Será que rico gosta de magreza e gente simples, de “cheinha”, como disse Maya Massafera?
Magreza extrema é sinônimo de saúde? Médico explica

Publicado em 25/02/2025 às 13:39
A declaração recente de Maya Massafera sobre sua magreza gerou grande repercussão e muita polêmica nas redes sociais. Segundo a influenciadora, no meio da high society, ela não é considerada abaixo do peso, mas sim “super bem e super saudável”. Mas existe um sério alerta médico por trás dessas declarações de Maya Massafera.
A influenciadora disse na sua rede social que: “Gente rica ou francesa, ou que entende muito de moda, é apaixonada por magreza. Então assim, eu não estou nada magra para eles ou para brasileiros da elite. Agora, gente mais simples vai me achar magra. É normal, gente, desde que história é história”
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A influencer, também citou sua avó, que segundo ela é “mais simples” e por isso gosta de “gente mais cheinha”.
“Minha avó é mais simples, e ela fala: ‘May, engorda um pouco, parece que está passando fome’. Então, gente mais simples gosta de gente mais cheinha. Elite, moda, gosta de gente mais magra. Cada um tem um gosto”, complementou.
A visão médica sobre essa questão é bem diferente. O Dr. Neto Borghi (foto/abaixo), nutrólogo e especialista em emagrecimento da Clínica Soul Nutro, explica que não é bem assim que funciona.
Quando o magro já não é saudável
O discurso de que uma magreza extrema pode ser considerada saudável não é respaldado pela ciência. O corpo precisa de reservas energéticas para responder a infecções, produzir hormônios e manter funções essenciais. Uma pessoa muito abaixo do peso não tem essas reservas e está mais vulnerável a uma série de complicações.
Além disso, esse tipo de narrativa pode reforçar padrões estéticos irreais e prejudiciais, levando muitas pessoas a normalizarem hábitos pouco saudáveis para atingir um corpo extremamente magro.
A saúde vai muito além da estética. Ser magro não significa estar saudável, assim como estar acima do peso não significa necessariamente estar doente. O equilíbrio nutricional e metabólico é o que define um corpo funcional e saudável, explica Dr. Neto Borghi.
Com 1,71m e 47kg, Maya tem um Índice de Massa Corporal (IMC) de 16,1, o que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), configura desnutrição moderada a grave. Essa condição não se trata apenas de uma questão estética, mas sim de um risco real para a saúde.
O que é desnutrição e como ela afeta o corpo?
A desnutrição ocorre quando o corpo não recebe nutrientes suficientes para manter suas funções essenciais. Isso pode acontecer por ingestão inadequada de calorias e proteínas ou por doenças que levam à má absorção de nutrientes.
No caso de um IMC abaixo de 18,5, já consideramos baixo peso, e valores abaixo de 17,5 indicam desnutrição severa. Nessas condições, o organismo começa a sofrer impactos diretos, afetando músculos, ossos, imunidade, metabolismo e até mesmo o coração, explica, Dr Neto Borghi. E isso não é achismo ou palpite, é matemática, é medicina falando.
Os principais riscos da desnutrição severa
- Imunidade comprometida: A falta de nutrientes essenciais reduz a produção de células de defesa, tornando o corpo mais suscetível a infecções oportunistas, que podem evoluir para quadros graves.
- Perda de massa muscular: Com um consumo calórico abaixo do necessário, o organismo começa a usar os músculos como fonte de energia. Isso leva à fadiga extrema, fraqueza, dificuldades para atividades diárias e risco de sarcopenia (perda severa de massa muscular).
- Disfunções hormonais: O corpo entra em um estado de economia de energia, impactando a produção hormonal. Mulheres podem parar de menstruar (amenorreia), enfrentar infertilidade e alterações na tireoide, além de um aumento do risco de osteoporose.
- Danos cardíacos: O coração também é um músculo e sofre com a falta de nutrientes. Pessoas com baixo peso severo têm maior risco de arritmias, pressão baixa e até insuficiência cardíaca.
- Fragilidade óssea: A absorção deficiente de cálcio e vitamina D prejudica a saúde dos ossos, aumentando significativamente o risco de osteoporose e fraturas.
“No mundo da moda, a gente gosta de mulher muito magra. É gosto. Tem gente que gosta de mulher mais sarada, de mulher gorda. Eu acho mais bonito mulher magra. A modelo Kate Moss falou: ‘Não tem sensação melhor do que sentir-se magra’. Você tendo saúde e se cuidando, é do jeito que você gosta”, disse Massafera.
“A declaração de Maya Massafera levanta um debate importante sobre a diferença entre magreza e saúde e sobre os riscos de romantizar padrões corporais que podem trazer graves”, finaliza o nutrólogo.