Confira

Roberto Justus rebate análise: "A Fazenda" não era meu estilo, mas fiz crescer

Coluna questionou a força de Roberto Justus na TV





Roberto Justus
Fotos: Divulgação

Publicado em 03/10/2018 às 06:00:01 ,
atualizado em 03/10/2018 às 15:02:57

Por: Sandro Nascimento

Após a publicação na última terça-feira (02), da análise com o título: "Roberto Justus perdeu a força no mercado publicitário?", o apresentador e empresário entrou em contato com a coluna rebatendo seu conteúdo.

O NaTelinha publica a seguir as contextualizações de Roberto Justus:

Eu estou há 15 anos na TV, eu já fiz game-show no SBT, eu já fiz talk show na Record, que foi muito legal, o "Roberto Justus Mais", que era um talk-show espetacular, eu já fiz "Power Couple",  que modéstia a parte foi sensacional, e só olhar as audiências e olhar a audiência do Gugu. Eu fiz "A Fazenda" a pedido da Record. Eu concordo até que não é muito meu estilo. Te confesso que eu acho que é um programa de baixaria que eu não gostava de fazer, pra ser muito sincero.

Este tipo de programa tem muito pouco merchan. Cadê o merchan de "A Fazenda" de hoje com o Mion? Não tem nenhum praticamente.

Roberto Justus

Meu estilo começou com o "Aprendiz", que era um programa com um nível intelectual interessante e que ensinava as pessoas. Esse programa ("A Fazenda") qualquer um pode conduzir e eu acho que o Mion tá até muito mais adequado do que eu lá. Mas é o estilo dele.

Foi um sucesso a primeira "A Fazenda", em 2016, 15% mais audiência que a anterior e o patrocínio do programa foi eu que levei.  Pode olhar lá no passado, Itaipava e Casas Bahia, são duas cotas master. Você fala que são cinco cotas nacionais, não tem nem esse ano. As outras cotas são cotinhas locais, cota de apoio, pode ver. Quando você assistir "A Fazenda", veja: oferecimento de quem? São dois anunciantes grandes que são as nacionais e o resto é local. Tá errada a informação. 

Quero dizer mais uma coisa importante: 2016 e 2017 foram as maiores crises na propaganda. Eu sai no final de 2017 da propaganda... Nós caímos 40% de faturamento e as agências em média entre 20% e 40%. O mercado inteiro caiu, Rede Globo, caiu a Record e caiu tudo. 

Eu era o maior salário fixo da Record. Estou falando pela primeira vez. Eu sou apaixonado pela Record. Ela me deu a oportunidade de vida, eu adoro aquela emissora. Eu sai muito bem da Record. Não há essa história.

Depois quando sai aquela coisa: "ah, ele é robô". Bobagem! Essas idiotices que não sei da onde vêm. Cá entre nós, eu fiz questão de assistir de novo minha performance em "A Fazenda" e ficou muito boa. Eu tenho meu estilo, vamos dizer assim, um pouco menos descontraído do que o Mion. Que é natural, por isso cada um tem seu estilo. Eu acho o Rodrigo Faro diferente do Mion. Eu acho o Gugu diferente de mim. É normal. Cada um tem seu estilo, cada um tem suas qualidades e defeitos. Normal. Eu ficava super à vontade e me divertia fazendo apesar de não gostar tanto do estilo  do programa.

Eu era o maior salário fixo da Record naquela época... Eles me chamaram para um renegociação. Assim, eu não vivo da televisão, eu fazia mais porque era um um mega salário que eu também não iria jogar fora.

Quando eu tive que entrar na realidade: sacrificar tanto tempo da minha vida Era "Power Couple" de abril a junho, e depois, era "A Fazenda" de setembro a dezembro. Eu não podia viajar, não podia ver família, meu filhos...Era uma loucura em Itapecerica da Serra ao vivo. O Mion está fazendo a carreira dele, o Rodrigo... Esses caras vivem de televisão. Eu sou empresário, realizado, outra pegada. É um prazer pra mim fazer televisão e uma curtição. Eu gosto de televisão. Eu gosto de ser comunicador.

