Coluna do Sandro

Globo e SBT perderam identidade nos intervalos; quais as consequências

Mudança nos intervalos da TV: Globo e SBT transformaram chamadas institucionais em anúncios, reduzindo a identidade


Montagem com a logo do SBT e da Globo
Quem procura, acha aqui foi uma marca usada pelo SBT - Foto: Montagem/NaTelinha
Por Sandro Nascimento

Publicado em 19/03/2026 às 04:05,
atualizado em 19/03/2026 às 10:41

Globo e SBT passaram por uma mudança significativa nos últimos anos em seus intervalos comerciais: a descaracterização das chamadas institucionais. O processo ganhou força entre 2012 e 2020, quando a Globo passou a tratar chamadas como peças publicitárias comuns, as aproximando de anúncios de qualquer produto. O SBT e as outras emissoras foram na onda.

O impacto foi imediato. No intervalo da Globo se tornou difícil distinguir o que era comunicação institucional e o que era propaganda dos clientes. Para o público, já saturado por longos blocos de comerciais, a chamada passou a ser percebida como “mais um anúncio”, perdendo relevância.

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Outro efeito dessa mudança foi o fim da locução padrão, aquela voz única que servia como assinatura sonora da emissora. Hoje isso se perdeu: várias vozes diferentes substituíram o timbre marcante de locutores como Dirceu Rabelo, e os slogans fixos praticamente desapareceram.

Frases como "Globo e você, tudo a ver" ou É um choque o que vem por aí", junto com o famoso ‘plim plim’, eram exemplos clássicos de sound branding. Esses elementos ajudavam o público a identificar imediatamente onde estava sintonizado e criavam uma ligação emocional com a emissora.

A identidade do SBT

No SBT, slogans como "Quem procura acha aqui", "Vem que é bom" ou "Se liga no SBT" encerravam cada chamada, reforçando a marca e criando a memória afetiva com o telespectador. Esses elementos não eram apenas detalhes estéticos: eram recursos estratégicos de branding, capazes de diferenciar emissoras.

Em 2025, o SBT tentou relançar a campanha "Quem procura acha aqui", mas a execução foi errada, sem integração ao branding nem atualização da identidade visual.

Enquanto em outros países, e até na TV por assinatura, ainda se preserva a identidade institucional das emissoras, na televisão aberta brasileira esse vínculo com o público foi rompido.

O resultado é claro: emissoras sem cor oficial, sem voz padrão, sem assinatura sonora ou visual próprio. O branding, antes um ativo estratégico, foi fragilizado. Hoje, as chamadas da Globo, do SBT e da Record parecem todas iguais, até as fontes usadas são as mesmas.

A TV aberta, ao seguir a tendência inaugurada pela Globo, abriu mão de sua identidade no intervalo para se tornar apenas mais um espaço publicitário genérico e sem a mesma conexão com seu público que teve no passado.

Confira exemplos da identidade visual e sonora da Globo e SBT:

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