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Nova Raquel de Gênesis, Giselle Tigre relata assédio no início da carreira: "Saí fora"

Artista relembra os desafios do início da carreira de atriz

Giselle Tigre posada; Giselle Tigre como Raquel, em Gênesis
Nova Raquel de Gênesis, Giselle Tigre relata assédio no início da carreira - Foto: Divulgação
Thomaz Rocha

Publicado em 25/08/2021 às 07:59:00

Nesta semana aconteceu mais uma passagem de tempo em Gênesis. Uma das protagonistas da fase Jacó, Raquel deixou o corpo de Thaís Melchior e passou a ser interpretada por Giselle Tigre na idade mais adulta da personagem. A atriz volta às novelas bíblicas após um hiato de três anos, desde que fez uma participação especial em Jesus (2018), também na Record. Giselle teve que estudar muito para encarnar Raquel, já que é uma personagem conhecida.

Além de ler a bíblia, a atriz também se preparou fisicamente, com colegas em cena, e também em conversas online com autores e equipe de produção.

Em entrevista exclusiva para o NaTelinha, a artista revela o que mais a encantou na novela da Record e como foi gravar a trama em plena pandemia. Giselle ainda relembra o primeiro beijo gay das novelas da qual protagonizou ao lado de Luciana Vendramini e as dificuldades no início de sua carreira. Confira!

Mergulho bíblico em Gênesis

Para interpretar Raquel na nova fase de Gênesis, Giselle teve de se preparar bastante para mergulhar no universo bíblico da trama da Record. Além disso, o desafio foi maior por ter gravado em plena pandemia da Covid-19.

"A grandiosidade da produção, a reprodução histórica e a caracterização me encantaram muito. Fui ler Gênesis para entender o contexto da história de Jacó. Tivemos alguns encontros virtuais com os autores da novela e o elenco do núcleo. Depois preparamos cena a cena com a preparadora de atores da Record , Fernanda. Foi um trabalho muito meticuloso e bem produzido. Isso me encantou, o comprometimento de uma equipe gigante em torno desse projeto lindo", conta.

"Foi uma surpresa danada de gravar na pandemia. Deu medo de aceitar, pois ainda não tinha vacinado em março e era um risco. Mas precisava aproveitar a oportunidade. Estava num projeto como locutora, trabalhando de casa em home stúdio em São Paulo e o convite mudou tudo. Fui pro Rio e passei cinco meses, tempo que durou minha participação. Vacinei as duas dose lá, em junho. Deu tudo certo! Estou de volta ao lar", revela.

Ofício de mãe

Raquel passou boa parte de Gênesis tentando realizar seu maior sonho: O de ser mãe. Na vida real, Giselle tem um filho, Tabris, de 15 anos, fruto de seu relacionamento com o artista plástico Marcelo Gemmal.

"Ser mãe não era prioridade na minha vida. Emancipei-me aos 17 anos, com 19 estava na China trabalhando como modelo. Aos 27 mudei pro Rio de Janeiro para dar vida a professora Linda por três temporadas. Não imaginava uma vida com filhos durante esse tempo. Aos 30 encontrei meu marido, depois de três anos juntos ele perguntou: 'vamos ter um filho?' Então eu disse sim", relembra.

"É um passo muito importante este de construir uma família, educar uma criança. A vida muda muito. A prioridade agora é o ser que está sob sua responsabilidade. É preciso muita dedicação. Vejo como o maior desafio de todos, ser pai e mãe. Depois do casamento que também exige muita atenção, cuidado, renúncia e dedicação. Eu e Marcelo estamos casados há 18 anos e Tatá, nossa cria, já tem 15 anos. Somos uma tribo", brinca.

Primeiro beijo gay das novelas

Há dez anos, Giselle Tigre protagonizou uma cena que ficou marcada na história da televisão brasileira, o primeiro beijo gay em uma novela. A atriz ainda colhe frutos por ter participado da sequência inesquecível da novela Amor e Revolução (2011).

"Esse assunto é muito sério e relevante. Eu não tinha a dimensão de quanto aquela cena foi importante como representatividade e contribuiu para levantar a temática dos relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, que é natural e real em nossa sociedade. Por que esse assunto ficar velado nos folhetins de uma novela, seguimento tão popular no Brasil? Acho importante normatizar o tema", analisa.

"Surpreendo-me por não ter pelo menos um casal LGBTQIA+ em muitas outras produções, como já acontece em outros países. Isso é uma conquista civilizatória. Viva e deixe viver. Com respeito as diversidades. Eu e a Luciana queremos muito trabalhar juntas novamente para dar sequência a história de Marina e Marcela ou outro casal homoafetivo. Já fomentamos esse desejo pro Thiago Santiago, autor da novela. Quem sabe algo surge disto?", destaca.

Início da carreira

Com 49 anos de idade, 34 deles destinados à modelagem e 21 à interpretação, nem sempre a vida foi fácil para a artista. Ela enfrentou resistência da própria família para virar modelo.

"Sou filha de um nordestino brabo, cheio de preconceitos. Não tive apoio do meu pai no meu início de carreira. Compreensível. Ele tinha muito medo que eu me metesse em encrenca. Mas a minha mãe, costurou-me asas. Sempre me encheu de auto confiança e me apoiou. Levava nos ensaios do teatro, nos estúdios fotográficos e testes. E intercedeu junto a meu pai para que não coibisse meus planos", conta.

"Tanto que ele assinou minha emancipação para que pudesse trabalhar como modelo em São Paulo aos 17 anos. Eu não podia errar depois disso. Foi depositado em mim essa responsabilidade. Nesse momento, amadureci. Fui vencendo os desafios, quebrando barreiras, impondo limites e conquistando meu espaço. Meus pais são falecidos. Mas sei que os enchi de orgulho pela minha postura firme e responsável", recorda.

Além do início da carreira difícil, ela soube a contornar os problemas que surgiram em seu caminho. Uma dessas barreiras foi o assédio.

"O pior que enfrentei no início de carreira foi o assédio. Sempre tem alguém que quer se aproveitar de sua boa vontade. Mas  logo impus meu limite e sai fora de toda e qualquer coisa que fosse prejudicial. Funcionou! Tenho muito orgulho das experiências vividas e da carreira que construí ao longo de três décadas", orgulha-se.

"Algumas dessas histórias estarão no livro que estou escrevendo e que lançarei em 2022 quando completo 50 anos. Um livro de fotos, com relatos e reflexões sobre ser artista, mulher, mãe, espiritualista, cidadã e tantos outros papeis. Muita gente não sabe, mas sou formada em jornalismo e adoro escrever também. Estou num momento muito fértil e inspirador. E 50 anos de vida merece algo marcante. O projeto já está em andamento", conta.

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