Há 20 anos, SBT lançava "Fantasia"; apresentadoras relembram programa

Na estreia, atração causou pane no sistema telefônico. Valéria Balbi e Jackeline Petkovic recordam a época

Formação original do "Fantasia" em dezembro de 1997 (Créditos: Divulgação/SBT)

Publicado em 01/12/2017 às 06:30:00 ,
atualizado em 04/12/2017 às 09:58:06

Por: Diogo Cavalcante

Há exatos 20 anos, na tarde de 1º de dezembro de 1997, o SBT lançava o “Fantasia”. Com apresentação de Adriana Colin, Débora Rodrigues, Jackeline Petkovic e Valéria Balbi, o programa era composto de jogos interativos em que o público era convidado a participar por telefone, intercalado com cantorias das mais de 50 dançarinas/assistentes dos games.

Apesar da simplicidade, marcou toda uma geração de telespectadores e entrou para a história da televisão. A reportagem do NaTelinha foi atrás de Jackeline e Valéria, que contaram suas experiências com o programa.

Exibido das 16h31 às 18h33, o “Fantasia” em sua estreia rendeu 12 pontos de média, 21% de share e 2 milhões de linhas congestionadas na Grande São Paulo. Nem o SBT e nem a Telesp - então operadora responsável pelos telefones paulistas - esperavam que o sistema telefônico ficasse sobrecarregado, tamanha a quantidade de ligações.

Ouça a abertura do programa "Fantasia" 

“A gente teve esse problema (com os telefones) mais de uma vez. Tinha que pedir para as pessoas pararem de ligar. A gente derrubou toda a telefonia. Um sinal de sucesso, né?”, contou Jackeline Petkovic. Na época, Jacky, como ficou conhecida posteriormente, tinha 16 anos.

Nos primeiros dias, o “Fantasia” contava com ligações gratuitas, através do sistema 0800. A partir de 22 de dezembro, passou a aderir ao polêmico 0900, cadastrando previamente os interessados em participar dos games.

 Testes

O formato do programa era mantido em sigilo por Silvio Santos. Apresentadoras e dançarinas só souberam do que se tratava perto da estreia. “Eu estava fazendo dublagem de documentários e desenhos educativos quando soube dos testes. Nem sabia como ia ser o programa”, disse Valéria Balbi. Antes de ir para o SBT, Valéria apresentava o jornal “Acontece”, na Band. “Ficamos ensaiando dia e noite direto por pelo menos um mês antes do programa tomar a forma definitiva e ir ao ar”, relembrou.

Jackeline originalmente não esperava entrar no programa, tinha outros planos. “Na época (1997) eu estava querendo ir morar fora do Brasil. Eu ia para a Austrália terminar o ensino médio e estudar agronomia. Eu já era modelo e tinha avisado à agência que ia me desligar. Só que todo mundo estava indo fazer teste para um programa novo do SBT e eu fui, mas sem levar muito a sério porque estava indo embora”, confessou.

Originalmente, Jacky seria dançarina. Mas o diretor, Paulo Santoro, gostou tanto da desenvoltura da menina que a chamou para fazer teste de apresentadora. “Lembro que tinha gente conhecida, gente grande, como Adriane Galisteu, algumas paquitas. Eu era a única desconhecida. E não esperava que fosse ser selecionada. Sou muito grata ao Sílvio e ao SBT pela chance”, disse.

Diversão e micos

Valéria Balbi não esquece do clima do programa. “Era ao vivo, cheio de meninas queridas, o astral era ótimo. Aprendi muito com essa oportunidade de falar ao vivo de improviso”, comentou. Jackeline endossa o ponto de vista. “Era muito gostoso, muito bom. Tanto que até hoje é comentado, as pessoas na rua pedem para voltar. Lembro que a gente recebia presentes, cartas quilométricas de fãs. Até coisas absurdas como certidão de casamento chegava”, rememora.

E, claro, se tratando de um programa ao vivo, natural acontecer os famosos “micos”. “O pessoal que atendia os telefonemas tinha a incumbência de selecioná-los, para que chegassem até nós apenas aquelas as que tinham condições de participar da brincadeira. E não é que aconteceu de recebermos ligações de pessoas que não estavam recebendo nosso sinal, não estavam vendo o programa, portanto sem condições de participar? Até hoje não entendi como acontecia, mas pegava a gente desprevenida”, lembrou Valéria.


