Enfoque NT

"Sessão da Tarde" completa 45 anos com questionamentos e futuro incerto

Novo programa de Fernanda Gentil deve movimentar a grade e trazer a principal vítima: a "Sessão da Tarde"

Cena de Ghost: Do Outro Lado da Vida
"Ghost: Do Outro Lado da Vida" é um dos grandes clássicos da "Sessão da Tarde" - Fotos: Divulgação

Publicado em 12/03/2019 às 09:53:59 ,
atualizado em 12/03/2019 às 10:01:12

Por: Thiago Forato

Uma das sessões de cinema mais antigas em exibição, a "Sessão da Tarde" completa 45 anos sem muitos motivos para comemorar. Sua primeira transmissão ocorreu em 11 de março de 1974 com o filme "A Incrível Suzana", de 1942.

Com uma média acumulada de 11,2 pontos no mês de março - bem distante dos 17,5 do longínquo ano de 2006 -, a "Sessão da Tarde" tem sua extinção especulada há pelo menos sete anos.

Um dos entraves é o alto número de parcerias que a Globo mantém com estúdios de cinema. Sem ter onde desovar parte dessas produções, as exibições de filmes teriam que se restringir às madrugadas com o "Corujão", que também deve perder espaço na programação de 2019.

Uma ala da Globo mais conservadora reluta em extinguir a "Sessão da Tarde" e protela seu término, apesar de que, ainda assim, sua extinção seja apenas com uma questão de tempo , principalmente com a estreia do novo programa de Fernanda Gentil, que deve mexer com a grade diária e fazer uma das sessões de cinemas mais clássicas, a principal vítima.

Sem o "Vídeo Show" há dois meses, a "Sessão da Tarde" se transformou numa espécie de bala prata. Uma saída que a Globo encontrou para tentar fazer subir seu Ibope facilmente e frear "A Hora da Venenosa" da Record TV. Não funcionou.

A emissora via na sessão um potencial para turbinar a audiência com rapidez, dependendo do longa-metragem escolhido. Depois de uma primeira semana às 14h recheado de blockbusters, a Globo não colocou tanta força nas semanas seguintes.

Até sexta-feira (15), por exemplo, a emissora escalou "Sully - O Herói do Rio Hudson" (2016), "Jenny Vai Casar" (2015) e a famosa comédia "A Sogra" (2005), com passagem bastante exitosa pelo SBT, até pouco tempo atrás.

Ao longo dos últimos anos, a Globo transformou filmes como "A Lagoa Azul", "Ghost: Do Outro Lado da Vida", "Dirty Dancing" e "Curtindo a Vida Adoidado" em grandes clássicos vespertinos, com a cara da sessão. A nostalgia, em poucos meses, pode não ter mais onde desembarcar.

Outros neste século XXI também ganharam esse status, tais como "Marley & Eu", "Como se Fosse a Primeira Vez", "De Repente 30", etc.

Tendência

Em primeiro momento, certamente o telespectador mais nostálgico odiaria a extinção da "Sessão da Tarde", mas a ausência de filmes na programação não é novidade na televisão norte-americana, por exemplo.

Nos Estados Unidos, não existe sessões de filmes com exibições regulares desde meados da década de 1990, principalmente pela televisão por assinatura ser bastante popular.

Hoje, as principais TVs estadunidenses, tais como a NBC, ABC, Fox e CBS ocorre de maneira esporádica, seja em festividades no final de ano ou em épocas de baixo de retorno de audiência que não justifique a exibição de programas próprios ou inéditos.

 

A Globo, de fato, ainda é a única a dar tanto espaço para os filmes na TV aberta. O SBT mantém apenas duas sessões semanais ("Cine Espetacular" e "Tela de Sucessos") e a Record TV também com duas ("Super Tela" e "Cine Aventura").

Com a popularização dos serviços por streaming, e a facilidade de se assistir qualquer filmes em poucos cliques, o gênero está em queda na TV aberta há mais de uma década, embora garantam resultados pontualmente.

A "Tela Quente", por exemplo, é o único produto da Globo a dar cerca de 15 pontos até quase 1 da manhã em sua linha de shows. Basta escalar bem.

Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há 14 anos e assina a coluna Enfoque NT há oito, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br Twitter: @tforatto


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