Tendência

Dividir assinatura da Netflix e Amazon vira negócio lucrativo

Site de compartilhamento de serviços por streaming espera alcançar 150 mil clientes até o final de 2020

Dividir assinatura da Netflix e Amazon vira negócio lucrativo
Consumidor compartilha senhas de serviços por streaming - Ilustração

Publicado em 12/08/2019 às 05:41:57 ,
atualizado em 12/08/2019 às 08:53:32

Por: Thiago Forato

Prática comum entre os consumidores de streaming, compartilhar assinatura virou negócio para Frederico Faleiro e Filipe Prado, fundadores do Kotas.

Os sócios descrevem o site como um facilitador para quem divide assinatura de serviços. "Através do site você cria um grupo de assinatura e nós fazemos a parte da cobrança e repasse dos pagamentos aos envolvidos. Nosso trabalho contempla a parte financeira da coisa, não detemos assinaturas, cabendo ao dono do grupo (quem chamamos de Administrador) fazer a gestação dos serviços e contas que eles propõe no site", diz eles em entrevista ao NaTelinha.

A ideia nasceu de quando os dois viviam em uma república, e assim como dividiam as contas mais costumeiras como aluguel, condomínio e internet, também dividiam as assinaturas de serviços como Netflix e Spotify.

O grande problema, segundo eles, era na hora de receber esse dinheiro. "Cada um pagava um serviço e os valores sempre ficavam fracionados. Um queria pagar em dinheiro, o outro queria abater do valor que ficou faltando no mês anterior e transferir o restante. Fazer o controle de quem estava devendo e, atualizar planilhar, efetuar transferências em uma época que o TED era caro, foi um trabalho que ninguém queria fazer".

Frederico e Filipe perceberam, portanto, que o problema era comum e decidiram transformar isso em produto. "Desde 2016 já evoluímos muito, adicionando muitas funcionalidades, e o mais importante, acrescentamos mais gente boa do nosso lado. O Nikolas Magno chegou pra compor o time cuidando da parte de tecnologia e hoje também é sócio", afirmam.

Com mais de 40 mil de clientes, os sócios esperam chegar até os 150 mil no final de 2020.

Público-alvo

Segundo os sócios, o público-alvo do serviço são as pessoas que moram em repúblicas estudantis, de amigos, familiares e colegas de trabalho, visando a comodidade e segurança.

No início do ano, um estudo realizado pelo site CordCurtin.com indicou que a Netflix tem um prejuízo na ordem de R$ 725 milhões por mês com a prática de compartilhamento nos Estados Unidos. Em um ano, esses valores superam os R$ 8 bilhões.

Apesar disso, a empresa não pretende fazer nada para coibir. Os sócios do Kotas ressaltam que sua atividade não é ilegal: "De maneira nenhuma! Existem os planos família justamente para que mais pessoas usem ao mesmo tempo. Em nenhum lugar é dito que somente uma pessoa deve pagar pelo serviço".

"É tendência do mercado economizar através do compartilhamento em grupo. As empresas mais modernas já perceberam isso e criaram logo o conceito do plano família. As demais empresas precisam se adequar o quanto antes e fornecer opções semelhantes para conseguir sobreviver em um mercado competitivo", justificam.

Os sócios concordam que os serviços poderiam criar mecanismos para que o recurso de compartilhamento fosse limitado ou até impedido. "Criam-se planos família com um ticket maior para que ainda mais pessoas usem a mesma conta. Criam-se perfis para que as contas sejam individuais e não interfiram uma na outra. Acreditamos que sabemos o motivo", analisa.

Caminho sem volta

A comodidade de se compartilhar também é um método mais cômodo e seguro de se manter longe da pirataria. É isso que eles vêm percebendo no site.

"Compartilhar traz conversão e retenção. Aos que acreditam que por assinar um plano família e compartilhar no Kotas o assinante está deixando de pagar uma conta sozinho causando prejuízo à empresa dizemos que é justamente o contrário. A assinatura muitas vezes só acontece quando as pessoas se unem para pagar um plano conjunto que individualmente não teriam condição de fazê-lo. A solução mais barata para ter acesso a essa infinidade de serviços e conteúdos ainda continua sendo a pirataria, e ficamos muito felizes por saber que estamos tirando muita gente de lá".


publicidade

LEIA TAMBÉM

publicidade

COMENTÁRIOS

Para comentar na página você deve estar logado com seu perfil no Facebook. Este espaço visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos, de propaganda e que firam a ética e a moral podem ser deletados. Participe!