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A ex-apresentadora pondera que é parte do aprendizado. “Só com prática a gente ganha jogo de cintura para lidar com situações inesperadas. Para quem vê de fora parece ser bem mais fácil do que é. Maturidade, sabedoria, vivência, experiência formam a chave para passar pelos micos com elegância. E para dar risada deles, junto com todo mundo”, concluiu.

Jackeline relembra de uma escorregada que a deixou tensa. “Uma vez tinha um produtor que estava segurando a dália (plaquinhas improvisadas com falas ou orientações) de cabeça para baixo e olhando para o teto. Eu tentei pedir para ele desvirar a dália. Aí  o diretor avisou que ia entrar no ar e eu soltei um ‘caralho’ no ar. O diretor me deu sermão pelo ponto eletrônico e eu pensei ‘me dei mal’. Depois, o (Orlando) Macrini (supervisor do programa) veio questionar se eu tinha falado palavrão. Eu disse que tinha dito ‘cara, olha’ e expliquei a história da dália e consegui sair da situação”, relembrou aos risos.

Jacky ainda recorda de outras situações. “Teve um dia que a Débora (Rodrigues) caiu da escada e desapareceu no meio das meninas. Outra vez que a Valéria, para um telespectador que participava do jogo ‘Na Boca do Forno’, soltou ‘você queimou sua rosca’ e todo mundo ficou rindo. Se tivesse internet na época, meu Deus", contou.

Saídas

Em março de 1998, Valéria pediu para sair da apresentação. “Foi muito bom ter feito parte do comecinho do 'Fantasia'. Mas saí do programa porque meu sonho era ser documentarista. Depois de uma conversa com o próprio Silvio Santos, ele disse que reconhecia meu profissionalismo, minha postura, meu comprometimento com a casa e me deu a oportunidade de voltar ao jornalismo”, contou. Em contrapartida, ela mesma treinou suas substitutas - Amanda Françozo e Tânia Mara, até então dançarinas.

Mesmo em outro setor, Valéria não se distanciou: “Nossos estúdios eram vizinhos, sempre que dava a gente se via. E nossos camarins eram os mesmos, então, nos bastidores, continuamos em contato”.

Jackeline saiu do programa para se tornar apresentadora do “Bom Dia & Cia”. “Foi o Silvio quem me transferiu. E com minha entrada, passou a ter os personagens Gugui e Michele, por exemplo”, disse.

Valéria Balbi e Jackeline Petkovic atualmente (Reprodução/Facebook) 

Hoje, Valéria, Jackeline e as outras apresentadoras e dançarinas ainda mantêm contato. “Principalmente através do nosso grupo no WhatsApp. Continuamos torcendo e vibrando umas pelas outras”, contou Valéria, hoje envolvida em um projeto voltado à sustentabilidade. Jacky também está com um projeto para 2018. No entanto, as duas ainda não podem revelar detalhes sobre.

Legado

O “Fantasia” lançou inúmeras personalidades. Fizeram parte do corpo de dançarinas figuras como as atrizes Lívia Andrade, Fernanda Vasconcellos, Viviane Porto, Ellen Rocche e a jornalista Izabella Camargo, atual apresentadora do tempo da Globo.

Durante palestra realizada em uma faculdade paulistana em 2015, Izabella relembrou aqueles tempos. “Eu com 16 anos fui aprovada e participei. Na época, o crítico musical Arnaldo Saccomani fez um teste com as meninas para gravar um CD do ‘Fantasia’. Depois do teste, ele sugeriu que eu fizesse rádio, dizendo que eu me comunicava bem. E eu cheguei até o Senac onde fiz curso e comecei a trabalhar na 97 FM”, relembrou.

A primeira fase do “Fantasia” acabou em agosto de 1998. O formato seria resgatado em outras três oportunidades, sem o mesmo sucesso. Entre 1998 e 1999, sob o comando de Carla Perez nas tardes de domingo; Em 2000, nas tardes de sábado; e entre 2007 e 2008 nas madrugadas.



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