Eu entendo super a Record, eu também faria a mesma coisa. Não dá mais pra pagar fixo. Agora tem que ser variável. Este tipo de programa tem muito pouco merchan. Cadê o merchan de "A Fazenda" de hoje com o Mion? Não tem nenhum praticamente. É muito difícil sobreviver com um salário fixo. Eu não sei qual é o salário dele (Marcos Mion), provavelmente, infinitamente menor do que eu ganhava.

Não era diminuir, era derrubar. Não posso falar de valores, mas podemos dizer que seja 1/3 do que eu ganhava. Mas é normal, a emissora estava com problemas. Eles renegociaram os salários de todos os apresentadores. O próprio programa do Mion ("Legendários") foi eliminado da grade porque não dava dinheiro. Ele ficou fora do ar um tempão, depois tentaram "A Casa" e também não deu certo. Assim que funciona o mundo dos negócios.

Agora estamos numa retomada. Minha ex- empresa já cresceu 30% este ano. É muito mais fácil vender. Mudou mercado.

Eles acertaram a mão. Puseram um belo de apresentador, que vai muito bem no programa, estou adorando ver o Mion, por um valor muito menor. Uma decisão empresarial correta. Como não fui bem na apresentação? Cresci 15% de ano pra outro na média da audiência. É uma coisa enorme isso. Financeiramente, "A Fazenda" não é um programa lucrativo para a emissora e nunca foi, em nenhuma edição. É um programa que é importantíssimo pra grade. Leva o participante para o "Hoje em Dia", leva o participante pra não sei onde... É diário, entrega com uma boa audiência, sempre tem um bom público, como tem o "Big Brother" da Globo. 

São realities de dimensão interessante que contaminam positivamente a grade em termos de audiência. Mesmo que ela não ganhe dinheiro, se empata já tá bom pra emissora. Não é um grande sucesso comercial e nunca foi. Nem comigo e nem com ninguém. Porque é um programa muito caro de se fazer.

Eu fui recebido como um príncipe na Band. O Johnny Saad e o Andre Aguera, que tá mudando aquela emissora, um grande executivo que o Johnny trouxe. Eles vão fazer história com as mudanças que estão fazendo. Só precisam de um tempinho. Eles queriam muito um outro programa forte como o "Masterchef", que é o carro-chefe deles. Tem o Datena, tem outras coisas... Mas a grade precisa de mais dimensão de programa, até diferenciado.

Nosso programa ("O Aprendiz") é mais ABC, não é um programa tão popular, mas traz muito prestigio pra grade. E foi muito bem recebido pelos anunciantes. Um sucesso. Só não foi para o ar por decisão nossa, conjunta.

Por dois motivos básicos: Tivemos um problema com a produtora no início da produção e não dava mais tempo de trocar por outra. "Vem eleição, vem um mundo de coisas desviando a atenção neste momento. Topa jogar para o ano que vem?". Eu disse que não tem problema nenhum. Pego os anunciantes todos que ficaram interessados pelo programa e jogamos tudo pra o ano que vem. Vai ser um lançamento bem legal e bem importante pra emissora. O empreendedorismo nunca esteve tão em voga como agora.

Eu acho que vou dar uma audiência interessante porque o público acompanha, apesar da Band ter uma média de audiência menor que das outras emissoras. No "MasterChef" ela faz seus seis e sete pontos, acho que a gente pode fazer coisa parecida e ter um grande sucesso. Vamos começar a produção no final de janeiro e vai ao ar em março, só não temos data certa ainda.

Eu só ajudei aquela emissora (Record) a crescer. O "Power Couple" eu também ajudei a vender as cotas de patrocínio. Como eu coloquei? Abri as portas para os anunciantes que eu tenho prestigio e programas como esse não são tão difíceis de vender.

O jornalista Sandro Nascimento assina colunas e reportagens exclusivas no NaTelinha. Também é correspondente da agência de notícias ZOOMINTV. Twitter: @SandroNascimm / E-mail: sandro@natelinha.com.br



publicidade

LEIA TAMBÉM

publicidade

COMENTÁRIOS

Para comentar na página você deve estar logado com seu perfil no Facebook. Este espaço visa promover um debate sobre o assunto tratado na matéria. Comentários com tons ofensivos, preconceituosos, de propaganda e que firam a ética e a moral podem ser deletados. Participe!