Natália Leite define o novo "Superpoderosas", da Band: "Diferente e complementar ao que já existe"

Atração chega com proposta diferenciada

Divulgação/Band

Publicado em 08/04/2018 às 09:43:26

Por: João Gabriel Batista

A Band estreia nesta segunda-feira (09), a partir das 9h50, seu novo programa matinal, o “Superpoderosas”, ancorado por Natália Leite e idealizado por ela ao lado de Ana Paula Padrão.

A novidade vai além da chegada de um novo produto à grade da emissora, afinal de contas a própria Band estreou recentemente o “Melhor da Tarde”, também voltado para o público feminino, cujo segmento é trabalhado por diversas outras emissoras, como Gazeta, RedeTV!, Record TV e Globo. “É um programa complementar ao que já existe”, resume Natália em um bate-papo exclusivo com o NaTelinha.

O “Superpoderosas” chega com uma proposta diferenciada, que nasceu na internet (pelo projeto “Escola de Você”, uma plataforma voltada para autoconhecimento, empoderamento e empreendedorismo da mulher) e está migrando para a TV – enquanto o caminho tradicional é exatamente o oposto. “Existe na internet há quatro anos e foi criado por mim e pela Ana Paula Padrão, juntas. E na TV a gente também está junta!”, conta a apresentadora.

Além disso, a atração apostará bastante na convergência com outras plataformas, como a interação pelas redes sociais através de smartphones ou de outros dispositivos. Um outro diferencial da atração será um enfoque regional à mulher fora de São Paulo, cidade que, por questões operacionais, costuma ser a mais trabalhada pelos programas do gênero já existentes.

A parceria entre Natália Leite e Ana Paula Padrão começou na Record TV, antiga emissora das duas jornalistas. Natália era repórter e Ana Paula âncora do “Jornal da Record”. “A gente se aproximou mais por conta dessa temática casualmente na redação. A gente rapidamente identificou que tinha esse interesse em comum e ali começamos a conversar mais sobre esse isso. Disso para uma amizade, para inúmeras conversas filosóficas sobre como vamos resolver o problema das mulheres, de que modo a gente pode contribuir para esse propósito que é importante para as duas, foi uma questão de tempo”, detalha.

Na entrevista detalhada a seguir, Natália Leite também falou um pouco da primeira polêmica envolvendo o programa – antes mesmo de sua estreia. Um colunista publicou uma foto com parte da equipe da atração e destacou que a maioria eram homens. “Puramente um erro. Dizer que Superpoderosas é um programa feminino produzido por homens é uma afirmação equivocada”, defendeu-se.

Confira a entrevista:

Qual foi o ponto de partida do "Superpoderosas"? A partir de quais premissas o programa foi formatado?

Natália Leite - O "Superpoderosas" nasce de um projeto que já existe na internet há quatro anos e esse projeto, por sua vez, nasceu porque a gente acreditava que falta na educação formal das pessoas e das mulheres, em especial, alguns pontos importantes. E o que a gente queria quando a gente criou a “Escola de Você” era fazer com que as mulheres se coloquem mais, façam suas vozes serem ouvidas, façam a sua presença contar e gostem mais da própria vida. Para você gostar mais de quem você é, você, necessariamente, precisa olhar mais para si.

E aí a gente desenvolveu um método de construção da autoestima, de ajudar essa mulher a aprender coisas que não ensinam para ela na escola, coisas do tipo: medo você vai ter mesmo, mas você encara o medo e é assim que você cresce. E o que a gente construiu, e vem fazendo há quatro anos na internet, foi um método. Não é mágica, não é capa voadora. É método, conhecimento e pesquisa para entregar essas habilidades, para entregar essas características que muitas vezes faltam na nossa educação pelo fato de termos nascido meninas.

Qual é a influência da Ana Paula Padrão, que segue no "MasterChef", no "Superpoderosas"?

Natália Leite - O "Superpoderosas" é um formato que vem da “Escola de Você”, que já existe na internet, que foi criada por mim e pela Ana Paula juntas. Então, assim como na plataforma digital, na TV a gente também está junta. Claro que por conta do “MasterChef”, que a Ana Paula segue fazendo, e por conta das muitas outras coisas que ela faz, ela não vai poder estar no estúdio junto comigo todos os dias, mas ela estará no programa, gravada, ou pelo celular, ela estará no programa sim. A gente é sócia, parceira e, mais importante do que isso, somos amigas.

Você trabalhou com Ana Paula Padrão na Record TV. Como era sua relação com ela? E, posteriormente, como se deu sua saída da emissora?

Natália Leite - Quando eu cheguei na Record, minha relação com a Ana Paula era de respeito e admiração, como qualquer outra jornalista mais nova, nascida em Brasília, tem com ela. A gente se aproximou mais por conta dessa temática casualmente na redação. Disso para uma amizade, para inúmeras conversas filosóficas sobre como vamos resolver o problema das mulheres, de que modo a gente pode contribuir para esse propósito que é importante para as duas, foi uma questão de tempo.

