Análise

"Dancing Brasil" consolida uma Xuxa madura na TV em 2018





Xuxa no comando do Dancing Brasil
Antonio Chahestian/Record TV

Publicado em 06/12/2018 às 00:27:33 ,
atualizado em 06/12/2018 às 00:33:20

Por: Sandro Nascimento

A televisão ganhou uma nova Xuxa Meneghel em 2018. Demorou, mas ela conseguiu achar o caminho para a transição de apresentadora infantil para adulto.

Ao longo do ano, a loira não teve receio de opinar, de se expor ou reclamar, algo inédito em sua trajetória, antes e pós-Globo. Ao menos para os telespectadores.

O fim da quarta temporada do "Dancing Brasil", com a vitória da dupla Pérola Faria e o bailarino Fernando Perrotti nesta quarta-feira (5), significa bem mais do que o encerramento de um programa, mas a consolidação de uma Xuxa mais madura e mulher no vídeo, se afastando da áurea do "Tindolêlê".

Porém, sua história na televisão será sempre lembrada por ter sido uma febre no segmento infantil do país, e também fora dele, entre os anos 80 e 90, ditando moda, comportamento e influenciando decisões de diretores sobre canalizar investimento na grade sobre produtos para criança.

Talvez essa demora na reinvenção de Xuxa aconteceu pelo fato de que, dentre todas as apresentadoras, ela foi a que mais teve êxito na época de ouro dos programas infantis. Sucesso que acabou lhe rendendo o título de rainha dos baixinhos.

Sem a blindagem da Globo, a exemplificação desta nova postura da apresentadora diante da gestão da sua carreira vem com as recentes declarações sobre seu passado.

Em entrevista à revista Caras Argentina, em setembro, Xuxa Meneghel falou abertamente, ou sem filtro, sobre sua relação coturbada com Marlene Mattos, sua ex-empresária e braço-direito durante 18 anos.

Na publicação, o público tomou conhecimento de que o rompimento da parceria de sucesso pode ter ocorrido por outros motivos, e não apenas por divergências na carreira artística.

E não parou por ai. Xuxa falou sobre sua polêmica participação no filme "Amor Estranho Amor" e os bizarros boatos em torno de um pacto com o diabo para o sucesso. A apresentadora citou tudo de forma natural, convincente, mas com o atraso de ao menos 20 anos. Esses fantasmas pareciam que rondavam sua carreira, que a partir de agora perdem relevância e ganham uma conotação burlesca.  Quando a ex-apresentadora do "Xou" trocou a Globo pela Record TV, em 2015, jogaram uma alta carga de responsabilidade em cima dela, algo que nunca teve na antiga emissora.

A Record TV disse para Xuxa que ela poderia fazer o que quisesse no canal. Mas era uma liberdade inédita. Na Globo ela só fazia o que era pré-determinado. Seria evidente que inúmeros erros poderiam acontecer neste novo ciclo, algo que de fato aconteceu. Mas na realidade, tudo pode ter ocorrido a favor e em defesa da carreira da Xuxa. O fracasso de antes, com a experiência de hoje fora da Globo, dificilmente iria acontecer.

Nesta quarta temporada do reality de dança da Record TV, finalmente a loira desabrochou. Teve uma performance superior às outras edições. Seu Ibope tem muita mais relação com uma fórmula já utilizada na TV pelo Faustão há anos, do que, de fato, sua presença à frente do programa.

Nunca antes foi vista a Xuxa de 2018 e o "Dancing Brasil" foi a virada de chave nessa transformação artística. A redoma de vidro foi quebrada.

Neste ano, finalmente a nave da Xuxa decolou sem a apresentadora, deixando uma nova artista na televisão que o público está ávido pra conhecer.

O "beijinho, beijinho e tchau, tchau" fica agora apenas em nossa memória.

O jornalista Sandro Nascimento assina colunas e reportagens exclusivas no NaTelinha. Também é correspondente da agência de notícias ZOOMINTV. Twitter: @SandroNascimm / E-mail: sandro@natelinha.com.br



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