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Na cobertura da morte de Eduardo Campos, TVs mantêm seus estilos

Território da TV

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Divulgação
Redação NT

Publicado em 14/08/2014 às 09:33:03

Era um acidente aéreo de pequenas proporções. Virou um dos mais emblemáticos desastres da história do Brasil.

Na manhã desta última quarta-feira (13), se falou sobre uma tragédia que mais combina com o terror associado quando a data cai na sexta-feira. Inicialmente, um helicóptero teria caído sobre uma academia em Santos, SP.

“Hoje em Dia”, “Jogo Aberto” e “Encontro” abriram um espaço rápido para noticiar o acidente, ainda com imagens enviadas por cinegrafistas amadores. Globo News e Record News repercutiam em tempo real na mesma base.

Mas logo começou um burburinho nas redes sociais. O presidenciável Eduardo Campos tinha agenda na região e já estava atrasado em 2 horas. A FAB confirmou que o avião havia saído do Rio de Janeiro, onde Campos esteve na terça-feira (12) para falar ao vivo no “Jornal Nacional”. Os dados batiam. Só faltava a confirmação.

Eis que ela veio em doses homeopáticas. Primeiramente por fontes do PSB, depois pelas autoridades: os 7 ocupantes da aeronave não haviam sobrevivido. Entre eles, Campos.

As confirmações iniciais na TV foram dadas por Aline Midlej, na Band, e Reinaldo Gottino, na Record.

Na Globo, Evaristo Costa interrompeu os telejornais locais sem nenhuma vinheta às 12h41 para noticiar sobre o acidente. Por duas vezes, pareceu encerrar o boletim e logo depois retomou as notícias ainda desencontradas sobre a até então presença de Eduardo Campos no voo acidentado.

Somente após 15 minutos e a chegada de Sandra Annenberg para cobertura especial foi que Cristina Serra, em link de Brasília e se baseando em nota da Aeronáutica, confirmou o falecimento do ex-governador de Pernambuco.

A partir daí, ficou claro que a cobertura seguiria direto por horas, como se confirmou. A tela da Globo ganhou caracteres fixos que informavam sobre a tragédia.
Com a cobertura avançando, além do restante dos telejornais locais, foram cancelados também o “Globo Esporte” e o “Vídeo Show”.

A cobertura global teve somente um intervalo comercial, já praticamente às 14h. Foi tão apressada que não houve tempo nem mesmo de Evaristo vestir seu terno. Ele e Sandra retornaram em praticamente todos os breaks da “Sessão da Tarde” e do “Vale a Pena Ver de Novo”, exibindo, dentre outras repercussões, a do governador de Pernambuco, da presidente Dilma e de Marina Silva.

Ambos mostraram maturidade para abordagem da pauta sem apelação para o sensacionalismo, apesar da evidente desconcentração com o volume de informação. Destacou-se também a postura do repórter José Roberto Burnier em contato direto com testemunhas oculares da tragédia. Entre choros e depoimentos abalados, ele conseguia colher o que interessava ao público sem infringir os limites.

Quando acionada, a equipe local também não decepcionou e soube usar a favor o fato de saber mais detalhes da região.

A Record teve uma cobertura mais dispersa de início. O “Balanço Geral SP”, de Reinaldo Gottino, foi entrando ao ar ao gosto de cada praça. Umas o viram na íntegra, outras cortaram para exibição de horários locados...

Somente a partir do “Programa da Tarde”, quando Gottino e Adriana Araújo foram integrados com Britto Jr. para cobertura que houve uma exibição nacional, prosseguida por Marcelo Rezende no “Cidade Alerta”.

No SBT, Patrícia Rocha e Roberto Cabrini se revezaram em boletins, sendo alguns até longos para o padrão do canal.

A Band trocou Aline Midlej por José Luiz Datena, que está em Brasília para dar uma palestra no Exército, por volta das 13h, sendo que às 15h ele deu lugar ao “Tá na Tela”, de Luiz Bacci.

E o novo contratado do canal não fugiu do estilo mostrado nas 6 edições anteriores de seu programa. Muito sensacionalismo e teorias absurdas sendo levantadas sem nenhum indício, como a possibilidade de sobreviventes embaixo de escombros ou de que somente o vento teria derrubado a aeronave.

O programa chegou a picos de vice-liderança em alguns momentos. E não foi o único a ter seus índices incrementados. A Globo, por exemplo, praticamente dobrou seus índices. Beirou os 20 pontos na faixa em que mal ultrapassa 1 dígito.

Foram números similares aos das partidas da Copa do Mundo no mesmo horário, mas infelizmente por uma tragédia que ninguém podia esperar.

Em resumo, as pautas de todas as atrações podem ter convergido para o mesmo trágico fato, mas cada um manteve seu perfil. Foram diversas as formas de se contar a história do dia em que a corrida presidencial brasileira foi abalada por uma tragédia numa das mais tristes páginas de nossa história política.

 

No NaTelinha, o colunista Lucas Félix mostra um panorama desse surpreendente território que é a TV brasileira.

Ele também edita o https://territoriodeideias.blogspot.com.br e está no Twitter (@lucasfelix)

 

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