A falha do JN na cobertura da operação da PF contra o PCC
Jornal Nacional erra ao não explicar o termo fintech em reportagem sobre o PCC, excluindo parte do público e falhando na missão de informar com clareza
Publicado em 31/08/2025 às 10:15
O Jornal Nacional está prestes a completar 56 anos em setembro e continua sendo o telejornal mais assistido da TV , muitas vezes, a atração de maior audiência do dia. É acompanhado tanto nas grandes metrópoles, como Rio, São Paulo e BH, quanto nos interiores mais remotos do Amazonas. Seja por ricos ou pobres, o JN desempenha um papel fundamental na forma como muitos brasileiros compreendem as notícias na tela da Globo.
Por isso, quando o Jornal Nacional comete um erro, o impacto é significativo. Na última semana, o Jornal Nacional cometeu uma falha importante na cobertura da operação da Polícia Federal que desmontou um esquema do PCC voltado à lavagem de dinheiro.
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Desde a última quinta-feira (28), quando a operação foi deflagrada, o telejornal exibiu diversas reportagens detalhando como os criminosos utilizavam fintechs para movimentar recursos ilícitos e sonegar bilhões em impostos.
Mas o jornalístico de William Bonner cometeu um deslize: será que todos os telespectadores sabem o que são fintechs e suas diferenças para o banco tradicional.
Jornal Nacional falhou
Os editores do JN lançaram a notícia no ar como se todos os telespectadores já estivessem familiarizados com o termo, como se fizesse parte da rotina tanto dos profissionais da Faria Lima quanto do padeiro que acorda antes do sol para começar seu trabalho.
Ao fazer isso, o telejornal falha em uma de suas missões mais importantes: traduzir a informação de forma clara e acessível para todos os públicos.

Explicar certas palavras ou contextos não é subestimar o telespectador da Globo, é incluir. Termos técnicos, siglas ou referências específicas podem ser comuns em determinados círculos, mas completamente desconhecidos para grande parte da população.
Quando o Jornal Nacional deixa de contextualizar, ele corre o risco de transformar a notícia em um código fechado, excluindo quem mais depende dela para se informar. Alias, o atual patrocinador da atração é uma fintech.