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Entre Sodoma e Jerusalém, novela das nove precisa se achar como "Babilônia"

Território da TV

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Fotos: Divulgação/TV Globo
Redação NT

Publicado em 20/04/2015 às 14:58:25

Tal como no futebol as análises sobre os desempenhos dos times ficam diretamente atreladas aos resultados, mesmo que eles muitas vezes subvertam qualquer lógica em relação ao que é mostrado em campo, na TV também há uma diferença entre simplesmente observar o que vai ao ar e fazer essa mesma observação tendo conhecimento dos números de audiência.

Hoje, qualquer pessoa facilmente tem acesso diário aos dados consolidados e uma boa gama de crítica para os analisar. Dentro das emissoras, então, nem se fala. É por isso que desde que “Babilônia” deu seus primeiros sinais de fragilidade, começou uma caça às bruxas para reverter a crise que vai atravessar a principal faixa global em plena semana do seu cinquentenário.

O perigo é que simplesmente fazer ao contrário do que dá errado nem sempre é o certo. E essa parece ser a situação instalada nos rumos da trama.

Após o começo envolvendo cenas diretas de prostituição e sexo casual, que em muito poderia lembrar as práticas de Sodoma, que ao lado de Gomorra é biblicamente relacionada com tais imoralidades, principalmente as de cunho sexual, a novela caminha para virar uma Terra Santa.

Os dois principais eixos nos capítulos mais recentes vem sendo os apaixonados casais Rafael (Chay Suede) e Laís (Luísa Arraes) e Regina (Camila Pitanga) e Vinícius (Thiago Fragoso). Ambos sem nenhum conflito, mas sim unidos contra uma inimiga externa que tenta a todo custo acabar com a relação.  

Ou seja, só para não fugir das comparações bíblicas, “Babilônia” fez ao contrário do milagre e mudou do vinho para água. Talvez mais água com açúcar até que algumas tramas das 18h. O que não seria um absurdo, desde que não tivesse começado num ritmo de 23h.

Ainda é cedo para analisar o efeito dos ajustes, mas essa mudança radical não parece ter atraído uma nova plateia. Só que possivelmente o novo extremo também será revertido.

Afinal, “Babilônia” precisa fazer jus ao local que lançou esse nome para a posterioridade e se firmar como um grande império (sem trocadilho com a sua antecessora), com cara, jeito e audiência de novela das 21h.


No NaTelinha, o colunista Lucas Félix mostra um panorama desse surpreendente território que é a TV brasileira.

Ele também edita o https://territoriodeideias.blogspot.com.br e está no Twitter (@lucasfelix)

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