Memórias da Telinha

Apresentador do "JN" levou tombo no ar e quase perdeu emprego, revela ex-editor-chefe

Fausto Camunha contou histórias sobre o "Jornal Nacional"

“Jornal Nacional” completou 50 anos no último dia 1º
Por Naian Lucas

Publicado em 11/09/2019 às 10:59:00

Editor-chefe do "Jornal Nacional" em São Paulo entre 1971 e 1974, o jornalista Fausto Camunha contou em seu blog, "Gente que Fala", que o apresentador Lívio Carneiro (1936 - 2003), que apresentava as notícias ao vivo da capital paulista, quase perdeu o emprego na Globo por levar um tombo no ar após ser chamado de surpresa por Cid Moreira.

"Com o Lívio aconteceu um fato inusitado. O Jornal Nacional estava no ar e tínhamos duas entradas aqui de São Paulo. A primeira, antes do noticiário internacional. A segunda, depois. Houve a primeira entrada e, como estava muito calor, mesmo com o ar condicionado, o Lívio tirou o paletó e afrouxou o nó da gravata", relembrou Fausto, que atualmente  trabalha com assessoria de imprensa empresarial.

E completou: "De repente o Cid Moreira chama São Paulo de novo, pegando o Lívio desprevenido. Ele levantou vestindo o paletó e apertando a gravata, tudo ao mesmo tempo e correu para sentar na banqueta, de onde apresentava o jornal. Na correria, quando ele se sentou, a banqueta virou e o Lívio acabou levando um tremendo tombo. Quem assistia ao telejornal viu o apresentador só passando pela tela… Quase perdeu o emprego. Depois desse acontecimento saiu uma ordem geral para toda a rede: 'Durante a apresentação do telejornal fica proibido o apresentador levantar-se, seja qual for o motivo'”. 

O jornalista se recorda que no começo do "JN", os cinegrafistas usavam filme e, não raro, perdiam toda a reportagem porque o filme tinha “velado” (queimado).

"Isso aconteceu várias vezes e em muitas os repórteres tinham viajado 2 ou 3 dias, feito uma senhora cobertura e ia tudo por água abaixo. As entradas no 'Jornal Nacional', de São Paulo, eram ao vivo e no meu período, de três anos, passaram pelo 'JN' três apresentadores: Lívio Carneiro, Ferreira Martins e Sérgio Roberto", explica Fausto Camunha.

Padrão Globo de Qualidade

Na década de 60 e 70, o logotipo do telejornal da Globo era recortado em papelão e colado na tapadeira que ficava atrás dos apresentadores. Os profissionais ajeitavam o espaço todos os dias, causando preocupação com cada detalhe para não irritar Boni, diretor geral da época.

“Um dia, porque não foi bem colado ou por qualquer outro motivo, o logotipo caiu com o telejornal no ar. Isso, na Globo, era motivo de demissão do funcionário responsável. E ele foi demitido mesmo, sem direito de defesa, em nome da ‘qualidade Globo’. Às  vezes até exageravam nessa ‘qualidade’”. Os ternos, as camisas e as gravatas dos apresentadores eram escolhidas a dedo e tinham que estar sempre à altura das exigências globais, cujas regras eram sempre ditadas pelo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni", relembrou o jornalista.

Apesar de ter feito parte da história do “Jornal Nacional”, conforme noticiou Sandro Nascimento na sua coluna do último domingo (08), no NaTelinha, Fausto Camunha não recebeu convite para participar da festa de aniversário dos 50 anos do telejornal.

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