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Em tempos de conteúdo sob demanda, Globo fica cada vez mais ao vivo

Confira mais uma análise da coluna "Território da TV"

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Fotos: Reprodução
Redação NT

Publicado em 22/05/2014 às 10:30:45

Esta quarta-feira (21) foi diferente para o telespectador paulistano da Globo. Entre 6 e 0h (intervalo de 18 horas), a Globo exibiu cerca de 13 horas e 30 minutos de programação ao vivo para a maior cidade do país. Ou seja, aproximadamente 75% de tudo que o canal levou ao ar foi em tempo real. É pouco menos do que a Record, que ficou quase 15 horas direto entre o “Balanço Geral SP – Manhã” e o “JR”.

O número global foi inflado por causa das 2 horas de exibição de futebol, mas não deixa de ser digno de atenção. A motivação principal não foi a bola rolando para São Paulo e Fluminense, mas sim a ausência de ônibus na metrópole. A greve iniciada na terça (20) levou caos para a cidade e já na segunda (19) elevava a audiência do “Brasil Urgente”, que ouviu o prefeito Fernando Haddad ao vivo. No dia seguinte, o apresentador conversou com Gilberto Kassab, ex-administrador da cidade.

Desde cedo, a Globo colocou boa parte de suas equipes na rua, seja com links em terra ou pelo Globocop e o assunto dominou o “Bom Dia” local e nacional. Com o “Mais Você” quebrando a sequência de jornalismo direto, o “Fala Brasil” se aproveitou e conseguiu incrementar a audiência habitual da Record, deixando o prolongamento da cobertura fácil para o “Hoje em Dia”. Na emissora da família Marinho, o “Radar” marcou presença em diversos intervalos da grade matinal.

O “Bem Estar” abriu espaço para intervenções dos jornalistas e foi exibido na íntegra também para SP. O “Encontro com Fátima Bernardes” não teve a mesma sorte. Foi cortado por volta das 11h30 para uma edição especial do “SPTV” ancorada por Glória Vanique, que depois “invadiria” o estúdio do “Globo Esporte” para mesclar ao lado de Tiago Leifert as informações da paralisação dos rodoviários com as do mundo esportivo. Evaristo Costa, que depois prosseguiria o tema ao lado de Sandra Annenberg no “Jornal Hoje”, também chegou a intervir através do telão.

Até ali, a programação ao vivo era a natural de todos os dias e somente mais centrada em um tema. Mas o “Vídeo Show” de Zeca Camargo não segurou público nem mostrando um ensaio para abertura da Copa e logo cedeu a liderança para a Record. A Globo São Paulo não teve dúvidas e cortou o programa no meio de uma reportagem para Carlos Tramontina comandar uma edição especial do “SPTV”, que durou praticamente 2 horas, seguindo no ar até mesmo quando o “Programa da Tarde” passou a focar mais na “Patrulha do Consumidor” do que no jornalismo.

A atração teve direito a GC fixo na tela e reprises de reportagens exibidas mais cedo. Por muitos momentos, sem fatos novos dignos de menção, até links de outros telejornais eram reaproveitados. Um comentarista sobre mobilidade também foi convidado ao estúdio de vidro.

Com "Caras & Bocas" começando mais cedo para Grande São Paulo do que para rede nacional, a deixa para diversos outros boletins nos breaks estava aberta. E a segunda (ou terceira?) edição do “SPTV” também seguiu a regra: iniciou-se bem antes dos outros “Praça TV” (por volta das 18h30) e foi esticada até quase 20h.

No “Jornal Nacional”, já após o anúncio da suspensão da greve a partir da 0h de hoje, uma reportagem primorosamente editada mesclou os conteúdos produzidos por Neide Duarte, Monalisa Perrone e José Roberto Burnier em um VT de abertura.

Fato raro

Em outras greves, sejam de funcionários das empresas de ônibus, trens ou metrô, a Globo foi bem mais econômica na duração de sua cobertura local. Diferentemente do “RJTV”, que se transformou em referência após ficar horas ao vivo com a invasão do complexo do Alemão por forças de segurança, o “SPTV” dificilmente se expande. No máximo, rouba alguns minutos do “GE” ou da Fátima.

Vale lembrar que o Rio enfrentou situação caótica proporcional por um movimento do tipo há poucos dias e não houve um prolongamento nesse nível, apesar dos telejornais regionais da Globo terem batido recordes com a situação. Em SP, apenas mantiveram suas plateias frequentes.

Dentre os poucos casos, estão uma edição extra no sábado seguinte ao desfecho do caso Eloá, que cancelou o “Estrelas” e uma na manhã de domingo em que foi reconstituído o assassinato de Isabella Nardoni, ambas as situações em 2008.

Tendência

A Globo cada vez mais abre espaço para programas ao vivo em sua grade. Vários serão testados nesse esquema na Copa do Mundo, como o “Caldeirão do Huck” e o “Esquenta”. Cogita-se também trocar a “TV Globinho” de sábado por uma edição extra do “Encontro”, que já eliminou a exibição diária da sessão de desenhos.

Nessa nova mania, entra também o esporte. Nessa temporada, pela primeira vez desde que readquiriu os direitos de transmissão a Liga dos Campeões já teve exibição desde as oitavas-de-final em plena tarde de dias úteis. A situação se repetirá com outra Liga nessa sexta: a Mundial de Vôlei. O canal exibe Brasil x Itália em duelo narrado por Luiz Carlos Júnior.

Quem sabe...

...faz ao vivo, já diz o famoso bordão de Fausto Silva. A grande vantagem desse tipo de cobertura a que a Globo vem se propondo testar é o dinamismo e a interação.

Para o canal, há ainda o trunfo de poder acompanhar as tendências de audiência em tempo real e fazer as devidas modificações de conteúdo. Em compensação, o número de gafes também dispara. Foram diversas falhas técnicas em links ao longo do dia, principalmente nos feitos pela internet, que já não possuem naturalmente uma imagem de qualidade.

 

No NaTelinha, o colunista Lucas Félix irá mostrar um panorama desse surpreendente território que é a TV brasileira.

Ele também edita o https://territoriodeideias.blogspot.com.br e está no Twitter (@lucasfelix)

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