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Alfinetadas de Zé Neto em Anitta puseram os sertanejos no olho do furacão

A polêmica que a dupla de Cristiano criou respingou em seus próprios colegas


Montagem de fotos de Zé Neto e Anitta
Zé Neto criou uma polêmica envolvendo Anitta no início de maio - Reprodução/Instagram

No último dia 12, quando deu uma indireta sobre Anitta durante um show em Sorriso, no Mato Grosso, Zé Neto poderia até imaginar que causaria alvoroço entre os fãs da cantora e sofreria retaliações nas redes sociais, mas jamais cogitaria que suas declarações abririam brecha para seus próprios colegas serem investigados pelo Ministério Público.

Na ocasião, o sertanejo afirmou que não precisava da Lei Rouanet para se manter como artista e, apesar de não citar o nome da dona do hit Envolver, fez uma clara referência, ironizando uma tatuagem íntima que ela revelou ter feito. "Sorriso, Mato Grosso, um dos estados que sustentou o Brasil durante a pandemia. Nós somos artistas que não dependemos de Lei Rouanet, o nosso cachê quem paga é o povo, a gente não precisa fazer tatuagem no toba para mostrar se a gente está bem ou não, a gente simplesmente vem aqui e canta, e o Brasil inteiro canta com a gente", soltou.

Pouco mais de uma semana depois, Zé Neto e Cristiano se apresentaram em Dourados, município do Mato Grosso do Sul, e algumas pessoas puxaram um coro que dizia "Ei, Anitta! Vai tomar no cu". O primeira voz da dupla interrompeu o show para pedir que parassem com as ofensas, mas alfinetou novamente a cantora carioca. "Gente, não precisa. Vamos rezar por essas pessoas e que Deus abra a mente delas e que elas entendam”, pediu ele.

No dia seguinte, o sertanejo pediu desculpas à Poderosa, afirmou que nunca quis incitar o ódio e pretendia apenas mostrar o lado de quem vive na roça. “Acho que a gente é livre para escolher o que quiser, cada um tem o seu ponto de vista, tem gente que está do lado de cá e está vendo como funciona, que vão me apoiar. Cada um tem seu posicionamento e independente disso, a gente está aqui representando música”, diz um trecho do pronunciamento, feito no Instagram.

Diante de toda a repercussão que a história gerou nas redes sociais, levantou-se o questionamento sobre os cachês milionários recebidos pelos sertanejos, que muitas vezes se apresentam em pequenas cidades no interior do Brasil. Reportagens, inclusive, apontaram que alguns desses pagamentos são realizados a partir de critérios mais brandos que os da Lei Rouanet, criticada por Zé Neto, o que fez a situação ganhar novas proporções e atingir outros artistas, como Gusttavo Lima.

Nos últimos dias, a contratação do Embaixador, como é conhecido, pela prefeitura de São Luiz, em Roraima, deu o que falar. Isso porque o cachê recebido pelo cantor seria de R$ 800 mil e a cidade tem apenas 8.232 habitantes, o que seria como se cada pessoa pagasse 100 reais pelo show. O Ministério Público do estado iniciou uma investigação sobre o caso para saber de onde saíram os recursos para custear o evento e se haverá algum retorno para o município, que não é um local turístico. Outros artistas, como César Menotti e Fabiano, foram anunciados como atrações da mesma vaquejada que, ao todo, deve custar R$ 3 milhões.

Após polêmica de Zé Neto, cachês de Gusttavo Lima estão sendo investigados

Alfinetadas de Zé Neto em Anitta puseram os sertanejos no olho do furacão
Reprodução/Instagram

Os custos que cantores sertanejos causam aos cofres públicos têm sido bastante comentados nas redes sociais desde que Zé Neto falou que artistas como ele não dependem da Lei Rouanet, pois seus cachês quem paga é o povo. Nessa, quem está no olho do furacão é Gusttavo Lima, que além de ter sua contratação pela prefeitura de São Luiz, em Roraima, investigada, virou alvo de questionamentos após o anúncio de que seria a atração principal de um evento em comemoração aos 457 anos de Magé, no Rio de Janeiro.

O cachê previsto para o marido de Andressa Suita é de R$ 1 milhão, que é 10 vezes maior que todo o investimento que a prefeitura da cidade programou para atividades artísticas e culturais em 2022. Zé Neto e Cristiano também estão tendo seus cachês levantados e, de acordo com o Portal da Transparência de Sorriso, a dupla recebeu R$ 400 mil pelo show no qual se iniciou a treta envolvendo Anitta. O valor supera, em muito, o teto do cachê da Lei Rouanet.

Se referindo à contratação de sertanejos pelas pequenas prefeituras, Sérgio Reis, cantor e ex-deputado, disse que esse dinheiro não é como o da Lei Rouanet e buscou mostrar as diferenças que existem em seu ponto de vista. “Uma prefeitura precisa levar lazer para o povo da cidade. Então, meu amigo, se tem uma festa, qual é o problema de ela ter artistas? Das prefeituras a gente ganha. Com a prefeitura, é contrato, lógico. Você tem que dar o dossiê da sua empresa, dar nota fiscal, normal. O prefeito tem que levar alegria para o povo. O que é que há? O prefeito ajuda o comércio local. Uma festa gira dinheiro para o pipoqueiro, o pobre que vende algodão doce, a dona de casa que faz doce caseiro e vende na banquinha na festa", justificou, à Folha de S. Paulo.

A tag #CPIdoSertanejo chegou a figurar entre os assuntos mais comentados nas redes sociais na última quinta-feira (26) e os internautas pediram a investigação do uso de dinheiro público para a contratação de shows de artistas por prefeituras do interior do Brasil.

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