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Alta de "Chaves" e "Esmeralda" indica que espectador quer menos estripulia

Estação NT

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Divulgação/SBT
Redação NT

Publicado em 24/10/2014 às 17:16:09

Foi notícia aqui no NaTelinha: a novela “Esmeralda” e o seriado “Chaves”, ambos exibidos pelo SBT, bateram recorde de audiência nas últimas semanas. O folhetim, no ar desde julho, é o remake brasileiro da trama mexicana de mesmo nome, exibida pela emissora em 1997.

Considerando que nenhum deles seja produto fresco na televisão, o sucesso de audiência causa certo espanto. “Esmeralda”, além de passear por todos os clichês noveleiros (mocinha sofredora, bebês trocados...), está na terceira exibição, pois sua versão brasileira (que traz no elenco ex-globais como Bianca Castanho, Lucinha Lins e Paulo César Grande) foi ao ar pela primeira vez em 2005, mas já foi reprisada com sucesso em 2010.

Já “Chaves” dispensa apresentações. Na programação de Silvio Santos desde os anos 80, atrai fãs de várias gerações, ainda que as imagens de muitos episódios estejam gastas pelo tempo.

Outro ponto em comum nas duas atrações é a origem mexicana, explicada pela parceria que o SBT mantém há anos com a Televisa, gigante latina de televisão. Esse DNA acaba puxando diversas características que viraram marca registrada não só da TV do México, como do próprio SBT: a produção simples, o texto didático, as histórias ingênuas, a repetição de situações.

Tudo oposto ao que se diz ser atraente para o público hoje, como ensinam as séries americanas e as novelas da Globo. Se espalha por aí que o espectador das séries importadas e das tramas da emissora carioca é bem diferente daquele que acompanha o canal do Homem do Baú. Afirmação que não deixa de ser verdade, mas que não dá pra ser levada a ferro e fogo, visto que produções como “Geração Brasil”, que tem linguagem de seriado, patinam no Ibope.

A sinceridade do SBT e das tramas levadas ao ar pode explicar os recordes de audiência de “Chaves” e “Esmeralda”. O objetivo da emissora e dos dois programas é contar histórias conhecidas, mas que oferecem aquela sensação de conforto ao público, sem piruetas estéticas. A renovação na TV é necessária, mas quando vem gratuitamente, de forma duvidosa, provoca no espectador aquele sorriso amarelo que se dá diante da estripulia de circo que deu errado.


Ariane Fabreti é a nova colunista do NaTelinha. Formada em Publicidade e em Letras, adora TV desde que se conhece por gente. Escreve sobre o assunto há seis anos.

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