De frágil, "A Regra do Jogo" junta os cacos e reconstrói horário das nove

A coluna "Enfoque NT" analisa a trajetória de "A Regra do Jogo" que termina nesta sexta-feira (11)

Fotos: Divulgação/ TV Globo

Publicado em 11/03/2016 às 00:10:55

Por: Thiago Forato

A novela "A Regra do Jogo" termina nesta sexta-feira (11) na Globo bem diferente daquela que começou. O cenário é outro. Não só no universo que João Emanuel Carneiro criou, mas também aquela que acabou sendo criada fora das telas, na briga pelo melhor ranking na disputa do Ibope.
 
Enquanto "A Regra" começou repleta de missões, como recuperar os bons números do horário, bater de frente com "Os Dez Mandamentos" que estava voando baixo e ainda por cima fazer do autor, que já escreveu grandes fenômenos da Globo, se superar mais uma vez.
 
 
Na verdade, nem de longe essa foi a melhor obra de Carneiro. Sua novela termina repleta de furos, mas apesar dos pesares, cumpriu com maestria a função que lhe foi atribuída.
 
A Globo depositou todas as suas fichas no jovem autor de 46 anos e embora tenha tido alguns percalços até o final da trama bíblica da Record, rapidamente a novela das nove já era falada novamente, ao contrário de "Babilônia", que dispensa comentários, tamanha piada de mau gosto. 
 
 
"A Regra do Jogo", é bem verdade, acumulou derrotas para a novela da Record e por alguns dias quase virou novela das dez com seu atraso que já tinha se tornado costumeiro. A tática de guerra da Globo se mostrava equivocada, mas tinha prazo para terminar. O que inevitavelmente acabou acontecendo a partir de novembro.
 
Dito isso, João Emanuel precisava explicar melhor quem era herói ou bandido. As personalidades ainda não estavam bem delineadas e isso confundiu o público, que relutou em assistir a novela. A atmosfera do Rio de Janeiro com paisagens manjadas e "excesso de realismo", ao som de funk e mostrando crimes a torto e a direito, já não funcionava mais como outrora. O telespectador simplesmente se cansou. Tudo porque a Globo é quem os cansou de tanto retratar os mesmos temas de maneira consecutiva e desenfreada. 
 
Certamente, "A Regra do Jogo" foi o último folehtim a focar pesado nesse universo todo. Daqui para frente, até o público se cansar de novo da "fantasia e romantismo", trazer elementos tão sisudos e densos está fora de cogitação dentro da emissora. 
 
Alavancada
 
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O rumo da novela começou a ter um norte mais trilhado depois que Carneiro desenhou melhor o conceito de seus personagens e dizer quem era quem. 
 
Após sete meses, "A Regra do Jogo" pode ter ficado abaixo da expectativa em números absolutos, mas por todo o contexto que ela estreou e esteve, seria injusto classificá-la como um fracasso. Longe disso. A trama conseguiu fazer tudo aquilo que "Babilônia" não conseguiu: terminar a história que começou a ser contada. 
 
"A Regra do Jogo" não perdeu a identidade, nem de longe o mesmo autor de "Avenida Brasil" (como as chamadas faziam questão de frisar) conseguiu criar sua melhor novela, mas novamente se mostrou apto a enfrentar dificuldades. E a exemplo do que aconteceu em 2006, quando "Cobras & Lagartos" tinha a missão de reerguer o horário das 19h, guardada as devidas proporções, o novelista conseguiu de novo, e entregará a faixa das 21h batendo nos 40 pontos.
 
 
Certamente, "Velho Chico" estreará mais tranquila, recebendo bem e não tendo como pedra no sapato, a princípio, a concorrência das novelas bíblicas da Record. Ela terá tempo de fidelizar algum público até que a segunda temporada de "Os Dez Mandamentos" comece, apesar de não concorrerem diretamente. Mas, se fizer sucesso, a gente sabe o que vai acontecer.
 
Que venha "Velho Chico"!
 
 
Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há 11 anos e assina a coluna Enfoque NT há cinco, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br  |  Twitter: @tforatto
 


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