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Adriana Araújo deixa a Record após 15 anos; Cabrini assume programa

Jornalista não teve contrato renovado

Adriana Araújo gesticulando
Adriana Araújo não faz mais parte do casting da Record - Reprodução
Redação NT

Publicado em 19/03/2021 às 12:16:25,
atualizado em 19/03/2021 às 12:50:23

A relação entre Adriana Araújo e Record chega ao fim nesta sexta-feira (19). A renovação de seu contrato já era visto como "muito improvável" no início do ano e de fato não irá acontecer. A profissional ancorou o principal jornal da casa, o JR, por 14 anos, mas deixou o posto em junho de 2020 depois que teceu críticas ao Governo Bolsonaro em sua rede social, sobre a transparência no combate ao novo coronavírus (Covid-19). O NaTelinha havia adiantado a notícia em janeiro.

Ao longo desses 15 anos, Adriana Araújo esteve presente em coberturas internacionais importantes, como as Olimpíadas 2012 e os jogos Pan-Americanos. A jornalista passou a integrar a equipe do Repórter Record Investigação em julho do ano passado, e agora, o jornalístico será ancorado por Roberto Cabrini.

A profissional começou na TV em 1995, fazendo reportagens para a Globo. Ela aparecia em telejornais como o Jornal Nacional, Jornal Hoje e Bom Dia Brasil. Também aparecia no Fantástico e o Globo Repórter. Em 2002, foi transferida para Brasília, cobrindo a política do país, sempre fazendo entrada ao vivo nos telejornais da casa, até que em 2006, recebeu uma proposta da Record e aceitou.

Procurada para comentar, a Record confirmou ao NaTelinha o desligamento de Adriana Araújo.

Adriana Araújo e o afastamento da Record em 2020

No dia 05 de junho do ano passado, Adriana Araújo fez duras críticas a Jair Bolsonaro sobre a transparência do governo no enfrentamento da Covid-19. "Estou passando aqui fora de hora porque, pelo segundo dia seguido, os dados da pandemia do coronavírus não saíram a tempo do jornal. Como esse é um dado relevante demais. É uma questão de saúde pública saber o que está acontecendo no Brasil agora é muito importante para todos nós. Estou passando aqui porque os dados saíram agora há pouco, depois de 10 da noite”, iniciou a jornalista, que destacou a morte de 1473 vidas perdidas que foram confirmadas nas últimas 24 horas, na época.

E continuou: "Esse é o melhor número que a gente tem para acompanhar o avanço da Covid-19 no Brasil. Infelizmente, deveria ser divulgado com mais agilidade, com mais transparência, mas no momento não é isso o que está acontecendo. Como funcionária da notícia, antes de tudo, eu me sinto na obrigação de vir até aqui pra dizer pra vocês que eu sei que está todo mundo cansado, todo mundo esgotado, querendo que isso passe logo, mas agora, saber a realidade da situação que a gente enfrenta, saber a gravidade da situação, é muito importante".

A publicação incomodou a diretoria da Record e chegou ao conhecimento Igreja Universal do Reino de Deus. Sua atitude foi interpretada como um afronto a estratégia institucional adotada pelo Grupo Record ao governo Bolsonaro. O partido Republicanos, antigo PRB, é ligada à Iurd e faz parte da base de apoio do governo no Congresso. Antes do desabafo na web, nos bastidores, Araújo vinha discordando sobre a branda linha editorial da emissora em relação ao Governo Federal. 13 dias após a publicação, ela foi afastada do Jornal da Record, onde era âncora há 14 anos, e substituída pela jornalista Christina Lemos. 

Em entrevista ao UOL, em 23 de junho de 2020, a jornalista negou climão dentro do canal e se mostrou entusiasmada com novo projeto jornalístico na Record, o Repórter Record Investigação. "Jornalismo é debate, discussão sobre a abordagem de cada pauta, é natural que surjam divergências; não se concorda com tudo sempre. Mas a Record compreendeu plenamente meu desejo de buscar outros caminhos e me ofereceu a oportunidade de trabalhar com uma das equipes mais premiadas da TV brasileira que é a equipe do 'Repórter Record Investigação'. É uma honra e uma grande responsabilidade. Vou me dedicar ao máximo", disse.

Confira o desabafo de Adriana Araújo sobre o governo de Bolsonaro:

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