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Rivotril televisivo, "Espelho da Vida" é menos interessante que ver a grama crescer

Coluna analisa "Espelho da Vida", novela de Elizabeth Jhin

Alinne Moraes, João Vicente de Castro e Vitória Strada - Fotos: Divulgação/TV Globo
Por Thiago Forato

Publicado em 11/01/2019 às 12:04:06

Há quatro meses no ar, "Espelho da Vida" não disse a que veio. Apesar de ter um início promissor abordando vidas passadas e viagens no tempo, a novela de Elizabeth Jhin caiu no marasmo e não avança em acontecimentos.

Com uma velocidade de dar inveja a internet discada, a trama não evolui e anda em círculos. Seja pela história de amor entre Cris (Vitória Strada) e Alain (João Vicente de Castro) ou seus elementos sobrenaturais.

O grande chamariz é justamente Cris, que interpreta Julia Castelo numa vida passada, morta misteriosamente na cidade fictícia de Rosa Branca. É ali que ela se aprofunda na personagem e tentar conhecer o próprio passado através de um portal em um casarão.

Se uma coisa temos que convir é: ao contrário das novelas da Record TV que buscam a doutrinação religiosa, "Espelho da Vida" passa longe disso. Ainda que exista um suspense por trás do folhetim, seus acontecimentos já ultrapassaram o limite do desinteressante.

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Nem mesmo Isabel (Alinne Moraes), uma das grandes vilãs com um relacionamento conturbado com Alain (João Vicente de Castro), consegue mexer com a história a ponto de torná-la mais dinâmica. É um tormento sem fim.

No Ibope, a trama vem sofrendo para marcar 16 pontos na Grande São Paulo, um grande fiasco do horário, ainda que "Espelho da Vida" tenha passado pelas festividades de fim de ano e horário de verão. E detalhe: o Carnaval nem chegou.

Vale destacar, no entanto, a ausência de maniqueísmo nos seus protagonistas. Afinal, Alain já foi criticado por suas atitudes que não são lá dignas de mocinhos, mostrando agressividade e até machismo.

A lentidão desanima qualquer um a assistir. É preferível ver a grama crescer. Tem problemas de insônia? Basta ver "Espelho da Vida" que funciona como um Rivotril.

Os flashbacks e viagens no tempo já deram o que tinham que der. A novela funcionaria melhor como uma supersérie ou minissérie, nomenclaturas variáveis que a Globo usa para seu horário das 23h. Ou mesmo como uma série.

No formato de novela, definitivamente, "Espelho da Vida" não funcionou, ainda que tenha grande elenco. Ninguém é capaz de salvar um folhetim com uma história tão excessivamente lenta e desinteressante. Faltou dinamismo.

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