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Olhar TV: "Malu Mulher", nunca é tarde para recomeçar

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Reprodução
Taty Bruzzi

Publicado em 06/05/2013 às 15:55:17

Maio é o mês de aniversário do Viva, e para comemorar a data o canal anunciou, entre várias atrações, a exibição do seriado "Malu Mulher", que estreou no último dia 04, às 22h30. Exibida na TV Globo entre os anos de 79 e 80, pode-se dizer que a série nunca foi tão atual.

Criada por Armando Costa, Lenita Plonczynska, Renata Palottini e Euclydes Marinho, "Malu Mulher" trouxe algo novo para a nossa teledramaturgia ao abordar a vida de uma mulher recém-separada no final da década de 70.

Na trama, a socióloga Malu (Regina Duarte) vê seu casamento afundar em frustrações, mas faz de tudo para salvar a relação com o marido Pedro Henrique (Dênis Carvalho). A gota d’água é quando ele a agride fisicamente.

Ali, Malu opta pelo divórcio e decide criar Elisa (Narjara Turetta), a filha adolescente, sozinha, mesmo diante das dificuldades. Afinal, naquela época uma mulher separada era alvo constante do preconceito da sociedade.
 
Por dentro da série
 
"Malu Mulher" foi uma das séries mais bem faladas da TV brasileira e que fez o telespectador olhar de forma diferente para a mulher, a família e a sociedade em um mundo preconceituoso e machista, na virada dos anos 80.

Em “Acabou-se o que era doce”, seu episódio de estreia, o tema abordado foi o processo de separação entre Malu e Pedro Henrique, recheado por brigas, a insegurança da filha do casal e a evidente desarmonia no lar.

A primeira temporada mostra as dificuldades da socióloga em manter a casa e o sustento de Elisa. Já na segunda edição, Malu consegue um trabalho fixo em um Instituto de Pesquisa e se vê preparada para recomeçar sua vida afetiva.
 
Curiosiodades
 
- "Malu Mulher" foi exportada para 55 países e ganhou vários prêmios internacionais. Entre eles, o "Ondas 79", da Sociedade Espanhola de Radiodifusão, e o prêmio "Iris 80", da Associação Americana de Programadores de Televisão.
 
- Daniel Filho revelou em seu livro, "Antes que me esqueçam", que teve a ideia de fazer a série após assistir ao filme "Uma mulher Descasada", de Paul Mazursky, nos EUA.
 
- A socióloga Ruth Cardoso, ex-primeira dama do Brasil, participou de uma reunião de criação do seriado e chegou-se a conclusão de que a protagonista seria socióloga. Por indicação dela, a equipe fez pesquisa de campo na Unicamp (Campinas), que na época era o Pólo em Sociologia no Brasil.
 
- O nome de Marília Pêra chegou a ser cogitado para o papel principal, mas desde o início o diretor Daniel Filho queria que Malu fosse interpretada por Regina Duarte.
 
- “Começar de Novo”, música da abertura, foi composta por Ivan Lins e Vítor Martins especialmente para a série e convidaram Maria Bethania para interpretá-la. Como ela não aceitou, coube a Simone, que na época ainda não tinha uma grande projeção, dar voz a canção. Com o sucesso da série no exterior, a música ganhou regravações de Barbara Streisand e Sarah Vaughan.
 
- Graças ao seu sucesso na TV, em dezembro de 79 a Globo lançou o especial musical "Mulher 80". Com direção de Daniel Filho e apresentação de Regina Duarte, o programa reuniu números musicais e depoimentos de cantoras. O foco principal era a atuação feminina na Música Popular Brasileira.
 
Polêmicas

 
- No episódio “De Repente, Tudo Novamente”, exibido em 7 de junho de 79, Malu protagonizou o primeiro orgasmo da televisão brasileira. Na cena em que se relacionava com Mário (Paulo Figueiredo), a câmera focalizou a mão da personagem abrindo como se estivesse sofrendo espasmos. Na mesma história, a socióloga ingeriu uma pílula anticoncepcional.
 
- Na semana seguinte, no episódio "Ainda não é a hora", a personagem Jô (Lucélia Santos) faz um aborto em uma clínica clandestina. E foi o próprio Boni, todo-poderoso da Globo na época, quem autorizou a equipe de produção a ousarem mais.
 
- Segundo Daniel Filho, o programa começou a sofrer muita censura. Uma delas foi em "Até Sangrar", episódio escrito por Manoel Carlos, que debatia a questão da virgindade. Na ocasião, perguntava-se a Malu se doía e ela respondia: “Dói, mas só até sangrar”.
 
- Ainda, de acordo com o diretor, devido às constantes mudanças no roteiro, a cada programa Malu acabava assumindo uma personalidade diferente.


Tatiana Bruzzi é colunista do NaTelinha e editora dos blogs: www.blogespetaculosas.blogspot.com e www.eueumesmaemeusfilmes.blogspot.com
 

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