Do hábito ao declínio: o que aconteceu com a novela das nove?

Coluna "Enfoque NT" traça um paralelo entre a novela das nove e a das sete

Do hábito ao declínio: o que aconteceu com a novela das nove?
Novelas das nove vêm sofrendo para agradar o público - Fotos: Divulgação/TV Globo

Publicado em 03/12/2016 às 07:00:00

Por: Thiago Forato

Foi-se o tempo em que uma novela das oito da Globo - hoje das nove -, era o produto de maior audiência da televisão brasileira.
 
Hoje, aliás, a trama, que até não muitos anos atrás era assistida quase automaticamente pelo público, vem enfrentando cada vez mais dificuldade de emplacar.
 
Traço aqui, nos últimos três anos, o comparativo entre a novela das sete e a das nove. Vamos as médias gerais de cada uma delas desde 2013, na Grande São Paulo: 
 
- "Amor à Vida" - 35,5
- "Em Família" - 29,6
- "Império" - 32,9
- "Babilônia" - 25,4
- "A Regra do Jogo" - 28,4
- "Velho Chico" - 29,0
- "A Lei do Amor" - 25,8 (até o momento) 
 
A primeira listada, de Walcyr Carrasco, era popular. Como este espaço já disse algumas vezes, o autor tem a capacidade de atingir o telespectador em cheio.
 
De lá pra cá, todas as tramas têm uma coisa em comum: histórias confusas e pouco verossímeis em algum momento.
 
O marasmo de Manoel Carlos, a desconfiguração e bizarrice de "Babilônia" e as reclamações de confusão do público em "Velho Chico" e "A Lei do Amor" contribuíram - e muito - para o horário das nove afundar de vez.
 
"Babilônia" foi o maior fracasso das nove da história da emissora carioca
 
Se antes o público das sete é que era uma incógnita, agora a Globo tem que se mexer ou se "reinventar" para agradar o público de um horário que sempre foi a sua faixa mais forte.
 
Tanto não é mais, que no ano passado o inacreditável aconteceu, quando a Record passou a ameaçar e vencer um produto da Globo às 21h ("A Regra do Jogo") com a bíblica "Os Dez Mandamentos". 
 
Em contrapartida, no horário das sete, no mesmo período, a rede carioca cometeu erros crassos, mas desde "Alto Astral" o desempenho é positivo.
 
"Sangue Bom" - 24,5
"Além do Horizonte" - 19,7
"Geração Brasil" - 19,4
"Alto Astral" - 22,0
"I Love Paraisópolis" - 23,4
"Totalmente Demais" - 27,3
"Haja Coração" - 27,4
"Rock Story" - 24,6 (até o momento)
 
"Além do Horizonte" tentou inovar, sair do comum, e não deu certo. E "Geração Brasil" foi simplesmente decepcionante, sendo uma catástrofe em forma de novela, onde pouca coisa realmente funcionou. 
 
"Além do Horizonte" não empolgou
 
Mas de "Alto Astral" pra cá, em quê todas essas novelas se assemelham? Na arte de contar uma mesma história: da velha gata borralheira que se apaixona. A trama das sete também tem abusado de triângulos amorosos, fazendo com que o público se divida entre casais, gerando ainda mais engajamento. 
 
No horário, os folhetins tem acertado em cheio na construção de histórias de amor e apostando pesado em núcleos cômicos, que vem cada vez mais fortes. Tem sido assertivo. 
 
Casal de "I Love": Novela contou história típica da gata borralheira
 
Se em outrora o produto mais temido e que não sofria a menor concorrência era a novela das nove, hoje em dia esse panorama mudou, bem como a faixa em que uma obra da Globo tem tido uma aceitação mais "fácil" do público, já que ela parece ter encontrado o caminho. 
 
Sobrará para Glória Perez, em "À Flor da Pele", ou Walcyr Carrasco no segundo semestre de 2017, tentar mudar esse atual cenário e voltar a fazer com que o horário das 21h seja soberano novamente. 
 
 
Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há 11 anos e assina a coluna Enfoque NT há cinco, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br  |  Twitter: @tforatto
 

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