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Olhar TV: "Sessão da Tarde" investe em filmes antigos e divide opiniões

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Divulgação/TV Globo
Taty Bruzzi

Publicado em 18/03/2014 às 17:44:18

Desde 1974 a “Sessão da Tarde” faz parte do cotidiano do telespectador. Assim como eu e você, muitos cresceram acostumados a assistir aquele filmezinho gostoso, pouco depois da hora do almoço.

Com tempero adocicado, recheado de amor ou acompanhado de boas risadas, não importa. Em geral, os títulos que compõem a atração têm segmento parecido e apropriado para o horário.

Entretanto, com o tempo eles acabaram ficando defasados. Além disso, o público mudou. Hoje, a geração X, Y ou Z, sabe-se lá em qual posição ela se encontra, já não tem mais o hábito de sentar em frente à TV para assistir filmes.

A modernidade trouxe mudanças de interesses e amplitude dos meios de comunicação. Além da TV a cabo oferecer canais que passam filmes o dia todo, a galerinha de hoje ainda tem a facilidade, e o hábito, de baixá-los pela internet.

Sem contar que vem crescendo na rede o número de sites que disponibilizam filmes e títulos de séries para assistir em tempo real. Assim, a juventude multimídia vê filmes, joga e conversa via whatsApp no mesmo tablet.
 
Os anos 80 estão de volta

Não sei se pensando nisso, a Globo chegou a cogitar tirar a “Sessão da Tarde” da sua grade. Porém, como 40 anos não são 40 dias, a emissora pensou melhor e fez suas últimas apostas, na tentativa de aumentar a audiência.  

Assim, a atração assumiu novo horário, logo após o “Vídeo Show”, e de uns tempos para cá vem exibindo, esporadicamente, títulos mais antigos. Mais precisamente da década de 80.

“Top Gun”, “Curtindo a Vida Adoidado”, “Flashdance” e “Karate Kid” já foram ao ar, levando boa parte dos balzaquianos saudosistas à loucura. No entanto, como não dá para agradar à gregos e troianos, houve divergência de opiniões.

Alguns internautas usaram às redes sociais para criticar. Principalmente, quando a emissora exibiu “De volta à Lagoa Azul” (1991), filme que ficou conhecido como a história de um casal que naufragou na “Sessão da Tarde” e nunca mais saiu.

Como para bom entendedor um ponto basta, a própria brincadeira nos dá a resposta. Títulos como “Velocidade Máxima”, “Esqueceram de Mim” e até o citado acima, por exemplo, já estão defasados. Assim como a maioria dos lançados entre os anos 90 e 2000.

Por isso, tirar da videoteca filmes dos anos 80 pode ser considerado um grande acerto e, consequentemente, garantia de boa de audiência. Se por um lado quem já passou dos 20 e poucos anos vai querer rever, do outro há sempre a chance de nossos filhos, sobrinhos ou irmãos mais novos se interessarem.

Quando criança, eu adorava assistir produções com Jerry Lewis, Fred Astaire ou os primeiros títulos de Os Trapalhões, filmados ainda na década de 70. Aliás, parte da minha paixão pelo cinema veio daí.

Pois então: que venham os novos clássicos anos 80 na “Sessão da Tarde”. Afinal, há quantos anos você não assiste “A Dama de Vermelho”, “Footloose”, “Clube dos Cinco”,  “Vidas sem Rumo” ou “Férias Frustradas”?

E quem sabe, retornemos aos anos 70 com “Castelos de Gelo” e “Os Embalos de Sábado à Noite”; vamos à Tiffanny dos anos 60 com Audrey Hepburn em “Bonequinha de Luxo”, ou caímos na gargalhada com Jerry Lewis em “O Terror das Mulheres”.

Com sorte, a gente ainda confere os clássicos anos 50 como o francês “Lili”, ou do velho oeste norte-americano através de “Sete Noivas para Sete Irmãos”. Até, com mais sorte ainda, reencontramos o saudoso Gregory Peck em “Virtude Selvagem” nos anos 40.

Sim, eu já vi muita coisa boa na “Sessão da tarde” e, talvez, você ainda possa ver, ou rever, também. Basta se abrir para o novo. Ou melhor, neste caso, para o velho e bom cinema.    
 

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