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Crise leva programas a intervalos sem retorno e altera grades das emissoras

Acirramento do clima em Brasília deixa interrupções cada vez mais frequentes

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Foto: Divulgação
Redação NT

Publicado em 18/03/2016 às 21:00:14

A crise política se tornou a maior derrubadora de programas dos últimos tempos. Desde a condução coercitiva do ex-presidente Lula no começo do mês, diversas atrações vem sendo interrompidas ou tendo suas exibições canceladas para que sejam acompanhados os desdobramentos da operação Lava Jato e das reações que vêm sendo despertadas.  

No dia 4 de março, quando Lula foi levado pela Polícia Federal até o aeroporto de Congonhas para depor, o “Mais Você” foi interrompido para que um boletim mostrasse a entrevista coletiva dos investigadores sobre a 24ª fase da operação. O boletim se alongou, Ana Maria Braga não voltou para encerrar a receita de ovo de chocolate que mostrava e até o “Bem Estar” acabou sem ir ao ar. O “Encontro”, esse exibido, serviu basicamente para chamar links do jornalismo.  

A reprise da novela “Caminho das Índias” foi outra 'vitimada' no mesmo dia. Levada a um intervalo comercial forçado para exibição de discurso da presidente Dilma Rousseff, a trama não retornou do break. Logo após a fala presidencial, entrou o capítulo inédito de “Malhação”.

No domingo (13), a cobertura dos grandes protestos de rua em todo o país causou o cancelamento da “Temperatura Máxima”, que previa a exibição do filme “Eu Sou o Número Quatro”. Não foi uma medida inédita. Em 2013, nas manifestações ocorridas durante a Copa das Confederações, até um jogo do torneio (Espanha x Taiti) deixou de ir ao ar para a atenção ser completa aos movimentos populares.
 
Nesta quinta-feira (17), o “Encontro com Fátima Bernardes” não teve a mesma sorte da ocasião anterior e nem chegou a entrar no ar. Deu lugar a um grande boletim apresentado por Sandra Annenberg, que já havia interrompido o “Bem Estar”, para a transmissão da posse de Lula como ministro-chefe da Casa Civil, medida que ocasionou protestos contrários e favoráveis nas cercanias do Palácio do Planalto.

Com o andamento da comissão que definirá sobre o impeachment na Câmara dos Deputados e o acirramento dos ânimos entre manifestantes nas ruas, a tendência é que a exceção se torne cada vez mais regra nos próximos tempos.

Até mesmo os números demonstram que a novela da vida real pode desbancar os folhetins ficcionais. Na quarta (16), auge da crise até o momento com o vazamento dos grampos em telefonemas do ex-presidente com diversas autoridades, o “Jornal Nacional” atingiu 2 pontos a mais na audiência que as tramas que o ensanduicham.

Em diferentes escalas, todos os grandes canais abertos vem fazendo grandiosas coberturas dos acontecimentos, porém muitas vezes adaptando os flashes do jornalismo aos programas fixos.

No domingo de protestos, a Record exibiu seu Plantão como parte integrante do “Domingo Show” e da “Hora do Faro”, assim como o SBT acionou as intervenções de Carlos Nascimento dentro do programa “Eliana”. 

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