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Fim de programa

Pioneirismo e representatividade: Por que Ellen DeGeneres é um dos maiores nomes da TV

Ellen DeGeneres é uma das personalidades mais queridas pelos americanos

Ellen DeGeneres fazendo coraçãozinho
Ellen DeGeneres deixará de fazer talk-show em 2022 - Foto: Divulgação/NBC
Thiago Forato

Publicado em 15/05/2021 às 12:17:52

Ellen DeGeneres anunciou nesta semana que o seu programa chegará ao fim em 2022. Ela justificou dizendo que é uma pessoa criativa e precisa ser desafiada constantemente. "Não é mais um desafio", resumiu um ao The Hollywood Reporter. Um dos nomes mais respeitados e admirados na televisão dos Estados Unidos deixa um legado na história, mas por qual razão ela foi tão importante?

A apresentadora, segundo uma pesquisa publicada pela revista Variety em 2015, foi a artista que mais influenciou as atitudes do povo estadunidense sobre os direitos dos homossexuais do que qualquer outra celebridade. Para se ter uma ideia, o ex-presidente Barack Obama, que endossou o casamento sexual durante sua tentativa de reeleição em 2012, foi a segunda figura mais citada.

Os resultados foram calculados a partir de uma pesquisa nacional com dois mil adultos com idades entre 18 e 65 anos. A votação foi baseada numa combinação de estudos on-line e entrevistas individuais conduzidos pela Variety, que examinou o papel de Hollywood na luta pelos direitos dos homossexuais e seu impacto na decisão da Suprema Corte.

A história de Ellen DeGeneres

A artista de 63 anos de idade fez barulho pela primeira vez em 1997, quando saiu como gay na capa da revista Time e no The Oprah Winfrey Show. Neste caso, a arte imitou a vida, já que sua personagem na sitcom da ABC, Ellen, também havia assumido sua homossexualidade. A série, no entanto, foi cancelada devido a baixa audiência em 1998 e ela demorou para se reerguer, até que seu talk-show fosse lançado em 2003.

"Quem um dia pensou que teríamos lésbica vendendo produtos de maquiagem", disse Jessica Halem, comediante e ativista pelos direitos dos homossexuais à NPR (National Public Radio) em 2013. De fato, por muitos anos, era foi a única mulher abertamente gay desempenho este papel na TV, o que demonstrou coragem em tempos menos representativos.

Seu talk-show começou como um pequeno programa e se tornou fenômeno. Com o passar dos anos, se estabeleceu como o principal destino de superestrelas para contarem sobre suas vidas e se divertirem no palco.

Ao longo de sua carreira, colecionou prêmios. Foram 31 Emmy's (sendo 59 indicações), 20 People's Choice Awards, 2 Producer's Guild of America Awards, 9 Teen Choice Awards, dentre outros. Em 2016, também recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, por suas contribuições para a sociedade, cultura e indústria de TV e cinema.

Ellen DeGeneres e suas polêmicas

Apesar dos motivos que fizeram com que alcançasse sucesso, sua trajetória também tem polêmicas. Em julho de 2020, ex-funcionários de seu programa foram ao BuzzFeed News denunciar abusos profissionais nos bastidores. Depois disso, outras denúncias se tornaram públicas. Os trabalhadores entrevistados foram demitidos após tirarem licenças médicas ou para funerais familiares. Outra funcionária pediu demissão ao ser advertida por reclamar sobre ter sofrido racismo. Eles também alegaram que foram instruídos pelos respectivos chefes de setor a não falarem com a apresentadora nos corredores do estúdio.

Na última quinta-feira (13), falou sobre as acusações de ser tóxica em ambiente de trabalho por ex-funcionário de seu programa. "Se fosse esse o motivo da minha saída, eu não teria voltado este ano. Quase impactou o programa. Foi muito doloroso para mim. Mas se eu tivesse desistido do programa por causa disso, eu não teria voltado nesta temporada. Então não é por isso que eu estou parando", lembrou ela.

Ao Today, enfatizou que só soube dessa polêmica quando tudo já estava exposto nos noticiários. "Logo depois, eu li na imprensa que existia um espaço de trabalho tóxico, do qual eu não tinha ideia, e nunca vi nada que apontasse para isso. Eu não sei como poderia ter tomado conhecimento, quando há 255 funcionários e diferentes prédios. A menos que eu literalmente fique aqui até que a última pessoa vá para casa à noite. É o meu nome no programa, então claramente isso me afeta e eu tenho que ser a pessoa a levantar e dizer que isso não pode ser tolerado. Mas eu gostaria que alguém tivesse vindo até mim e dito: 'Oi, tem algo acontecendo que você deveria saber."

Devastada pela polêmica, estranhou que tudo isso pareceu orquestrado demais. "Eu sou muito fácil de conversar. Então, todos nós aprendemos com coisas que não percebemos - ou eu não percebi - que estavam acontecendo. Só quero que as pessoas confiem e saibam que sou quem pareço ser. Eu sei quem eu sou", pontuou.

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