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Ana Lúcia Torre revela bastidor de famosa cena em Alma Gêmea: "Foi a vingança do público"

Morte da vilã Débora na novela, atualmente em reprise no Viva, rende memes até hoje; atriz conta que gravação lotou estúdio


Ana Lúcia Torre na cena da morte de Débora na novela Alma Gêmea; novela exibida entre 2005 e 2006 é reapresentada no canal Viva
"Ainda recebo memes da Débora e fico fascinada com isso", conta a atriz Ana Lúcia Torre - Fotos: Reprodução/Globo

“Ah, finalmente os refrescos!”, diz Débora, personagem de Ana Lúcia Torre, minutos antes de provar do próprio veneno na reta final de Alma Gêmea (2005-06), atualmente em reprise no Viva. A cena deixou os telespectadores vidrados em frente à TV em 2006 e fez história, rendendo memes até hoje. “Foi a vingança do público”, define a atriz, que relembra os bastidores daquela gravação em entrevista exclusiva ao NaTelinha.

O objetivo de Débora era matar Rafael (Eduardo Moscovis), mas acaba ela própria bebendo o refresco envenenado. Para arrematar, o espírito da vilã sai de seu corpo e vai parar em um labirinto soturno, repleto de vultos à sua volta. Todas as expressões da megera – do sorriso maléfico no início até o sufocamento e o desespero ao se perceber morta – se tornaram um prato cheio para a criatividade dos internautas nesses 16 anos (veja abaixo).

“A sequência reuniu bastante gente do elenco em cena, mas tinha ainda mais gente atrás das câmeras. Todo mundo queria ver como a Débora ia morrer! Foi divertidíssimo para nós”, conta Ana Lúcia Torre. “Ela era maníaca com os empregados, tudo tinha que estar exatamente no lugar. Por isso, o mordomo troca as taças na bandeja na hora de servir e acaba, sem saber, provocando a morte da patroa”, recorda a atriz.

Na época, ela não se surpreendeu com o desfecho da personagem, que saiu de cena algumas semanas antes do último capítulo. “Eu tinha uma ideia de que alguma coisa não convencional aconteceria com ela. O que me surpreendeu foi como tudo foi feito. Foi maravilhoso! Ainda recebo memes da Débora e fico fascinada com isso.”

Ana Lúcia Torre revela bastidor de famosa cena em Alma Gêmea: \"Foi a vingança do público\"Foto: Reprodução/Site Pack de Memes

Dupla de vilãs formada com Flávia Alessandra em Alma Gêmea caiu nas graças do público

Ana Lúcia Torre revela bastidor de famosa cena em Alma Gêmea: \"Foi a vingança do público\"

Em Alma Gêmea, Débora forma uma dupla perigosa com a filha Cristina (Flávia Alessandra). Falidas, ela são dispostas a tudo para ascender socialmente e tentam eliminar todos que atravessam seu caminho, como a heroína Serena (Priscila Fantin). Tanta maldade não afugentou o público, ao contrário: a novela teve a maior audiência da faixa das 18h nos anos 2000.

“Os atos que a Débora incitava a filha a praticar eram horrorosos. Lembro que eu era parada na rua por pessoas que diziam: ‘Estou correndo para casa para assistir à novela. Quero ver o que a Débora vai aprontar’. E davam risada, se divertiam muito com ela… Foi uma personagem que, apesar de terrível, caiu no gosto do público.”

A cumplicidade entre as atrizes foi fundamental para o sucesso das personagens, segundo Ana Lúcia Torre. “Chegávamos sempre no estúdio uma hora antes do que estava marcado e ficávamos só nós duas ensaiando. Cada vez que passávamos a cena, fazíamos diferente. Foi um jogo de cena muito interessante até o último dia de gravação.”

A veterana não esconde sua predileção pelas malvadas. “Vilã é sempre melhor que mocinha. A coitada chora do início ao fim, para só no último capítulo ter alguma recompensa. A vilã vai tendo recompensas a novela inteira (risos). E vamos combinar que o público adora uma vilãzinha...”

Atriz antecipa destino de Celina em Quanto Mais Vida, Melhor: “Ou ela vai embora ou muda de comportamento”

Ana Lúcia Torre revela bastidor de famosa cena em Alma Gêmea: \"Foi a vingança do público\"

É na pele de outra megera que Ana Lúcia Torre bate ponto na Globo às 19h, em Quanto Mais Vida, Melhor: a supercontroladora Celina, que tem adoração pelo filho Guilherme (Mateus Solano) e, por isso, inferniza a vida da nora, Rose (Bárbara Colen). Para a atriz, esse tipo de mãe é mais comum do que se pensa. “Tanto que existe esse mito da sogra má, que nada mais é do que uma mãe obcecada pelo filho.”

“Acho ótimo poder mostrar isso em uma novela para que essas pessoas se deem conta do quanto podem fazer mal não só para uma pessoa, que no caso é a nora, mas que também podem desagregar uma família inteira”, defende a atriz. Ela dá uma pista sobre o destino de sua personagem na trama: “Ou ela vai embora ou muda de comportamento. Não há outros caminhos”.

Com mais de 40 anos de carreira, a artista viveu uma experiência nova com Quanto Mais Vida, Melhor, inteiramente gravada em meio à pandemia da Covid-19. As filmagens chegaram ao fim antes de a história entrar no ar. “Em novela, estamos acostumados a ir gravando e vendo a reação do público. Nossa entrega teve que ser muito inteira, para que atingíssemos nosso objetivo.”

“Não havia a hipótese de, no meio da novela, o autor mudar o rumo que tivesse dado anteriormente àqueles personagens. Isso causou no elenco uma união muito grande, até pela incerteza que nós tínhamos do que iria acontecer. Foi muito difícil gravar durante a pandemia, por todos os cuidados e prevenções dentro e fora dos estúdios. Não podíamos nem visitar os outros colegas que gravavam outras produções.”

Nas tardes da Globo, Ana Lúcia Torre surge quase irreconhecível como Neca de O Cravo e a Rosa

Ana Lúcia Torre revela bastidor de famosa cena em Alma Gêmea: \"Foi a vingança do público\"

Em abril, Ana Lúcia Torre começa a ensaiar a peça Longa Jornada Noite Adentro. Por enquanto, segue curtindo seus três trabalhos que estão no ar – além da inédita Quanto Mais Vida, Melhor e da reprise de Alma Gêmea, ela também está na edição especial de O Cravo e a Rosa, nas tardes da Globo, quase irreconhecível na composição da caipira Neca.

“O Cravo e a Rosa foi a paixão da minha vida, está guardada em um cantinho muito especial do coração. Foi muito bom fazer. Estou assistindo à novela todos os dias. É impressionante como as pessoas voltam a falar comigo na rua por causa da Neca.”

Há uma identificação especial com esse papel, segundo a intérprete. “Sou de São Paulo, mas passei grande parte da minha vida indo para o interior aos finais de semana. Minha avó teve criação de cabra e de vaca. O universo rural para mim é delicioso e me faz sentir absolutamente em casa. É um cotidiano que amo muito.”

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