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Dos "medalhões", Walcyr Carrasco é o campeão de novelas na Globo da década

"Enfoque NT" levanta "medalhões" mais requisitados pela Globo desde 2010

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Walcyr Carrasco escreverá sua sexta novela em 2017 nesta década - Divulgação/TV Globo
Thiago Forato

Publicado em 07/10/2016 às 15:30:46

Que Walcyr Carrasco é uma máquina de escrever, não é segredo pra ninguém. Após fazer consecutivos sucessos desde 2011, ele ganhou carta branca na Globo para escrever seu próximo folhetim das 21h em 2017, após "À Flor da Pele", de Glória Perez. 
 
Atualmente, a emissora conta com alguns "medalhões" em seu casting de autores, tais como Aguinaldo Silva, Glória Perez, Benedito Ruy Barbosa, Gilberto Braga, Walther Negrão, Antônio Calmon e Manoel Carlos, que deixou o gênero em 2014.
 
Nesta década, isto é, desde 2010, Carrasco escreveu cinco novelas até aqui, todas elas com expressivos índices de audiência. Em alguns casos, salvando o horário, como em "Amor à Vida", que em 2013 substituiu a contestada "Salve Jorge" e se tornou uma ilha em meio à crise que a Globo vivia no Ibope.
 
Com um detalhe: o autor foi o único desse time, e até da emissora, a passear por todos os horários: "Morde & Assopra" (2011) às 19h; "Gabriela" (2012) e "Verdades Secretas" (2015) às 23h; "Êta Mundo Bom" (2016) às 18h e a já mencionada "Amor à Vida", no ar às 21h.
 
Walcyr escreveu a trama das 19h em 2011
 
Nesse período, por exemplo, Antônio Calmon não escreveu nenhuma trama. Sua última terminou em 2009, "Três Irmãs", que foi um fracasso. Apesar disso, ele se prepara para lançar "Barba Azul" em 2018, às 19h, com direção de Jorge Fernando. 
 
Glória Perez e Manoel Carlos colecionam uma novela cada nos últimos seis anos. A primeira com "Salve Jorge" (2012), tendo a difícil tarefa de substituir o fenômeno "Avenida Brasil", e Maneco, como é chamado, se despediu do gênero com "Em Família", bastante criticada pelo marasmo e excesso de tramas paralelas, sem contar a audiência baixa, que até aquele momento havia sido a menor do canal. 
 
Maneco ao lado de sua última Helena, Júlia Lemmertz
 
Outros nomes, como Benedito Ruy Barbosa e Gilberto Braga, somam duas novelas cada. O primeiro com "Meu Pedacinho de Chão" (2014), remake de 1972, e mais recentemente "Velho Chico" (2016), que terminou há uma semana. Ambas com modesta audiência.
 
Já Braga viveu seu pior momento no ano passado, quando escreveu, ao lado de Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, a trama com menor audiência da história da Globo: "Babilônia", sendo completamente desfigurada ao longo dos meses, chegando a ficar irreconhecível no seu desfecho. 
 
Gilberto Braga escreveu "Babilônia" e naufragou o Ibope das 21h
 
Walther Negrão, por sua vez, é quem chega mais perto de Walcyr Carrasco em relação à quantidade, com três novelas.
 
Entre 2010 e 2011, escreveu "Araguaia", para posteriormente assinar "Flor do Caribe" (2013) e "Sol Nascente", atualmente em cartaz. Todas no horário das 18h, sendo esta última tendo que rebolar para manter o telespectador ligado, já que substituiu "Êta Mundo Bom". 
 
Trama foi ao ar em 2013
 
Apesar do maior volume de novelas escritas, Negrão não é tão eficaz quanto Carrasco - na verdade, nenhum tem sido -, que passou a ser uma espécie de "Midas" das telenovelas.
 
Muito podemos discutir da maneira com que ele conduz uma história, dos clichês e de toda obviedade e inverossimilhança de determinados núcleos, mas é fato que Walcyr escreve de maneira popular e atinge em cheio quem assiste suas obras.
 
Dos "medalhões" citados, Aguinaldo Silva também já se prepara para lançar mais uma novela às 21h em 2018 e Glória Perez é a próxima da fila, no primeiro semestre de 2017.
 
É em Walcyr Carrasco que a Globo aposta todas as suas fichas para que o horário das 21h volte a ter números à altura, ou pelo menos mais próximos, do que a cúpula imagina que seja o ideal.
 
 
Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há 11 anos e assina a coluna Enfoque NT há cinco, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br  |  Twitter: @tforatto
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