Menino do Oito

"Chaves" completa 35 anos no SBT resistente às superproduções e tecnologias

De estreia despretensiosa a trunfo na programação: "Chaves" faz 35 anos no Brasil

O elenco de "Chaves" perdura por 35 anos no Brasil - Fotos: Divulgação

Publicado em 24/08/2019 às 07:51:31

Por: Thiago Forato

Em 24 de agosto de 1984, ou seja, há exatos 35 anos, estreava no SBT uma série até então desconhecida no Brasil.

Batizada inicialmente como "As Aventuras de Chaves", o seriado estreou dentro de um programa chamado "TV Powww!", que tinha rodízio de apresentadores como Serginho Mallandro, Luís Ricardo e Paulo Barboza.

Tanto "Chaves" quanto "Chapolin" chegaram ao SBT por meio de um pacote de novelas comprado da Televisa. Nem todos concordaram com sua exibição, devido a qualidade dos cenários. Plasticamente, causava divergências.

A Globo tentou comprar a série em março de 1990, como relata o Jornal do Brasil. O objetivo do então superintendente da Globo, José Bonifácio Sobrinho, era simplesmente enfraquecer o SBT.

O pior ainda estava por vir

Entrando e saindo do ar a bel-prazer do dono da emissora, "Chaves" caiu rapidamente no gosto do brasileiro e se tornou um curinga na programação do SBT.

Passou por diversos horários e fez um verdadeiro terror na programação da Globo com um humor pastelão e produção mambembe.

A história de um menino que mora em um barril (ou não... entendedores entenderão) conquistou o Brasil com um humor ingênuo e valores reais. Sem apelo erótico e preconceito.

A salvação da lavoura

Por pelo menos três vezes neste século, "Chaves" conseguiu mais do que multiplicar a audiência do SBT substituindo programas fracassados.

O NaTelinha relembra três momentos que o "Chaves" multiplicou a audiência do SBT:

Chaves Especial

Em dezembro de 2002, o "Sabadão" de Gugu Liberato foi cancelado. Melhor dizendo, o título alterado, para que fosse exibido aos domingos à tarde sob o nome de "Disco de Ouro".

Seu substituto imediato foi o "Chaves". Enquanto Gugu marcou 12 pontos em seu último mês, o mexicano logo subiu para 13 com picos de 16. Não triplicou ou duplicou a audiência, mas correspondeu custando quase nada.

Além de fazer audiência do horário subir, o seriado mexicano também aquecia o horário para "A Praça é Nossa", transmitida aos sábados até então.

No lugar da filha número 2

Com o fracasso do "Programa Cor-De-Rosa", criado em agosto de 2004 e extinto em novembro do mesmo ano, a solução não poderia ser outra: "Chaves".

Enquanto o programa comandado por Silvia Abravanel e Décio Piccinini capengava no Ibope e sofria marcando 4 pontos de audiência, o menino do oito e sua turma precisaram de pouco tempo para recuperar o SBT na faixa. Logo na rerererestreia (não dá para contar todos os 're'), a série cravou 8 pontos, dobrando os números.

Quatro vezes mais

Numa dessas danças da cadeira do SBT, no segundo semestre de 2005 a emissora promoveu uma mudança radical. Adriane Galisteu com o seu "Charme" de diário passou a ser semanal às quartas, e Ratinho, até então às 18h, se mudou para às 17h.

Na faixa das 18h, chegava a ficar atrás da TV Gazeta com o "Gazeta Esportiva". "Chaves", então, mais uma vez, atuou como milagreiro.

Na sua primeira semana, numa faixa que dava até 3 pontos, o mexicano deu quatro vezes mais: 12 pontos.

A quase compra da Globo

Em 2005, uma notícia aterrorizou os fãs: a de que o SBT abriria mão do "Chaves" e "Chapolin". Seria o fim de um casamento de 21 anos.

Em artigo publicado pela Folha de S. Paulo em abril de 2005, escrito por Daniel Castro, um executivo do SBT revelou que a Televisa estava pedindo muito dinheiro. O investimento não se pagaria, já que a audiência não é qualificada.

Não é preciso dizer que os fãs do seriado entupiram as caixas postais da emissora implorando para que Silvio Santos não se desfizesse das séries.

"Chaves" saiu do ar e as concorrentes entraram no páreo. A Record decidiu não entrar na jogada porque o seriado "derruba o padrão de qualidade da emissora", numa época em que ela estava se desfazendo de programas popularescos como Raul Gil e "Cidade Alerta" e investindo fortemente na dramaturgia.

A Globo fez uma oferta para comprar "Chaves", de acordo com matéria publicada por Daniel Castro em 19 de maio de 2005, na Folha de S. Paulo.

A reportagem trazia que Band e RedeTV! estavam na disputa. A Televisa pediu US$ 1,5 milhão por um ano em um pacote que incluia 250 episódios de "Chaves" e quase 600 de "Chapolin" e "Chespirito". É o triplo do que o SBT pagava.

O contrato da Televisa obriga que o programa fosse levado ao ar todos os dias, mas não impunha o horário. A Globo poderia esconder os seriados de madrugada, por exemplo.

Pouco mais de um mês depois, no entanto, o anúncio de que o SBT fechou com a Televisa pela exibição de "Chaves" e "Chapolin" por mais três anos. E não correu mais riscos de extinção desde então.

Sem holofotes

Atualmente, "Chaves" é exibido somente aos finais de semana pelo SBT, sem a mesma importância de anos atrás, onde multiplicava a audiência em qualquer horário que era acionado.

O menino do oito, no entanto, ajuda a impulsionar o "Domingo Legal" de Celso Portiolli com médias em torno dos 6 pontos na Grande São Paulo. Notável.

Mesmo com todas as superproduções que surgem a todo momento, tecnologia borbulhante e inúmeras opções de entretenimento, o "Chaves" prova que resistiu ao tempo.

Tanto que hoje também também vai ao ar no canal Multishow, do Grupo Globo.


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