Crítica

Promissora, Dona de Mim foi prejudicada por longa duração e descompasso do roteiro

Trama teve bons momentos, mas girou em círculos e acabou se perdendo; último capítulo vai ao ar na sexta (9)


Camila Pitanga e Elis Cabral na novela Dona de Mim, que termina na sexta-feira (9), na Globo
Ellen (Camila Pitanga) e Sofia (Elis Cabral) em Dona de Mim: volta de personagem morta evidenciou desgaste da trama - Foto: Divulgação/Globo

Dona de Mim chega ao fim na sexta-feira (9) depois de extenuantes 218 capítulos – é a novela mais longa das 19h em 16 anos. No ar desde abril, a trama de Rosane Svartman, dirigida por Allan Fiterman, foi prejudicada pela longa duração imposta pela Globo e também por certo descompasso do próprio roteiro.

A autora tinha em mãos uma história com grande potencial dramático, aproveitada até certo ponto. O folhetim se perdeu em sequências de crime e de ação, com um excesso de violência e de tragédias que destoou daquela que deveria ser a real premissa da novela.

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O norte, afinal, era a relação doce entre Leona (Clara Moneke) e Sofia (Elis Cabral), por si só capaz de garantir a atenção do espectador. Assim, as operações de Marlon (Humberto Morais) na polícia e os crimes de Jaques (Marcello Novaes) soaram deslocados na trama, vendida como leve e pueril.

O tom mais pesado, com abordagens densas, é próprio de Rosane Svartman, escritora competente e criativa. O saldo seria maior se ela tivesse investido mais em sua habitual sensibilidade e no lado afetivo da história – o que garantiu os melhores momentos, como o luto pela morte de Abel (Tony Ramos).

Os principais acertos foram justamente ao trabalhar tramas dramáticas, como o estupro sofrido por Kami (Giovanna Lancellotti) e o avanço do Mal de Alzheimer enfrentado por Rosa (Suely Franco, destaque absoluto no elenco), que garantiram ótimas cenas e atuações irrepreensíveis das atrizes.

Dona de Mim se perdeu em duração, mas manteve a audiência

A longa duração foi o que mais prejudicou Dona de Mim. Em outros tempos, era comum que as novelas ultrapassassem os 200 capítulos, número impensável para o padrão de consumo hoje.

Além de tornar a novela cansativa, dispersando o interesse, o esticamento não foi bem trabalhado pela equipe de criação. A história girou em círculos por meses a fio, tornando enfadonha a disputa pela guarda de Sofia, além de emergirem entrechos pouco atraentes.

Promissora, Dona de Mim foi prejudicada por longa duração e descompasso do roteiro

O sintoma mais evidente do esgotamento foi a volta de Ellen (Camila Pitanga) nos últimos capítulos, tentativa de criar novos conflitos quando os anteriores já pareciam resolvidos. Agora, a mãe de Sofia sairá novamente de cena e Jaques voltará à ativa, levando o enredo à mesma posição de semanas atrás.

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Apesar dos desacertos, a novela termina com saldo satisfatório para a Globo. Em vários dias, a audiência chegou a superar a das novelas das 21h contemporâneas, Vale Tudo e Três Graças, e a média de público é a terceira maior das 19h entre os títulos inéditos nesta década. Veja o ranking:

Salve-se Quem Puder - 27,1
Vai na Fé - 23,4
Dona de Mim - 21,3 (até o momento)
Família é Tudo - 20,8
Cara e Coragem - 20,7
Quanto Mais Vida, Melhor! - 20,5
Volta por Cima - 19,8
Fuzuê - 19,3

Dados do Kantar Ibope referentes à Grande São Paulo

O NaTelinha divulga todos os dias os resumos dos capítulos, detalhes dos personagens, entrevistas exclusivas com o elenco e spoilers de Dona de Mim. Confira!

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