Eu saí da emissora justamente porque a “Escola de Você” já existia e estava faltando horas no meu dia, então eu precisava escolher: ou eu vou investir, me dedicar a carreira de repórter e a “Escola de Você” será sempre um pequeno negócio querido, um negócio social, um negócio bonitinho, mas que tem o que sobra da minha energia, ou abrir mão de um salário que era legal, uma condição que era bacana.

Eu era uma repórter importante no "Jornal da Record", viajava muito, fazia grandes coberturas e chegou em um momento em que a Ana, que além de sócia, sempre foi amiga, me falou: “essa é uma decisão que só você pode tomar, eu não posso tomar por você”. Eu pedi primeiro uma licença não remunerada para me concentrar na “Escola de Você”, estiquei essa licença até quando deu - menina que sou, estava com medinho de largar a segurança de um salário bom. Investi muito nesse negócio: dinheiro, tempo, vida, suor, sonho e, quando acabou essa licença não remunerada, eu não tinha o que fazer: pedi demissão. Dediquei-me só à “Escola” e a um outro negócio que criei e estamos aqui.

O Brasil é um país com uma cultura de programas femininos muito forte e de tradição, como o "Mais Você", com mais de 20 anos, e "Mulheres", com mais de 30. Qual é o diferencial do "Superpoderosas" para fugir do que os concorrentes já fazem há tanto tempo e até mesmo dos programas da casa, como o recém lançado "Melhor da Tarde"?

Natália Leite - O "Superpoderosas" é um programa complementar ao que já existe. Ele é definitivamente diferente e definitivamente complementar. Os programas que a gente está acostumado a chamar de femininos, os clássicos femininos, estão mais focados em aspectos da vida da mulher que sempre foram muito importantes e continuam sendo importantes. O "Superpoderosas" vem com um enfoque de preocupação no pedaço da vida feminina que cobre as funções que a gente foi acumulando e que antes nem eram funções.

Então, a gente está muito preocupado com carreira, em como administrar essas funções que a gente foi acumulando sem abrir mão de nenhuma das outras. A primeira coisa que eu falei para a Cátia Fonseca, quando a conheci aqui, foi “sou sua fã”, e é verdade. Ela tem 22 mil horas ao vivo na televisão, tem que bater palma, é uma diva.

Durante algum tempo, as emissoras de TV deixaram de vender seus programas como femininos e passaram a empacotá-los como revistas eletrônicas, com jornalismo e entretenimento, ainda que as mulheres seguissem sendo como maior fatia da audiência. O "Superpoderosas" é um clássico programa feminino ou se encaixa no conceito de revista?


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Natália Leite - É um programa feminino, sem dúvida, mas não um clássico feminino porque o que a gente pode chamar de clássico é o que vem sendo feito há muitos anos: culinária, artesanato, etc. Nesse sentido, não é um clássico feminino. O "Superpoderosas" foi criado para prestar serviço a essa mulher do nosso tempo que, além de todos esses interesses, acabou desenvolvendo interesses novos e que precisa sim de ajuda para construir redes para que a gente possa ir mais longe. Nesse sentido é sim feminino. Eu até acho que os homens que assistirem ao programa irão se beneficiar porque, no fundo, no fundo, as questões são questões humanas. Então é um feminino, mas não um clássico feminino.

Quais são os principais quadros do programa? Como eles vão se desdobrar ao longo do dia-dia?

Natália Leite - A superpoderosa que está em casa - porque as Superpoderosas são as que assistem - é quem faz o programa. As superaliadas são as que estão do lado de cá, na tela. A partir das 11h, quando a gente encerrar nossa primeira edição, ela começa a construir a edição seguinte, mandando opinião sobre o assunto do dia, mandando sua dúvida, sua pergunta, dizendo que quer participar de algum quadro específico... Então, a conexão entre internet e TV é um pilar muito importante do programa.

Os quadros todos são pensados para prestar serviço. Claro, é entretenimento, é artístico, mas, no coração, se você tirar a embalagem, o que a gente está fazendo é prestando a consultoria que essa mulher possivelmente não teria condição de pagar. A gente está trazendo essas especialistas, que nos seus escritórios fazem isso comercialmente, para fazer essa consultoria para as nossas personagens com uma preocupação muito clara. Vamos construir isso de modo que seja útil para quem está sendo atendido, de modo pedagógico e didático para quem assiste, para que possa se beneficiar também.


As chamadas "SuperAliadas" do programa

Salvo exceções, os programas de TV costumam ter enfoque para matérias feitas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Como o "Superpoderosas" pretende trabalhar as outras regiões do Brasil?

Natália Leite - A gente tem enormes pretensões nesse sentido. Eu não sou de São Paulo. Nasci em Brasília, sou filha de pais cearenses. Meu interesse todo na temática feminina se deu por conta de uma avó retirante que teve uma vida muito difícil. A gente quer a diversidade na raiz, como a água que tudo permeia, e vamos trabalhar muito para isso. Existe um monte de limitação técnica, econômica, para que a gente de verdade mostre o Brasil, mas estamos aqui para encontrar soluções para as dificuldades.

