Reportar erro
Colunas

No aquecimento para Olimpíada, Globo e Band largam na frente da Record

Confira mais um artigo do "Território da TV"

2b9ac43aad8125a705f64d251a4824ed.jpg
Divulgação
Redação NT

Publicado em 24/02/2014 às 09:21:11

A Olimpíada de Inverno de Sochi parece ter decidido cumprir exatamente o que seu slogan prometia. Além de quente nas disputas e fria nas temperaturas, foi também nossa. Apesar do desempenho pífio, a maior delegação brasileira de todos os tempos teve também a maior cobertura televisiva já feita sobre a gelada competição.

Se a veterana Isabel Clark decepcionou no snowboard, a Globo não teve um revés em seu histórico por Sochi. Pelo contrário. A emissora que mal noticiava os Jogos de Turim 2006 em seus telejornais (e não teve os direitos de transmissão de Vancouver 2010) dedicou minutos diários ao evento em praticamente todos os seus telejornais de rede (com exceção ao “Jornal Hoje”, já que esse é precedido pelo “Globo Esporte”). Por muitos dias, mais se falou sobre curling no “Jornal Nacional” do que sobre futebol.

Ponto também para o bem sucedido boletim da madrugada. Experiência testada primeiramente na Paralimpíada de Londres, a exibição de um programete de cerca de 30 minutos com o resumo diário do evento avançou muito com o apresentador e ex-judoca Flávio Canto finalmente soando tão naturalmente na televisão quanto nos tatames. O pacote visual com Globolinhas para quase todas as modalidades e a procura em sempre receber especialistas no que era comentado fez a diferença.  

Preocupação que não foi similar na Record. A ginasta Luisa Parente por muitas vezes esteve nas transmissões da Barra Funda falando sobre patinação. Apesar da bela estética proporcionada por ambas as provas, as diferenças claras poderiam ter pesado para a procura de um nome mais técnico. Aliás, o canal infelizmente cumpriu o “anunciado” pela coluna antes mesmo do mundo se reunir para o fogo olímpico ser aceso na Rússia.

Com duração maior do que o concorrente, o “Jornal da Record” muitas vezes abriu menos espaço para cobertura olímpica do que o “JN”. Será que a inexperiência no esporte pesou tanto para o canal quanto para nossa jovem patinadora Isadora Williams?

Mas quem queria acompanhar eventos ao vivo em TV aberta teve que se contentar com Record News e Band. Apesar de não terem nenhum profissional enviado para Sochi, ambas foram as emissoras que acumularam mais horas no ar com competições. E incrementaram a audiência em faixas horárias em que beiravam o traço. Aliás, juntando-se todas as transmissões de agora contra a exclusiva da Record há quatro anos, é perceptível um crescimento de 30% na audiência. Ou seja, o brasileiro nunca antes prestigiou tanto os esportes gelados. E isso excluindo da conta o SporTV, que chegou a exibir 12 horas consecutivas de competições em determinados dias. O BandSports também dedicou boa parte de sua programação ao evento.

A repercussão foi tamanha que até mesmo importamos uma musa russa: Anna Sidorova. Ao som do Molejo, a bela capitã da equipe de curling da antiga União Soviética rendeu algumas das tantas belas imagens proporcionadas pelo espírito olímpico. O hit chiclete “Oh, Sidorova, eu sou seu fã” virou pauta até mesmo na TV dinamarquesa. O bom humor reinou ainda com os profissionais brasileiros no Centro de Imprensa Internacional. Com os países nórdicos destacando suas medalhas nas portas do estúdio, a saída encontrada pelos nossos compatriotas foi o destaque ao escudo da CBF com uma emblemática mensagem: “Vemos vocês em junho”.

Só que apesar da Copa estar chegando, todos esses canais se reunirão novamente numa transmissão poliesportiva somente no Rio de Janeiro em 2016 (a Record nem mesmo exibe o Mundial). É esperar que os erros cometidos agora sejam uma lição do que deve ser consertado e não um indício do que acontecerá daqui a dois anos. 

 

No NaTelinha, o colunista Lucas Félix irá mostrar um panorama desse surpreendente território que é a TV brasileira.

Ele também edita o https://territoriodeideias.blogspot.com.br e está no Twitter (@lucasfelix)

 

Mais Notícias