Opinião

40 anos depois do Xou da Xuxa, Globo não consegue criar um novo fenômeno

Globo, Record e SBT repetem fórmulas e não buscam algo novo para o telespectador


Xuxa Meneghel em close sorrindo
Xou da Xuxa completa 40 anos da estreia em junho - Foto: Reprodução/Globo
Por Sandro Nascimento

Publicado em 12/01/2026 às 07:15,
atualizado em 12/01/2026 às 10:39

Em junho, o Xou da Xuxa completa 40 anos de estreia na Globo. Um programa que entrou na grade com o propósito de frear o crescimento do SBT nas manhãs com Bozo e que se tornou um dos maiores fenômenos da emissora. Olhando de 1986 para cá, percebe-se como a TV se empobreceu nessa faixa, investindo apenas no formato já esgotado das revistas eletrônicas e em programas policiais sensacionalistas.

Não foi por acaso que o Xou da Xuxa ditou tendências de comportamento e mudou o jogo do SBT na disputa com a Globo. Boni apostou numa atração que trazia algo novo: programa de auditório para crianças que brincava com o lúdico sem parecer “tatibitati” para também tocar os adultos.

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Nessa receita, o principal ingrediente era Xuxa Meneghel, uma jovem apresentadora que, à época, tinha 23 anos. Ela exalava carisma, na tela tinha a ingenuidade de um “baixinho” e um magnetismo que fazia o olhar ótico das câmeras não conseguir escapar de seu talento.

40 anos depois do Xou da Xuxa, Globo não consegue criar um novo fenômeno

O programa era um show que ia ao ar de segunda a sábado, chegou a ocupar até 5 horas por dia na grade da emissora e conquistou um share de audiência que a Globo nunca mais alcançou nessa faixa.

40 anos depois da estreia do Xou da Xuxa

Passados 40 anos, a gente olha para a grade da Globo no mesmo horário e vê sempre a mesma coisa: jornal e revista eletrônica. Do outro lado, SBT e Record disputam quem faz o programa mais apelativo, cheio de gritaria e tragédia.

No fim das contas, todos saem perdendo: as emissoras, que veem seu público diminuir cada vez mais, e o próprio público que teima em ficar, que se sente obrigado a consumir uma programação sem qualidade, sem identidade e sem alma.

Hoje, TV aberta nem parece aquele veículo que já foi capaz de criar verdadeiros fenômenos culturais, como foi o Xou da Xuxa. O pior é que parece esqueceram como se faz isso. Lamento por uma nova geração que não teve a chance de vivenciar a alegria e a força popular que um dia existiram nas manhãs da Globo e do SBT.

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