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Televisão brasileira: onde o erro não é uma opção

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Reprodução
Redação NT

Publicado em 05/03/2015 às 19:15:09

Problemas no áudio da entrevista com Suzane Von Richthofen renderam à equipe do Gugu sua primeira baixa.

Apesar de Danilo Mejias jurar que o problema do áudio da matéria foi causado por erro da edição, sobrou para ele a culpa pelo erro “imperdoável”.

A demissão, por si só, já dá uma mostra de como a televisão é implacável com seus profissionais. O caso de Gugu foi apenas mais um dentre tantos onde o profissional de comunicação paga o preço pela busca desenfreada pela perfeição.

A Globo dos tempos de Boni tinha prática semelhante e o SBT é cíclico em relação a isso. Erros grosseiros foram ao ar sem que nada acontecesse e erros banais levaram profissionais à demissão.

A tensão no ambiente televisivo é constante, uma produção trabalha no limite o tempo todo e, quando se tem uma pessoa sob forte pressão, a chance de falhas só aumenta.

O mercado limitado e o constante crescimento da demanda causam situações descabidas, com equipes virando duas, três noites consecutivas para realizar um trabalho.

Quem vê uma reportagem editada raras vezes tem noção do tempo que se leva para editá-la. Uma matéria de 30 segundos, nas mãos de um profissional experiente pode levar horas para ser finalizada.

Mas a TV ainda reserva um outro complicador aos seus profissionais: o ao vivo.

A produção de um programa em tempo real é simbólica. Equipara-se a uma equipe de futebol disputando uma final de campeonato - todos os dias.

Produzir ao vivo é conviver na tênue linha que divide o erro do acerto. O tom do desafino. A produção desta forma é capaz de proporcionar cenas hilárias, cenas preocupantes e cenas constrangedoras.

E foi o que ocorreu no programa do Gugu de terça-feira (03). A cena de Wanessa cantando uma música por cima da outra foi realmente constrangedora. Mas, daí a motivar um protesto nas redes sociais por parte da cantora, é um espaço bem longe.

Não era para tanto. Foi engraçado, foi diferente, caberia à equipe do Gugu soltar um comunicado informando que o erro havia sido do programa, talvez um pedido de desculpas ao público e à Wanessa, mas preservar a artista e também seus profissionais.

Mas ocorreu outra caça às bruxas. Desta vez, sobrou para o operador de áudio e um produtor musical.

Wanessa não deve saber ou, se sabe, não deve se importar, mas uma bobagem que seria esquecida em cinco minutos se relevada e levada na esportiva custou o emprego de duas pessoas, o sustento de duas famílias.

A irresponsabilidade de quem comanda e aparece na TV às vezes assusta. Parecem trabalhar apenas com máquinas que são substituídas a cada falha. Por mais dinheiro que se tenha, se as emissoras demitirem membros da equipe a cada erro cometido, não teremos mais equipe para nenhum programa.

É preciso entender que trabalhamos com seres humanos, não com zumbis sem coração. A TV às vezes se esquece disso. O dinheiro não permite que se lembre.
 

Apaixonado por televisão, Helder Vendramini pesquisa e estuda esse meio há vários anos e está se formando no curso de Rádio e TV. Aqui no site, buscará fazer análise aprofundadas dos mais variados temas que envolvem a nossa telinha.

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