Atuação da Semana: Flávia Alessandra mostra maturidade e memória artística
Flávia Alessandra foi muito bem na reta final de Êta Mundo Melhor
Publicado em 15/03/2026 às 13:00
Repetir um personagem é tarefa que os artistas brasileiros não são acostumados. Por isso mesmo, retomar um papel dez anos depois é uma tarefa difícil, principalmente para recuperar toda a construção que já havia sido abandonada há tempos. Por isso é que Flávia Alessandra precisa er comemorada e coroada por seu triunfal retorno como Sandra em Êta Mundo Melhor.
Num modelo cada vez mais comum, em que personagens são resgatados, como em No Rancho Fundo (2024), que Débora Bloch reviveu sua icônica vilã Deodora, que já havia interpretado em Mar do Sertão (2022). A novidade de continuação ficou tão evidente que até Avenida Brasil (2012), maior sucesso do século XXI, vai continuar, com direito ao retorno de Carminha (Adriana Esteves).
Em meio a isso, Êta Mundo Melhor mostrou o que muita gente gostaria de saber: o futuro de personagens queridos de Êta Mundo Bom (2016), inclusive a própria Sandra. Embora a personagem tenha aparecido no início e ficado um bom tempo sumida, sua volta triunfal dinamizou a estrutura da narrativa e tudo passou a girar em torno dela. Muito disso pela maturidade e memória artística de sua intérprete.
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Flávia Alessandra viveu uma armadilha dez anos atrás. Ao aceitar o papel de Sandra, ela teve de driblar armadilhas, já que a vilã era muito parecida com seu mais importante trabalho, Cristina, em Alma Gêmea (2005). Em 2016 ela não conseguiu se afastar tanto da personagem tão amada pelos telespectadores, mas permitiu grandes momentos para o público, numa espécie de homenagem.
Agora, no entanto, Sandra estava mais madura, melhor construída e muito mais naturalista. Com uma interpretação firme e construção que resgatou os trejeitos, mas deu novos contornos, até pela passagem de tempo, Alessandra entregou uma personagem muito melhor do que a primeira vez que ela surgiu em cena.
Chama a atenção que, durante um bom período da novela, ela viveu a Baronesa, que era especialmente delicada, se comparamos com Sandra. Mas na reta final, sua personalidade explosiva foi resgatada e o jeitinho caricato de construir personagens que Flávia tão bem faz, voltou com todas as fortes cores em cada sequência dos últimos capítulos.
Êta Mundo Melhor foi uma novela melhor que Êta Mundo Bom. Parte disso se deve a própria história, muito melhor contada e mais interessante. Parte se deve ao grande elenco que estava tão inspirado ou mais quanto o anterior. Boa parte dessa afirmação é pensando no trabalho de Flávia Alessandra, que fugiu de todas armadilhas no meio do caminho e entregou uma intepretação forte, densa e cheia de nuances.
Sandra ainda pode voltar, já que a novela poderá ter uma terceira parte. Mas se não retornar, a atriz fechou a história com chave de ouro sendo o grande nome dessa história.