Crítica

Marco na cultura pop, Stranger Things chega ao fim em boa hora

Calcada em referências dos anos 1980, série se transformou, ela própria, em um ícone importante de seu tempo


Dustin (Gaten Matarazzo), Will (Noah Schnapp), Eleven (Millie Bobby Brown), Mike (Finn Wolfhard) e Lucas (Caleb McLaughlin) na quinta temporada da série Stranger Things, da Netflix
Stranger Things: saga de Dustin (Gaten Matarazzo), Will (Noah Schnapp), Eleven (Millie Bobby Brown), Mike (Finn Wolfhard) e Lucas (Caleb McLaughlin) termina nesta quarta-feira (31) - Foto: Divulgação/Netflix
Por Walter Felix

Publicado em 30/12/2025 às 05:00,
atualizado em 30/12/2025 às 12:04

O último episódio de Stranger Things chega à Netflix nesta quinta-feira (31). Marco na cultura pop desde o lançamento, em 2016, a série termina após cinco bem-sucedidas temporadas. O ponto final surge em boa hora, quando a atração já dá sinais de desgaste e está prestes a se saturar por completo.

Stranger Things teve poucos tropeços e se manteve quase sempre coesa e linear. A verve de aproveitar ao máximo as séries de sucesso, estendendo-as por inúmeras temporadas, quase fez dessa uma de suas vítimas. A competência dos Irmãos Duffer garantiu certa qualidade até nos piores momentos.

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A demora entre uma temporada e outra – geralmente de dois anos – incomodou. A cada nova estreia, o espectador precisava se lembrar de detalhes que já estavam perdidos na memória, e mesmo as recapitulações não davam conta de corrigir esses hiatos.

A evolução temporal da história não acompanhou o tempo real. A primeira temporada, de 2016, se passa em 1983; a quinta, de 2025, é ambientada em 1987. Se os atores já são adultos, na série ainda interpretam adolescentes, o que já começava a gerar estranhamento no vídeo.

Um feito considerável foi como o roteiro trabalhou o amadurecimento dos personagens mantendo suas características principais. Os elos entre eles, fortes desde o início, se mantiveram e ganharam mais complexidade.

Para evitar repetições na narrativa, foi preciso aprofundar no universo fantástico do Mundo Invertido, o que resultou em uma trama imbricada e por vezes confusa. A certa altura, surgia um questionamento recorrente: contra quem ou contra o quê os protagonistas estão lutando agora?

 

Will (Noah Schnapp) em Stranger Things
Will (Noah Schnapp) assume que é gay em Stranger Things: cena teve grande repercussão - Foto: Reprodução/Netflix

Por outro lado, a fantasia se mostrou matéria-prima para uma variedade de interessantes subtextos. Entre os mais bem trabalhados, está a analogia à depressão vista na quarta e penúltima temporada, de 2023 – uma das melhores, dando a sobrevida necessária para um final digno mais adiante.

O quinto ano da série, ao explorar gradativamente a sexualidade de Will (Noah Schnapp), remete à ideia de que toda a saga pode ser vista como um despertar dos personagens principais para a puberdade – com foco em suas lutas contra monstros internos e externos.

Lamenta-se o prolongamento desnecessário do desfecho em oito episódios, com mais de uma hora de duração para cada um. Boas premissas presentes ali poderiam ser trabalhadas de forma mais concisa e menos repetitiva.

Calcada em referências dos anos 1980 e no apelo à nostalgia, Stranger Things se transformou, ela própria, em um ícone de seu tempo. Sem perder sua essência, soube evoluir junto a uma geração que cresceu assistindo à série – quase 10 anos de diferença separam a primeira da última temporada.

Com incontestável relevância e popularidade, talvez seja a atração original mais bem-sucedida da Netflix. Um acerto a decisão de finalizá-la agora, quando as histórias de Hawkings, intrincadas demais, começam a se esgotar, à beira de perder o interesse do grande público.

Imagem da thumbnail do vídeo!

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