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Enfoque NT: O grande desfecho de "Joia Rara" e o possível fiasco

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Divulgação/TV Globo
Thiago Forato

Publicado em 05/04/2014 às 14:49:07

Quem foi telespectador de “Joia Rara”, não teve como não se emocionar com o último capítulo da trama, nesta sexta (04).

Escrita por Thelma Guedes e Duda Rachid em 173 capítulos, o que não faltou foi emoção e um exemplo de uma excelente história, além da pregação de amor ao outro. O budismo teve papel preponderante no desenvolvimento do folhetim e ajudou “Joia Rara” a se tornar mais uma bela história no horário das 18h.

O budismo

Tema pouco discutido nos folhetins e na mídia, muita gente se perguntava o que é budismo. Talvez os autores não tenham mergulhado no tema como gostariam. Mas o budismo, ao contrário do que se pensa e muita gente acha, não é uma religião. É uma filosofia que prega a paz individual e interior, além da lei do desapego e de amor ao próximo.

O foco, talvez, tenha espantado o grande público. A princípio, um monge reencarnar em uma menina anos depois pode parecer ridículo para alguns. Mas, quem usou isso como critério para determinar que não assistisse “Joia Rara”, perdeu uma grande obra.

Os desfechos

Para quem acompanhou a trama, certamente não ficou desapontado com nenhum final dos personagens. O que é bastante gratificante para quem torceu pelos atores que ali representavam.

Inclusive, ter Glória Menezes no papel de Pérola em sua fase adulta, e contar os destinos dos outros personagens, além de ter feito um discurso emocionante sobre a paz mundial em uma conferência sobre o assunto, foi formidável, criativo e surpreendente.

Aliás, seria injustiça deste espaço não reconhecer o talento ímpar dessa menina, Mel Maia, ao ter dado vida a Pérola, a jovem que foi reencarnação de Ananda Rinpoche (Nelson Xavier). Convenceu e emocionou.

Outro grande destaque da novela foi, sem dúvida, Manfred (Carmo Dalla Vecchia). Um vilão de traços e surtos psicóticos, perigoso e mau por essência, que também convenceu e despertou a ira de quem assistia.

Em “Joia Rara”, a ala de mocinhos e vilões era muito bem delineados e definidos. É o famoso 8 ou 80. E é aí que está o perigo: cair no clichê, como o folhetim caiu por diversas vezes ao longo dos capítulos. Se fosse um pouco mais curta, seria ainda melhor para não cair naquele grande imbróglio onde o telespectador fica de saco cheio com tanta enrolação, como no núcleo humorístico de Aurora (Mariana Ximenes) e Lola (Letícia Spiller).

Embora a trama tenha tido, de fato, diversas “barrigas”, não apagou seu brilho.

Sem esquecer...

... a atuação sublime de José de Abreu como Ernest Hauser. De vilão a “mocinho”, Ernest tinha com Pérola uma bela química em cena. Ernest era um homem com métodos arcaicos e cruéis para conquistar o que queria, e os momentos com a neta era onde não parecia nada disso. Derretia-se todo e no fim da vida, acabou descobrindo o amor e cumpriu sua missão, conforme Pérola fazia questão de repetir após sua morte.

Audiência

Como se sabe, “Joia Rara” não foi um suprassumo nos números do Ibope. Deu 18 pontos de média geral e 22 no último capítulo. Teve um desempenho ruim, mas é mais das produções da Globo que certamente conquistará prêmios internacionais.

A Globo não atravessa um bom momento “ibopicamente” falando. E isso afetou “Joia Rara”. A má performance de “Malhação”, a pior ainda de “Além do Horizonte”... É o efeito sanfona. Mas, repito: isso também não apaga a grande produção que foi “Joia Rara”.


Contatos do colunista: thiagoforato@natelinha.com.br - Twitter: @Forato_

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