Opinião

Atuação da Semana: Letícia Sabatella e a economia de gestos em Êta Mundo Melhor

Atriz constrói personagem de forte densidade emocional em participação breve na novela


Letícia Sabatella como Miriam na novela Êta Mundo Melhor
Letícia Sabatella como Miriam na novela Êta Mundo Melhor - Foto: Reprodução/Globo

A atuação da semana fica com Letícia Sabatella, que realizou uma participação especial breve, mas de forte impacto dramático em Êta Mundo Melhor. No papel de Miriam, mãe biológica de Estela (Larissa Manoela), a atriz surge como um elemento do passado que retorna para desorganizar afetos e revelar segredos mantidos por anos. Em poucas cenas, ela sustenta a carga emocional exigida pela trama e imprime densidade à narrativa.

A composição de Miriam passa por camadas bem definidas. Há o arrependimento evidente, a fragilidade física provocada pela doença que conduz ao desfecho da personagem e, ao mesmo tempo, uma obstinação que beira a crueldade em momentos decisivos — sobretudo quando interfere no relacionamento da filha e expõe verdades capazes de abalar diferentes gerações. Essa ambiguidade é o que dá consistência à personagem e evita soluções simplistas.

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Um dos pontos mais relevantes da atuação é a economia expressiva. Letícia aposta em gestos contidos e silenciosos: o olhar cansado nas cenas de hospital, a voz instável nos embates com Estela e as pausas calculadas antes das revelações mais duras. A escolha por essa contenção impede que o drama descambe para o excesso, algo especialmente delicado em novelas do horário das seis.

A parceria em cena com Larissa Manoela funciona com precisão, em especial nos momentos finais de reconciliação e despedida. O último abraço e o impacto emocional do discurso de Estela no velório ganham força porque a trajetória de Miriam foi construída com coerência: uma mulher marcada por falhas, culpas e contradições, cuja maior motivação é a busca por perdão.

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Mesmo sendo uma participação curta, Miriam deixa rastro na história e no espectador. Letícia Sabatella mostra sua capacidade de dar espessura emocional a personagens episódicas, transformando o que poderia ser apenas um recurso de roteiro em uma figura trágica e reconhecível. É uma atuação que merece elogios após a saída de cena.

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