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Atuação da Semana: Bárbara Paz acerta tudo com vilã tresloucada

Em Além da Ilusão, a atriz brilha ao subir muito do tom com Úrsula


Cena de Além da Ilusão com Úrsula chorando jogada no chão
Na novela Além da Ilusão, Bárbara Paz brilha como Úrsula - Foto: Reprodução/Globoplay

Na novela Além da Ilusão, Bárbara Paz tem dado vida à verdadeira vilã e quem movimenta a história, com sua Úrsula capaz de feitos arrepiantes, como roubar uma criança, planejar uma falsa gravidez e até planejar um possível assassinato da mocinha Isadora (Larissa Manoela). Se em trama de época as vilãs costumam ser polidas, ela faz diferente e empresta uma mulher cheia de caras, bocas e maquiagem borrada no melhor estilo Casa dos Artistas, e incrivelmente acerta a cada sequência difícil de fazer.

Se Úrsula está vivendo um inferno astral na atual fase da novela das seis da Globo, a vilã promete virar o jogo em mais uma de suas armações. Mas o que chama a atenção na semana em que a mãe de Joaquim (Danilo Mesquita) foi expulsa a pontapés por Eugênio (Marcello Novaes), após ter descoberto uma das muitas armações da noiva, é a escolha que a atriz deu para emprestar seu talento à personagem.

Assim como tudo em Além da Ilusão, Úrsula não é uma personagem inovadora, longe disso. É uma vilã típica do horário das 18h em que o público já viu mil vezes. Para ficar mais claro, basta lembrar de Constância, personagem vivida por Patrícia Pilar em Lado a Lado (2012) ou a Cristina (Flávia Alessandra) em Alma Gêmea (2005), dois bons exemplos para mostrar a grandiosidade do trabalho imposto por Bárbara Paz.

Enquanto Patrícia Pilar acertou ao dar o tom naturalista para sua vilã que interpretava com o tom de voz, Flávia Alessandra propôs uma malvada cheia de caras e bocas e que acabou caindo na caricatura de humor - muito também pelo texto rasteiro de Walcyr Carrasco. Poggi passa longe da cartilha pastelão do colega, mas não é também uma roteirista autoral como João Ximenes Braga e Cláudia Lage, até porque Além da Ilusão parece muito uma produção de Janete Clair ou de Ivani Ribeiro, tão redondinha que é.

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Neste tipo de texto, o cenário mais seguro para uma atriz seria dar o tom de naturalismo e fugir das armadilhas que as feições exageradas poderiam apresentar. Mas Bárbara foi inteligente o suficiente para perceber que sua vilã não tem tintas fortes no texto. Ela não é dada a frases de efeito, monólogo no espelho ou ameaças triunfais. Úrsula é a dona de casa, vizinha de qualquer um nos anos 40 e que poderia assassinar o marido. Uma típica personagem de Desperate Housewives (2004-2012).

Com esta conclusão, a vencedora do primeiro reality show de confinamento da história da TV brasileira puxou para uma interpretação no alto, que é o que ela faz de melhor. Sua Úrsula é visceral, não nas palavras, mas nos sentimentos. Enquanto as palavras não são exageradas, as feições são e isso funciona por um motivo simples: ela já provou que é capaz de tudo. O grande acerto de Bárbara Paz se dá justamente porque a interpretação não combina com o texto, mas combina com as atitudes da vilã e neste aspecto, ela brilha em uma novela cheia de talentos que saltam aos olhos.

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