Thiago Forato
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Enfoque NT

Com texto de programa de igreja, "Apocalipse" termina longe daquilo que a Record TV imaginou

Coluna analisa novela bíblica da Record TV que chegou ao fim nesta segunda-feira (25)

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Fotos: Reprodução/Record TV
Thiago Forato

Publicado em 26/06/2018 às 11:59:02

Chegou ao fim nesta segunda-feira (25) mais uma novela bíblica da Record TV: "Apocalipse", que estava desde 21 de novembro no ar.

O último capítulo foi regado a muitos efeitos especiais e registrou uma média de 13 pontos no Ibope da Grande São Paulo, a maior desde a estreia, quando marcou a mesma coisa e, depois disso, só caiu.

Grande esperança da emissora em voltar a incomodar a Globo no horário das 20h30 após "Os Dez Mandamentos", em 2015, a tentativa caiu por terra com um desempenho bem aquém do esperado, além de amargar a terceira colocação, perdendo para as novelas infantis do SBT e conseguir o "título" de ser a novela bíblica menos vista até aqui.

Com texto de programa de igreja, \"Apocalipse\" termina longe daquilo que a Record TV imaginou

Com grande elenco e munida de efeitos especiais, "Apocalipse" se perdeu no meio do caminho com cada vez mais intervenções de Cristiane Cardoso, filha de Edir Macedo, nos textos do folhetim.

O último capítulo mais parecia cenas de simulações do "Fala que eu te Escuto" ou qualquer outro programa da Igreja Universal do Reino de Deus. Didático e doutrinador, a Record TV esqueceu de fazer uma novela verdadeiramente comercial, visando apenas agradar ou angariar fiéis.

O destaque negativo fica por conta de Sérgio Marone, que interpretou o Anticristo Ricardo Montana. De tão canastrão, ficou engraçado, o que certamente não era o propósito do personagem.

Com texto de programa de igreja, \"Apocalipse\" termina longe daquilo que a Record TV imaginou

Num dos livros mais interessantes da Bíblia, a emissora perdeu a oportunidade de fazer uma história densa e realmente interessante. O viés doutrinador passou de todos os limites.

O primeiro capítulo, lá em novembro, foi impactante, com muitas sequências impressionantes, como de um tsunami, mas isso não é o bastante.

A Record TV se apoiou em efeitos e na ação de evangelizar seu telespectador. Um folhetim precisa ter uma boa história para contar. E "Apocalipse", apesar de no papel ter tido essa oportunidade, não conseguiu cumprir.

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