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Reprise

Há 20 anos, O Cravo e a Rosa ganhou vilã após decisão da Globo de última hora

Marcela, personagem de Drica Moraes, entra em cena no decorrer da novela, "esticada" por alta audiência

Drica Moraes como Marcela em cena da novela O Cravo e a Rosa, em reprise na Globo
Drica Moraes chega em O Cravo e a Rosa na metade como Marcela, filha mau-caráter de Joaquim (Carlos Vereza) - Foto: Reprodução/Globo
Walter Felix

Publicado em 02/01/2022 às 11:00:00

Em O Cravo e a Rosa, Catarina (Adriana Esteves) e Petruchio (Eduardo Moscovis) precisam lidar com suas próprias “animosidades” para conseguir ir em frente com sua história de amor. Para o infortúnio dos protagonistas, uma megera daquelas entra em cena para tumultuar ainda mais a vida dos dois. Uma vilã foi criada às pressas pelo autor Walcyr Carrasco após uma decisão da Globo relacionada à novela, atualmente em reprise nas tardes da emissora.

Há 20 anos, quando O Cravo e a Rosa foi ao ar pela primeira vez, os altos índices de audiência entusiasmaram a direção do canal. “Ninguém achava que seria o sucesso que foi. A novela havia sido projetada para ter 90 capítulos. Ia ser curta, inaugurando uma nova fase do horário, de novelas curtas”, relatou Walcyr Carrasco em entrevista ao livro Autores: Histórias da Teledramaturgia (2009), do projeto Memória Globo.

O formato já havia sido experimentado com Esplendor (2000), antecessora no horário, que fez 28 pontos de média em seus 125 capítulos. Já a trama de Catarina e Petruchio elevou o Ibope para a casa dos 30 pontos, o que provocou o “espichamento”. Após entrar no ar em junho de 2000, o folhetim só sairia de cena no ano seguinte, em março de 2001, totalizando 221 capítulos.

“Quando a novela estava no capítulo 70, avisaram que passaria a ter 200. Para poder ampliar a história, eu fiz alguns pedidos à Globo. Pedi, por exemplo, novos cenários e uma nova atriz para interpretar uma vilã, coisa que a novela não tinha.”

Walcyr Carrasco

Segundo o autor, o papel de vilã era desempenhado pela própria Catarina, cujo gênio indomável impedia o relacionamento com Petruchio. “Em 90 capítulos, isso era possível. Mas, em 200, eu precisava de uma personagem que fizesse armações, precisava de uma vilã com perfil de novela tradicional.”

Vivida por Drica Moraes, Marcela entra em cena para infernizar personagens de O Cravo e a Rosa

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Foi diante desse conflito que Walcyr Carrasco – autor de O Cravo e a Rosa em parceria com Mário Teixeira –, criou Marcela, uma “vagabunda total”, como definiu o novelista naquela mesma entrevista. Filha de Joaquim (Carlos Vereza) e nascida Muriel, volta à cidade com novo nome. Apaixonada por Petruchio, inferniza a vida do caipira e a de Catarina, até se envolver com Batista (Luis Mello), de olho no dinheiro do banqueiro.

As vítimas de Marcela não param por aí. Disposta a ficar com Batista, a malvada também passa a ter a humilde Joana (Tássia Camargo) como rival. Na convivência com a madrasta, Bianca (Leandra Leal) também sofre o pão que o diabo amassou. Outro alvo das armações da mau-caráter é Januário (Taumaturgo Ferreira), seu meio-irmão, a quem é destinada toda a fortuna de Joaquim quando o velho morre, também em meados da história. Para seus golpes, ela tem um cúmplice, o forasteiro Ezequiel (Déo Garcez).

Depois de muito aprontar, Marcela acaba na miséria. Separada de Batista, que finalmente assume Joana como sua esposa, a megera só consegue tirar uma boa quantia do banqueiro quando entra em um acordo com o milionário para deixar a família em paz. No fim, ela termina ao lado de Heitor (Rodrigo Faro), um outro golpista, tornando-se sua parceira em próximas falcatruas.




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