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"Além do Tempo" termina como clássico, mas perde "magia" da primeira fase

A coluna "Enfoque NT" analisa trajetória de "Além do Tempo", que terminou nesta sexta-feira (15)

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Os protagonistas de "Além do Tempo" - Fotos: Divulgação/TV Globo
Thiago Forato

Publicado em 15/01/2016 às 19:26:00

Terminou nesta sexta-feira (15), a novela “Além do Tempo”, com texto de Elizabeth Jhin e direção geral de Pedro Vasconcellos e núcleo de Rogério Gomes.  

A aposta da autora foi não inventar a roda, mas ao mesmo tempo, não deixando de inovar. Afinal, a trama teve um salto de mais de um século no tempo e tratou sobre reencarnação em duas fases distintas. O norte, claro, foi contar a história de amor entre Felipe (Rafael Cardoso) e Lívia (Alinne Moraes), dando ao horário a leveza que ele pede.

É isso que o público quer ver. A primeira fase foi marcada por clichês folhetinescos (assim como a segunda) de época num visual deslumbrante, com belas paisagens e um figurino igualmente belo. No que se refere aos aspectos técnicos e visuais, a novela não teve pontos fracos. O interior do Rio Grande do Sul teve uma excelente exploração natural.

No entanto, apesar de ter tido uma boa história, e Jhin sabendo contá-la de maneira harmônica, “Além do Tempo” teve períodos de “barriga” (quando nada acontece) que quase beirou o excessivo. Diálogos sem relevância com cenas que facilmente  poderão ser retiradas numa exibição num “Vale a Pena Ver de Novo” daqui alguns anos. O editor não terá tanto trabalho.

O arrasto ficou evidente e os acontecimentos mais importantes foram sendo adiados e os desfechos aconteceram realmente neste mês de janeiro. A “magia” se perdeu com a transição para a segunda fase, que simplesmente contou a mesma história da primeira sem muito a acrescentar. Prova disso é a queda nos números de Ibope desde outubro.

De um folhetim de encher os olhos, “Além do Tempo” passou a ser comum na segunda fase. Não que isso seja ruim ou apague a boa produção dos primeiros meses, mas o fato é que ela perdeu o encanto para muitos.

Algumas atuações se sobressaíram, como Irene Ravache na primeira fase como a implacável Condessa Vitória, e como não poderia deixar de ser, Paolla Oliveira, provando ser pau pra toda obra, e mais uma vez se destacando e convencendo. Desta vez, no posto de uma vilã sem escrúpulos ou qualquer tipo de consciência para conseguir o que quer. E nos últimos anos, Paolla tem interpretado todo tipo de papel. Se saindo bem em todos eles.

“Além do Tempo” já deixou uma legião de fãs órfãos e resgataram muitos saudosistas que gostam de um bom e clássico folhetim de época. Elizabeth Jhin, nesse quesito, entregou o que prometeu.

Que venha “Êta Mundo Bom”. 

Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há dez anos e assina a coluna Enfoque NT há quatro, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br  |  Twitter: @tforatto

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