Enfoque NT

Carta aberta a um dos maiores comunicadores do país, Gugu Liberato

Gugu Liberato deixa enorme lacuna aberta

Carta aberta a um dos maiores comunicadores do país, Gugu Liberato
Gugu Liberato: um ícone insubstituível - Divulgação/SBT

Publicado em 22/11/2019 às 21:20:00 ,
atualizado em 22/11/2019 às 22:58:13

Por: Thiago Forato

É com pesar e profunda tristeza que escrevo este texto. A morte de Gugu Liberato nas últimas horas surpreendeu a todos. Sem enfrentar nenhuma doença e sem nunca nem sequer ter ficado gravemente doente, Gugu provou, no pior dos clichês, que a vida é mesmo um sopro.

Um acidente doméstico causou a morte daquele que considero o segundo maior comunicador do país que ainda estava em atividade. Atrás somente, claro, de Silvio Santos.

Relembro aqui que minha curiosidade por televisão e audiência foi por causa de Gugu. Por anos a fio, como todos sabem, ele comandou o Domingo Legal no SBT e travava aquela que talvez tenha sido a maior guerra de audiência dominical da história da TV.

Os memoráveis embates entre Gugu e Fausto Silva, na Globo, se tornaram motivos do meu interesse. Quando Silvio ainda dividia tela com Gugu aos domingos à tarde, era um tal de "o Gugu só sobe" ou perguntas do tipo: "tá subindo?", em referência ao Ibope, que eu não entendia. Meus pais também não.

Como ninguém conseguia me explicar, procurei maneiras de tentar me informar. E nada melhor que um jornal impresso para pescar alguma pista do que Silvio e Gugu queriam dizer todo domingo com essa história de subir daqui e dali.

Como tinha uma mercearia ao lado de casa que vendia todos os jornais daquela época, final dos anos 90 e início dos anos 2000, podia sentar ali e ler os exemplares expostos. Não demorei muito pra ter a noção, ali com meus 9 e 10 anos de idade, que se tratava de uma conversa de audiência.

Pouco demorou ainda pra eu ter a noção de que o domingo era um palco feroz no quesito guerra de Ibope. E menos ainda demorou que se tratava ali de uma briga de Davi contra Golias. E para quem costumeiramente torcemos? Claro que para o menos favorecido, que naquela época, era Gugu Liberato.

Fausto Silva, que podia usufruir de um elenco estelar da Globo e de um orçamento mais generoso, perdia domingo após domingo, por um longo período, para o concorrente que mesclava entretenimento e jornalismo, tendo a criatividade, inteligência e estratégias como grandes armas na guerra do domingo.

Apesar de ser criança, vi a história de perto. Comentar isso no colégio era utópico. Ninguém entendia meu interesse por um universo tão distante e aos olhos daquela época, complexo demais. Burocrático demais.

Minha admiração por Gugu nasceu ali, quando vi que o loiro do SBT deixava a Globo em pânico aos domingos, ainda que ela liderasse todos os dias e tivesse a hegemonia de audiência. Mas naquele recorte, naquelas horas, ela tinha que rebolar. Eu achava aquilo o máximo.

Não só essas vitórias de Gugu sobre Faustão naquela época me fizeram admirá-lo. O carinho de Silvio Santos para com o seu pupilo era notório e transcendia a televisão.

A voz que é imitada por milhares de comediantes, os trejeitos, o talento e a maneira com que Gugu se comunicava o credenciavam como o comunicador número dois deste país.

Gugu soube entreter, divertir, informar, emocionar. Infelizmente, nos últimos anos, inevitavelmente vimos sua carreira declinar com programas que não tinham nada a ver com ele. Apesar de fazer bem feito, esperava-se mais de um apresentador tão talentoso e vitorioso.

2019 tem sido um ano complicado. Aos poucos dias que restam, a esperança que ele não leve outra personalidade tão querida e admirada. Dói.

Já no final deste texto, a dificuldade em ainda digerir essa informação. Gugu Liberato não voltará a nos animar com sua energia. Nem aos domingos, nem na TV.

Todos os seus anos prestados ao entretenimento e TVs ficam registrados em fotos, vídeos na internet aos montes que têm um conteúdo a perder de vista. Fica na memória de quem teve o privilégio inenarrável de assisti-lo e poder usufruir de sua alegria e talento ímpar.

Gugu Liberato deixa uma enorme lacuna. Não surgirá outro. É insubstituível.

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Thiago Forato é jornalista e escreve diariamente para o NaTelinha. Assina a coluna Enfoque NT desde 2011 . Converse com ele pelo e-mail thiagoforato@natelinha.com.br ou no Twitter, @tforatto


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