apresentar uma história como Todas as Garotas em Mim.

A Hora da Venenosa, quadro que até pouco mais de um ano atrás era um dos poucos a incomodar a Globo na liderança de audiência, foi engolido por uma solução caseira e que já deveria ter sido feita há muito mais tempo: a abertura de mais um horário de reprise de novelas.

Globo nada de braçada em mares calmos

Apesar do grande negócio da Globo ainda ser a televisão aberta, parece que seus grandes concorrentes estão mesmo no streaming. Não só roubando cada vez mais seu público a cada ano que passa, já que sua audiência naturalmente encolhe como o veículo como um todo, mas também mexendo no seu casting, ainda que ela mesma venha abrindo mão dele. Isso sem contar os direitos esportivos, que estão cada vez mais inflados por conta dos grandes conglomerados e prejudicando também seus canais fechados.

Como diz a música que embala seu final de ano, o futuro já começou. Está aí batendo na porta. Enquanto Record e SBT não apresentam novidades, reciclando formatos, desgastando outros e entulhando suas programações com produtos que o próprio público reprova, a Globo não cruza os braços, ainda que sofra de estagnação em alguns programas e momentos, como o Caldeirão com Mion, por exemplo, que em mais de um ano no ar, permanece o mesmo. O motivo? Ausência de concorrência. Faça o que quiser, não há ameaça.

O balanço de 2022 da Globo é positivo. Lançou Pantanal, um sucesso como há tempos não víamos na TV aberta, promoveu mudanças importantes dentro da grade, conseguiu de volta a Libertadores e termina em alta depois uma cobertura de Copa do Mundo. Há erros? Existem, obviamente.

Como relatei neste espaço, a Globo transformou sua linha de shows em um "puxadinho" do Globoplay. Supreendentemente, estreou um seriado enlatado (This is Us) de seis anos atrás nas noites de quarta-feira (algo impensável até então), aprovou Travessia, com problemas estruturais graves (e o que dizer da insossa Cara e Coragem?) e ainda resiste a diminiuir o excesso de filmes na grade.

A Globo é imbatível porque nunca ninguém se propôs a realmente batê-la. No início deste século, chegava a passar horas em segundo lugar em diferentes horários, hoje raramente isso acontece. Faltou consistência dos concorrentes e a planejar um futuro.

Os erros são sempre elementares. Basta que um produto dê certo e ele se esgota. A fórmula seca e a Globo continua lá. Se o futuro já começou, o que vem por aí?


Thiago Forato é jornalista, assina a coluna Enfoque NT desde 2011, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Forato também é autor do blog https://parlandodepalmeiras.com.br. Converse com ele pelo e-mail thiagoforato@natelinha.com.br ou no Twitter, @tforatto 

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