“A Força do Querer” vira o jogo das 21h e vai para a galeria das grandes novelas

Reprodução

Publicado em 20/10/2017 às 23:35:21 , atualizado em 21/10/2017 às 01:01:19

Por: Diogo Cavalcante

Encerrada nesta sexta-feira (20), “A Força do Querer” sai de cena vitoriosa. Além de apresentar, finalmente, uma história redonda, agradável e que dá gosto de acompanhar, conseguiu emplacar em todos os pontos necessários para caracterizar-se como um sucesso e entrar para a galeria das grandes novelas.

Rendeu memes e trends nas redes sociais, gerou repercussão boca-a-boca nas ruas, trouxe discussões sérias e necessárias e elevou a audiência da faixa de Norte a Sul do país. Como dizia Janete Clair: “vale tudo, só não vale a indiferença”. E a última coisa que “A Força do Querer” deu foi indiferença.

O último capítulo - extremamente longo - fechou de forma coerente os destinos de cada personagem. Ritinha (Isis Valverde) seguindo seu sonho de sereia nos Estados Unidos, Bibi (Juliana Paes) redimida de sua vida criminosa, Jeiza (Paolla Oliveira) campeã de UFC, Ivan (Carol Duarte) e sua liberdade para ser quem é.

Com o perdão do trocadilho, todo mundo alcançou o seu "querer". Além da bela sacada em recuperar a profecia indígena para terminar a história de Ruy (Fiuk) e Zeca (Marco Pigossi).

Por si só, o trio de protagonistas Ritinha, Bibi e Jeiza já rendiam uma boa história. A sereia inconsequente, a jovem cega de paixão, a policial incorruptível, respectivamente.

Os núcleos paralelos, com os dramas pessoais de Ivan e Silvana (Lília Cabral), além do humor de Abel (Tonico Pereira), Edinalva (Zezé Polessa) e Nazaré (Luci Pereira) incrementaram esse “recheio” com ótima defesa dos atores a seus personagens.

Elizangela, vivendo Aurora, a sofrida mãe de Bibi, merece um parágrafo à parte. A atriz não ganhava um personagem bom há anos na TV. Betty Faria foi outro destaque como a deslumbrada Elvirinha.

A turma do morro também merece destaque. Emílio Dantas agradou como o detestável Rubinho. Sabiá (Jonathan Azevedo) e Alessia (Hylka Maria) também foram grandes achados.


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A dobradinha de Nonato/Elis Miranda (Silvero Pereira) e Eurico (Humberto Martins) foi divertida e, ao mesmo tempo, reflexiva. Juliana Paiva, acusada injustamente de “escada”, merece elogios por sua Simone. A personagem afastou o “fantasma” de Fatinha, personagem da “Malhação” que perseguia a atriz. Maria Fernanda Cândido e Dan Stulbach foram igualmente impecáveis.

A parceria de Glória Perez com Rogério Gomes deu um gás ao texto inspirado da autora. As mãos do Papinha, como o diretor é conhecido, renderam cenas e sequências tão boas, ou até melhores que muitos filmes e séries estrangeiras.

A produção musical de Rodolpho Rebuzzi em parceria com Mú Carvalho também foi outro achado, tanto na trilha nacional/internacional, em sintonia com o cenário musical atual, quanto nos instrumentais. Lamenta-se que as músicas incidentais da novela não tenham sido lançadas nas plataformas digitais, a exemplos de outras trilhas semelhantes.

Pedras

Fiuk não foi bem como o Ruy. O personagem já não era muito tragável, somado à inexpressividade do ator, terminou sendo ponto negativo. Cibele, noiva traída de Ruy, interpretada por Bruna Linzmeyer, também cansou a paciência, se mostrando uma pessoa sem vida própria. Histórias como a de Biga (Mariana Xavier) só foram desenvolvidas em cima da hora, enquanto outras, como o vício de Silvana, giravam em círculos absurdos e cansativos.

Por pouco, a vilã Irene (Débora Falabella) não entrou para galeria negativa. A história da malvada lembrou muito a Yvone (Letícia Sabatella) de “Caminho das Índias”. Quando se pensava que a personagem tomaria rumos mais intensos, empacou na obsessão por Eugênio (Dan Stulbach). Mas salvou-se com seu passado macabro e sua morte, numa cena de terror.

Tiro certeiro

Do final de “Avenida Brasil”, última unanimidade das 21h, em 2012, até “A Força do Querer”, tivemos oito novelas. E absolutamente todas escorregaram em algum ponto, seja na audiência, seja no conteúdo. “Salve Jorge”, da mesma Glória Perez, não empolgou com o estilo repetitivo de “O Clone”.

“Amor à Vida”, de Walcyr Carrasco, e “Império”, de Aguinaldo Silva, alcançaram bons índices de audiência e iniciaram promissoras, mas se perderam pelo caminho. “Em Família” e “Velho Chico” decepcionaram com tramas assépticas. “A Regra do Jogo” padeceu com a concorrência bíblica da Record TV. Por fim, “Babilônia” e “A Lei do Amor” se desfiguraram em busca de público e terminaram sem pé nem cabeça.

Valeu a pena acompanhar os 172 capítulos de “A Força do Querer”. E que “O Outro Lado do Paraíso”, de Walcyr Carrasco, consiga substituir à altura. Salve, Glória Perez!



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