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Densa, "Magnífica 70" ressalta qualidade de mais uma produção da HBO

A coluna Enfoque NT analisa a estreia da nova série do canal

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"Magnífica 70" é a sétima série brasileira da HBO - Divulgação
Thiago Forato

Publicado em 24/05/2015 às 23:23:23

Estreou neste domingo (24), a sétima série original produzida pela HBO no Brasil, “Magnífica 70”, que tem como premissa contar a história de Vicente (Marcos Winter), um censor da década de 1970 (mais precisamente, de 1973) que se divide entre censurar produções cinematográficas e dirigí-las para que pudessem fugir da censura.
 
Retratando uma época importante do nosso país, “Magnífica 70”, ainda que seja uma história fictícia, tem elementos de uma realidade vivenciada por muitos entre os anos de 1964 e 1985, da ditadura militar.
 
“Um amontoado vulgar de cenas de sadismo e de sexo. Acho que esse filme não deveria existir”, diz Vicente ao classificar o filme “A Devassa da Estudante” para justificar o veto de um longa da produtora Magnífica, que investiu muito dinheiro na produção dele. Quando descobriram que a trama tinha sido censurado, os produtores foram à loucura.
 
Não só eles ficaram loucos, mas também a bela Dora Dumer (Simone Spoladore), que entrou como atriz  para roubar o dinheiro do filme e salvar a pele do irmão, que acabou de sair da cadeia, mas pode ser morto caso não arque com o que prometeu lá dentro: o pagamento de muito dinheiro a um dos chefões do crime.
 
O sentimento de culpa de Vicente por “destruir um sonho” de Dora aliado ao encantamento por ela o leva a descobrir um novo universo e revela ao telespectador mais atento como funcionava a cabeça de um sensor daquela época e o que o outro lado (cinema) fazia para driblar o veto. É o ponto de partida para Vicente ingressar no mundo da Boca do Lixo, centro de São Paulo, tentando se desculpar com seu “amor platônico” enquanto descobre sua vocação.
 
Recorrente da ditadura
 
A repressão individual foi uma marca forte daquela época. Tempos onde não podia se falar o que se pensava, e que era proibido até de se pensar. Essa repressão fica evidente no protagonista, vivendo uma vida infeliz e de aparências, sendo pressionado para dar um neto ao sogro, que é um general típico do regime, "machão", frio, dominador e autoritário. Graças a ele, aliás, que ganhou o emprego de censor.
 
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Stepan Nercessian na pele de Larsen e Adriano Garib vivendo Manolo dispensam apresentações como parte integrante na Magnífica, com atuações seguras e amparados por um texto e vocabulários realistas, como é de praxe nas produções da televisão por assinatura. Sobretudo, nas séries da HBO. "Magnífica 70" é roteirizada por Cláudio Torres, Renata Fagundes e Leandro Assis.
 
Pornochanchadas
 
Produzidas pela Boca do Lixo, no centro de São Paulo, as pornochanchadas terminaram no início dos anos 1990 com a abolição de uma lei que obrigava as salas de cinema a reservarem um número determinados de espaços para exibição de filmes brasileiros. Com isso, os blockbusters estadunidenses ganharam lugar e as pornochanchadas caíram no esquecimento. 
 
Embora a série retrate um personagem que trabalhava no Departamento de Censura do Estado de São Paulo, é válido lembrar que este departamento existia apenas na capital, em Brasília.
 
Esta é a primeira série de época da HBO, e isso não foi motivo para não reproduzir de maneira fidedigna a década de 1970 no que tange a cenários, automóveis e figurinos. Tudo de primeira tratado com esmero e de uma minúcia ímpar, com direção de Cláudio Torres e Carolina Jabor.
 
“Magnífica 70” ressalta a competência da HBO em produzir séries e transportar uma sinopse que a princípio seria comédia, em drama.
 
Serão 13 episódios exibidos semanalmente aos domingos, às 21h, e disponíveis na plataforma HBO Go no dia seguinte para que o assinante veja como e onde preferir. 
 
 
Thiago Forato é jornalista, escreve sobre televisão há dez anos e assina a coluna Enfoque NT há quatro, além de matérias e reportagens especiais no NaTelinha. Converse com ele: thiagoforato@natelinha.com.br  |  Twitter e Instagram: @tforatto
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