Com essa flexibilidade da internet, em um programa que nasce na rede, então pode ser que a imagem não esteja na melhor resolução porque o 3G da moça não tá legal. Partindo de que isso tá tudo bem, a gente vai sim mostrar o Brasil. É importante a experiência da internet no projeto que deu origem ao "Superpoderosas". A Escola de Você está em 2.992 municípios, então já temos uma capilaridade muito grande que a gente quer honrar, privilegiar e aumentar.

A faixa das manhãs tem produtos consolidados, como o "Mais Você", "Hoje em Dia" e "Encontro". Vocês trabalham com uma meta de audiência?

Natália Leite - Não. A gente trabalha com a nossa lógica de “abaixa a cabeça, trabalha, faz o seu com propósito e o que não está no nosso controle, não está no controle”. O que a gente tem certeza é que está fazendo um trabalho com alma, com sentido, com propósito, com carinho e com muita intenção de ser útil para a vida das pessoas. Vai virar audiência? Tomara, peço a todos os anjos que sim, mas nem ousaria ter uma meta em número.

Na TV, cada vez se fala mais do conceito de segunda tela e da interação com as redes sociais - algo que os concorrentes não exploram com tanta intensidade. Como o "Superpoderosas" vai trabalhar nessa frente?

Natália Leite - A gente entende que as pessoas estão conectadas a seu modo. Tem gente que é muito ligada na TV, tem gente que é muito ligada no celular, tem gente que assiste TV pela internet, ou seja, a regra é que não tem mais regra e que a única certeza é a mudança rápida. Então, o Superpoderosas nasce dessa premissa de que tudo vai mudar e a gente quer estar flexível o suficiente para que a medida em que as coisas mudarem, a gente se adapte.

O programa nasce na internet e termina na TV. A gente está tentando de alguma forma integrar os dois meios. Se você for pensar cronologicamente, a TV é até a segunda tela, começa na primeira tela, do seu smartphone, na palma da sua mão e termina na segunda tela, na TV que você vai ver na manhã seguinte. Como vai ser? Vamos descobrir fazendo. Não é um formato que já existe e que a gente comprou. Estamos criando do zero. O que é lindo, super emocionante e absurdamente desafiador. Então a gente só vai saber como vai funcionar na prática. Estamos sendo muito corajosos e pioneiros. A gente não está utilizando a internet timidamente, acessoriamente, estamos fazendo o que já é realidade na vida das pessoas. As coisas estão integradas.

Recentemente, surgiu uma foto na internet com a equipe do "Superpoderosas" e foi destacado que a maioria dos profissionais eram homens. Qual foi a sua leitura do fato levantado e da repercussão gerada?

Natália Leite - A minha leitura é que a gente vive em um tempo de informação rápida, de superficialidade e de muito menos compromisso com a informação do que quando eu aprendi a ser jornalista. Aquela foto, por exemplo, é uma foto de parte do time, muito da parte técnica. Nessa área, é muito difícil encontrar mulheres editoras de imagem, por exemplo. Se você for olhar os números, a nossa equipe é mais feminina do que masculina - temos mais mulheres do que homens no time. Então, a publicação daquela foto nesse contexto é puramente um erro. Dizer que Superpoderosas é um programa feminino produzido por homens é uma afirmação equivocada. A gente tem mais mulheres do que homens.

Naquela foto tinham mais homens? Tinham, mas a informação correta não é essa. Aí, é um problema de apuração, compromisso. Não quero julgar o colega que fez a nota, isso é uma característica desse tempo e é um enorme desafio você ser gente e ser equilibrado nesse turbilhão. Vai vir coisa errada, vai vir crítica, vai vir coisa que não é bem assim? Vai, e a gente vai lidar com isso à medida que for acontecendo. Se tiver coisa que a gente de verdade errou a gente vai tentar consertar, com certeza a gente não tem todas as respostas para tudo, mas nesse caso, especificamente, obrigada pela oportunidade de esclarecer. É uma informação errada, pura e simples.

A Band começou o ano com muitas estreias - além do "Superpoderosas", vieram Amaury Jr, Cátia Fonseca e ainda há os novos programas de Datena e Milton Neves aos domingos. Como tem sido trabalhar na emissora neste período de novidades?

Natália Leite - É um momento delicioso para estar aqui. Todo esse movimento - é um passa para lá com cenário, vem para cá com iluminação, outra carregando três figurinos. É um momento pulsante, vibrante, vivo, e isso é maravilho. É lindo ver o que acontece quando a gente dá espaço para as pessoas trabalharem. E eu acho que vai dar tudo muito certo. A Band é uma emissora que já tem a tradição em jornalismo, esporte, e está se propondo a ampliar isso de um jeito muito consistente.

Da minha perspectiva, olha como essa emissora é corajosa. Eles poderiam ter trazido qualquer pessoa, não é que é uma proposta difícil de você emplacar, de você conseguir alguém para apresentar um programa diário em rede nacional. Não é uma proposta difícil de você ter candidatos e, no entanto, eles apostam em alguém que não é um produto de TV, mas que tem uma história de verdade construída nesse sentido. Então, acho que a Band está vivendo um momento muito bonito e me sinto feliz e honrada de fazer parte disso.



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